เข้าสู่ระบบO barulho dos lobos lá fora parecia não ter fim.Eu ainda olhava para o lugar onde minha mãe tinha aparecido. Ela sumiu antes que eu pudesse fazer uma única pergunta. Depois de descobrir que estava viva, tudo o que eu queria era saber onde ela estava. Só que, pelo visto, ninguém naquela gruta estava disposto a facilitar minha vida.Sério, parecia até brincadeira.“Você sabia que ela apareceria?”, perguntei a Augusto.Ele continuou olhando para a Pedra da Lua.“Não.”“Ah, claro. E eu sou uma loba de estimação.”“Helena”, Gael me chamou, tentando me acalmar.Virei para ele.“Não começa. Seu pai aparece depois de quinze anos, diz que minha mãe tá viva, fala de um monstro e agora todo mundo fica quieto. Cê quer que eu faça o quê? Sorria?”Theo soltou uma risada nervosa, mas parou quando Gael lançou um olhar na direção dele.Augusto, por outro lado, não pareceu ofendido.“Você tem o temperamento dela.”“Da minha mãe?”“Sim.”Por um segundo, esqueci a raiva.“Você pode me contar onde ela es
— E agora que minha nora deixou a filha dela despertar... está na hora de terminar o que ela começou.Aquelas palavras ficaram suspensas dentro da gruta.Eu não conseguia desviar os olhos daquele homem.Augusto Moura.O pai de Gael.O homem que todos acreditavam estar morto havia quinze anos.Mas ele estava ali.Vivo.Ou pelo menos alguma coisa dentro dele ainda estava.— Minha mãe... — minha voz saiu baixa. — Você conheceu minha mãe?Augusto me encarou por alguns segundos.Então sorriu.Não era um sorriso gentil.Era como se ele estivesse diante de uma lembrança que esperou anos para reencontrar.— Eu conheci sua mãe antes mesmo de você nascer.Gael se colocou imediatamente entre nós.— Não fala com ela.Augusto soltou uma risada curta.— Ainda tentando protegê-la de mim, Gael?— Eu disse para não falar com ela.O ar da gruta pareceu ficar mais pesado.As marcas no corpo de Gael começaram a brilhar.As sete marcas.As mesmas que representavam as mulheres que haviam morrido antes de m
Os uivos continuaram.Um atrás do outro.Cada vez mais próximos.A gruta parecia pequena demais para conter aquele som.Eu conseguia sentir as vibrações no chão, como se a própria Serra das Confusões estivesse respirando junto com os lobos.Gael não tirava os olhos da entrada.Ruan permanecia parado entre as pedras quebradas.Theo estava atrás dele.E, do lado de fora, centenas de olhos amarelos brilhavam na escuridão.— Todos eles vieram? — perguntei.Ruan assentiu.— Todos.Gael deu um passo à frente.— Ninguém entra.Ruan soltou uma risada curta.— Você ainda não entendeu, irmão.— Então explique.— Eles não vieram para lutar contra você.Ruan apontou para mim.— Vieram por ela.Meu estômago apertou.Gael imediatamente ficou na minha frente.— Ela não vai a lugar nenhum.— Não
O primeiro rugido fez a gruta inteira estremecer.Eu não consegui me mexer.A criatura permanecia parada na entrada, parcialmente escondida pela poeira que ainda caía do teto.Era enorme.Muito maior que Gael.Tinha o corpo coberto por pelos escuros, mas havia algo humano demais em sua postura. As mãos terminavam em garras compridas e os olhos brilhavam em um tom dourado quase branco.E ele estava olhando diretamente para mim.— Finalmente... — a criatura repetiu. — A última Guardiã voltou.Minha mão começou a queimar.— Gael...Ele deu um passo à frente.— Não chegue perto dela.A criatura soltou uma espécie de risada baixa.— Você ainda acha que pode protegê-la?Gael rosnou.— Enquanto eu respirar.— Então você continua sendo tão ingênuo quanto seu avô.O rosto de Gael mudou.— Você conheceu meu avô?A criatura i
O corpo de Gael caiu no chão com um baque surdo.— Gael!Eu me virei imediatamente.Ele estava imóvel sobre a pedra, os braços estendidos, como se toda a força tivesse sido arrancada de seu corpo de uma vez.— Gael!Corri até ele.Mas, antes que pudesse tocá-lo, o chão inteiro tremeu.Uma luz vermelha atravessou as paredes da gruta.O cálice diante de mim começou a brilhar.Meu sangue havia desaparecido dentro dele.Não havia mais líquido.Apenas uma luz dourada, pulsando como um coração.Tum.Tum.Tum.A cada pulsação, a marca na minha mão ficava mais quente.— O que está acontecendo?Nenhuma resposta.A gruta estava completamente silenciosa.Até que ouvi uma voz.— O Corte foi iniciado.Parei de respirar.A voz parecia vir das paredes.Era feminina.Antiga.—
A luz da lua, filtrada pela abertura no topo da caverna, desenhava um círculo perfeito de prata no chão de pedra calcária. Parecia um altar natural, um convite ao sagrado. Enquanto a fazenda Boi Morto cheirava a decadência e perigo, este lugar cheirava a tempo. Era um odor de poeira milenar, de resina seca e de algo mais, algo que eu só comecei a entender quando pus o pé dentro daquele círculo: o cheiro de magia pura. Gael fechou a entrada da gruta com uma pedra pesada, movendo-a com uma facilidade que, em qualquer outro momento, teria me assustado. Agora, porém, era apenas um lembrete do quanto eu precisava daquela força. Ele se virou para mim, a respiração pesada, os ombros largos subindo e descendo. O sangue de Ruan ainda manchava seus nós dos dedos. — Estamos seguros, por enquanto — ele disse, a voz ecoando pelas paredes úmidas. — Eles não ousam entrar aqui. A Primeira Curandeira não tolerava lobos em seu santuário.







