* Ana Voltei para a mansão no fim da tarde. Ainda ria sozinha, no carro, de alguma fala da minha mãe. O sol já tinha amolecido. Quando entrei no hall, esperei o silêncio frio de sempre — casa grande, passos distantes, alguém ocupado demais em algum andar de cima. Em vez disso, senti cheiro de comida. Não de jantar sofisticado. De comida de verdade. Alho, tomate, pão. E, por cima, café passado fresco. Andréas apareceu na entrada da cozinha com uma colher de pau na mão. Uma colher de pau. Eu parei no meio do caminho. — Você… — Se rir, eu nego tudo — disse ele, já meio defensivo. — Inclusive a colher. — Está com uma colher de pau. — Eu sei. — Andréas Albuquerque e uma colher de pau. — A cozinheira saiu mais cedo. Eu achei que conseguia improvisar. Ele parecia quase constrangido. Cabelo um pouco bagunçado, camisa com a manga dobrada torta, uma pequena mancha de molho perto do punho. O homem do terno impecável e do protocolo de café estava ali, no meio da própria mansão, tentand
Última actualización : 2026-10-11 Leer más