Os primeiros raios da alvorada de domingo atravessaram a vidraça suja da janela da sala, tingindo o interior do ateliê com uma iluminação cinzenta e gélida. Julian estava sentado no chão de taco, com as costas encostadas na base da bancada de madeira e a camisa entreaberta. Helena repousava a cabeça em seu colo, coberta pelo paletó seco do curador, enquanto seu braço engessado descansava protegido sobre o próprio peito. A sobriedade retornara inteiramente a Julian, mas a expressão em seu rosto não trazia mais o desespero ou a embriaguez da noite anterior; trazia uma determinação fria, madura e inegociável. Ele acariciava os cabelos escuros de Helena com a ponta dos dedos, observando o ritmo calmo da respiração dela enquanto ela dormia um sono profundo, embalada pelo cansaço físico e pelo alívio temporário da dor. Exatamente às oito horas da manhã, o celular de Julian, que permanecia no bolso da sua calça, começou a vibrar silenciosamente. Ele alcançou o aparelho com cuidado para não
Last Updated : 2026-09-13 Read more