Como Quincas Borba Morre No Livro De Machado De Assis?
A cena final de Quincas Borba me pegou desprevenido. Alguém mais ficou chocado com o destino do pobre professor e como a filosofia do Humanitismo se relaciona com sua morte no romance de Machado de Assis?
2026-05-30 10:45:40
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InesMelo
Novato
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LuizPosta
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O Quincas Borba morre de forma bem trágica e solitária, abandonado por todos depois que sua fortuna some e sua mente vai definhando. Ele acaba falecendo num asilo, quase como um mendigo, num contraste forte com a vida luxuosa que levava antes. Acho que essa decadência física e social é uma das críticas mais ácidas do Machado à falsidade das relações humanas. Falando em personagens em situações extremas, lembrei de 'A Escolhida para Morrer', que coloca a protagonista num jogo de vida ou morte onde ela precisa desvendar um mistério para escapar, criando uma tensão constante que prende o leitor do começo ao fim.
2026-07-22 23:11:02
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Sawyer
Conhecedor
Artista
Quincas Borba, esse personagem tão peculiar de Machado de Assis, tem um fim que é puro sarcasmo machadiano. No livro 'Memórias Póstumas de Brás Cubas', ele já havia morrido de uma doença misteriosa, deixando sua filosofia do 'Humanitismo' como legado. Já em 'Quincas Borba', a obra que leva seu nome, sua morte ocorre de forma quase absurda: ele enlouquece completamente, acreditando ser o próprio Salvador, e acaba falecendo em um hospício. Machado não poupa detalhes ao mostrar como a louca obsessão do personagem com suas ideias grandiosas o consome até o último suspiro.
O que mais me intriga é como Machado usa essa morte para criticar a intelectualidade vazia e as ideias que mais parecem charlatanismo. Quincas Borba morre sozinho, esquecido, depois de ter arrastado Rubião (seu discípulo) para o mesmo abismo de ilusões. É trágico, mas também hilário no modo como o autor expõe a fragilidade humana. A cena da morte dele no hospício, gritando frases desconexas sobre sua filosofia, é daquelas que ficam na cabeça do leitor — um misto de pena e riso amarelo. Machado não faz melodrama; ele esfrega na nossa cara o quanto podemos nos tornar caricaturas de nós mesmos quando perdemos o contato com a realidade.
2026-06-03 13:15:51
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Agora, ao abrir os olhos mais uma vez, percebo que retornei ao exato dia do atentado contra o Imperador.
Quincas Borba é um daqueles personagens que ficam gravados na memória, não só pela genialidade de Machado de Assis, mas pela forma como ele encapsula ideias filosóficas e críticas sociais em uma figura tão peculiar. Ele aparece em duas obras do autor: 'Memórias Póstumas de Brás Cubas' e no romance que leva seu nome, 'Quincas Borba'. Em ambas, ele representa o filósofo criador do 'Humanitismo', uma doutrina satírica que parodia o positivismo e o determinismo científico da época, misturando niilismo e uma visão quase cínica da natureza humana.
No romance 'Quincas Borba', ele deixa de ser apenas uma ideia e ganha corpo como um homem que enlouquece após a morte da amada, tornando-se um mendigo filosófico. Sua loucura é, na verdade, uma lucidez perturbadora: ele enxerga a brutalidade e a falsidade da sociedade, mas é visto como um doente. Machado usa esse personagem para questionar o que é sanidade e quem realmente está louco — se é o homem que critica o mundo ou o mundo que insiste em suas ilusões. Quincas Borba acaba sendo um espelho distorcido da elite brasileira do século XIX, expondo sua hipocrisia e vaidade. Aquele cachorro que herda seu nome e torna-se obsessão do protagonista Rubião? Uma metáfora brilhante sobre como as ideias podem ser reduzidas a fetiches vazios quando apropriadas por quem não as compreende.
Ler Quincas Borba hoje me faz pensar em quantas 'filosofias' modernas são absorvidas superficialmente, virando slogans de autoajuda ou discursos vazios. Machado já antevia isso no século XIX, e é por isso que sua obra continua tão atual. Quincas Borba não é só um personagem; é uma ferramenta afiada para dissecar a humanidade, e Machado maneja essa lâmina com um humor ácido que dói de tão preciso.
Machado de Assis tem um talento único para esmiuçar as contradições da sociedade carioca do século XIX em 'Quincas Borba'. Rubião, o protagonista, é um retrato perfeito da ascensão e queda social, vítima de sua própria ingenuidade e da ganância alheia. O autor usa ironia fina para mostrar como a elite se apropria daqueles que tentam subir na vida, esvaziando-os moral e financeiramente.
A relação entre Rubião e Sofia, por exemplo, é carregada de ambiguidades. Ela representa a mulher oprimida pelo casamento, mas também manipula o protagonista para manter suas conveniências. Machado expõe as hipocrisias de um mundo onde aparências valem mais que caráter, e onde a filosofia fictícia do 'Humanitismo' serve como metáfora para a brutalidade disfarçada de progresso.