A manhã de segunda-feira começou com o barulho forte de marretadas e o som de serras elétricas cortando chapas de aço no fundo do galpão. A antiga parece de tijolos aparentes, que durante três décadas dividira o espaço da oficina de um pequeno depósito abandonado nos fundos, estava sendo derrubada para abrir espaço para os dois novos elevadores hidráulicos. A poeira fina de cimento pairava no ar, misturando-se à luz do sol que entrava pelas telhas transparentes recém-instaladas no teto.Marcos estava de pé no centro do galpão, com uma prancheta de madeira na mão esquerda e um lápis atrás da orelha. Ele vestia o macacão escuro de brim, mas agora limpo e ajustado, trazendo o nome *Marcos Neres — Gerência* bordado no bolso do peito. Ao seu lado, dois rapazes novos do bairro aguardavam em silêncio, visivelmente ansiosos, vestindo uniformes novinhos em folha.O primeiro era o Lucas, um jovem de dezenove anos, franzino, morador da parte baixa da comunidade, que passara os últimos dois anos
Last Updated : 2026-10-03 Read more