Leonor passou vinte e três dias sem entrar no antigo quarto de Gabriel por mais de cinco minutos.Não porque tivesse fechado a porta.A porta ficava aberta na maior parte do tempo.O problema era o que fazer depois de atravessá-la.A cama continuava ali.O armário, quase vazio.Uma cadeira com uma camiseta esquecida que Gabriel jurava não ser dele, apesar de ter o nome da universidade estampado na frente.Na escrivaninha, restavam duas canetas sem tinta, um caderno de primeiro período e uma peça metálica cuja função Leonor não conhecia.Gabriel também não.Por isso, naturalmente, se recusara a jogar fora.A humanidade tinha construído civilizações inteiras dessa maneira.Naquela quarta-feira, Leonor entrou com um pano na mão.Tirou pó.Abriu a janela.Dobrou a camiseta.Não transformou o quarto.Saiu.No arquivo, naquela tarde, Dalva perguntou:— Você está procurando apartamento?Leonor levantou os olhos.— Não.— Então por que está vendo mesa usada?O computador estava aberto numa pá
Última atualização : 2026-08-30 Ler mais