O corredor era um túnel de concreto e escuridão, uma garganta fria e silenciosa que parecia devorar qualquer sopro de vida. Minhas sapatilhas mal faziam barulho contra o piso frio de pedra polida, mas o som da minha própria respiração descontrolada ressoava como um trovão claustrofóbico nos meus ouvidos. O ar gelado da montanha invadia meus pulmões como lâminas de vidro, queimando o peito a cada inspiração precipitada. Eu não olhei para trás. Sabia, com uma certeza dolorosa, que se olhasse, se permitisse que meus olhos encontrassem aquela máscara grotesca dividida entre o branco e o preto na penumbra, minhas pernas falhariam miseravelmente. O pavor que me movia não era apenas um sobressalto mental; era uma reação física, visceral, que arrepiava cada centímetro da minha pele e fazia o sangue congelar nas minhas veias. Ares Voss não estava apenas jogando; ele estava exercendo a forma mais pura, refinada e doentia do seu domínio sobre mim. Queria me ver exposta, acuada, reduzida ao meu
Last Updated : 2026-09-23 Read more