* Ana. Minha mãe começou o tratamento. Consultas, exames, medicação nova, retorno ao cardiologista. Eu acompanhei todas. Sentava na sala de espera com ela, segurava a pasta dos documentos, anotava horários, fazia pergunta demais para os enfermeiros. Pela primeira vez em meses, a prioridade absoluta não era a Nexus nem o contrato. Era ela. Andréas não atrapalhou. Também não desapareceu. Mandava o carro. Confirmava se eu tinha comido. Perguntava o horário que a gente voltava. Às vezes estava na sala quando chegávamos; outras vezes só a luz do escritório dele continuava acesa no andar de cima. A casa funcionava. O silêncio entre a gente, também. Até aquela noite. Voltei perto das nove. Minha mãe, cansada, foi direto para o quarto. Eu ainda estava na cozinha bebendo água em pé quando Andréas apareceu no batente, camisa social já sem gravata, a expressão contida demais. — Vocês demoraram. — O retorno atrasou. Depois tinha farmácia. — Você poderia ter me avisado. Eu fechei a gelade
Última atualização : 2026-09-03 Ler mais