A dor não era dor. Era fogo líquido correndo nas minhas veias. Eu gritei de novo, mas não saiu voz humana. Saiu um som rouco, rasgado, entre choro e uivo. Minhas costas arquearam naquela cama de peles e eu senti cada osso do meu corpo estalando, se rearranjando. "Respira! Olha pra mim, pequena! Respira comigo!" Gael estava por cima de mim, mas não me tocando com desejo agora. As duas mãos enormes segurando meu rosto, os olhos amarelos dele presos nos meus. Ele respirava fundo, de propósito, pra eu copiar. Eu tentei. Puxei o ar. O cheiro dele entrou queimando: terra molhada, sangue, fumaça. Meu olfato tinha ficado mil vezes mais forte. Eu conseguia cheirar o medo que saía da minha própria pele, e conseguia cheirar o desejo que saía da pele dele, mesmo ele tentando esconder. "O que você fez comigo?", eu solucei, e quando abri a boca pra falar, senti minhas presas. Pequenas, mas pontudas, arranhando meu lábio inferior. "Minha boca... minha boca tá diferente!" "Shhh. É norma
Last Updated : 2026-09-24 Read more