SelenaCalor.Foi essa a primeira sensação que reconheci quando a escuridão começou a se desfazer dentro da minha cabeça. Depois veio o cheiro. Não era mais o cheiro de terra molhada, sangue e chuva da floresta. Era algo limpo, suave, quase reconfortante, como madeira aquecida, ervas secas e algum perfume leve que eu não soube nomear. Demorei alguns segundos para entender que estava deitada numa cama macia demais para ser real, coberta por tecidos pesados e quentes, com o corpo afundado num colchão que parecia me engolir. Abri os olhos devagar, ainda tonta, e por um instante fiquei apenas encarando o teto alto, decorado com detalhes dourados e entalhes que eu nunca tinha visto em lugar nenhum. Havia cortinas grossas cercando a cama, um lustre pendendo acima de mim e uma claridade dourada entrando por janelas enormes, filtrada por cortinas claras. Nada naquele quarto lembrava uma alcateia comum. Tudo parecia grande, silencioso e antigo demais. A memória voltou num golpe só. A chuva. A
Last Updated : 2026-10-08 Read more