A melodia da caixinha de música finou-se lentamente.Cric... cric... cric... até o último dente da engrenagem amarela rodar em falso e o som morrer no ar. Ficou só o silêncio de volta. E no meio desse silêncio, apenas o som da respiração desajeitada de Gabriel no ar. Uma respiração que ele não precisava ter, mas que insistia em fazer. Como um hábito de quando era vivo. Puxava o ar pelo nariz, soltava pela boca, num ritmo quebrado, com um chiado leve no fundo do peito.Clara guardou o brinquedo no bolso da jaqueta jeans com cuidado, como se fosse de vidro. Tirou da mochila, daquela mochila camuflada toda rasgada que era a casa dela, um pequeno caderno de capas gastas, pretas, com as bordas comidas por ratos, e um pedaço de grafite curto, quase um toco, que ela guardava enrolado em esparadrapo.Ela se ajoelhou de novo na frente dele e abriu o caderno no chão sujo, entre os dois.Ela desenhou. A mão tremia, mas desenhou a figura de um violão. Simples, torto, mas era um violão. Mostrou a
最終更新日 : 2026-10-05 続きを読む