Se você curte terror com uma pitada de folclore, 'Midsommar' é uma experiência única. Diferente do usual, o filme se passa quase todo em plena luz do dia, mas consegue ser mais perturbador que muitos noturnos. A fotografia é linda e contradiz o horror que se desenrola, criando um contraste que fica na mente por dias. A Florence Pugh carrega o filme nas costas, e aquele final... bom, melhor não spoilar!
Lembro de uma noite chuvosa que decidi mergulhar no universo do terror e acabei encontrando 'Hereditário' no catálogo. Aquele filme me pegou de um jeito que poucos conseguiram. A atmosfera pesada, a construção psicológica dos personagens e aqueles silêncios que cortam a respiração são absurdamente bem trabalhados. A Toni Collette entrega uma atuação de cair o queixo, e a direção do Ari Aster é impecável, com planos que deixam a gente desconfortável sem nem precisar de jumpscares.
Outro que me surpreendeu recentemente foi 'The Babadook'. A metáfora sobre luto e depressão é tão inteligente que você fica assustado e emocionado ao mesmo tempo. A criatura em si já é perturbadora, mas o que realmente amarra o terror é a relação entre a mãe e o filho. Acho que o streaming ainda não valoriza o suficiente esses filmes que vão além do susto fácil, mas eles estão lá, escondidos entre os clássicos mais óbvios. Vale a pena garimpar!
2026-05-16 19:40:09
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A Míope se Mete num Jogo de Terror
Nanda Santos
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Eu entrei num jogo de terror e, por causa da miopia pesada, não enxerguei nada direito.
Acabei cuidando da menina sinistra de vestido ensanguentado como minha filha, tratando o Boss final como marido, e honrando as velhas entidades como meus pais.
Na primeira vez que encontrei o Boss, agarrei os músculos do abdômen dele e suspirei:
— Que corpo ótimo… Pena que só é meio baixinho.
O Boss riu de raiva, encaixou a própria cabeça de volta no pescoço e rangeu os dentes:
— Tenho 1,86m. Olha de novo agora.
Durante o plantão noturno, recusei o pedido de aplicar soro no paciente que minha irmã de criação cuidava.
Vi, com meus próprios olhos, um menino de sete anos morrer devido a uma reação alérgica causada pela medicação errada.
Na vida passada, mal tinha terminado de aplicar o soro, quando familiares furiosos invadiram o posto de enfermagem e me espancaram até meu rosto ficar irreconhecível.
Mas o soro era apenas glicose, não havia razão para acontecer algo assim.
Com a consciência turva, ouvi alguém chamar a polícia. Achei que, finalmente, a salvação havia chegado.
Jamais imaginei que seria meu próprio irmão, policial, quem me jogaria no chão.
Meu amigo de infância, agora médico legista, apresentou o laudo da autópsia e me incriminou.
Sem ter como me defender, acabei sendo espancada até a morte pelos familiares do menino, tomados pela fúria.
Até o último suspiro, não entendi por que meu irmão querido e o amigo de infância agiram assim comigo.
Quando abri os olhos novamente, estava de volta àquela noite.
Eu sou a heroína de uma história erótica.
Meu talento? Transformar qualquer coisa que seja escaldante ou gélida em algo intensamente provocante.
No primeiro dia em que cheguei a um jogo de terror, o chefe mandou todos escolherem como queriam morrer.
Eu sorri e respondi:
— Quero falta de ar, pernas trêmulas, olhos vidrados… e um prazer tão intenso que me leve à morte.
Chefe:
— ???
A bruxa disse que minha irmã mais velha morreria aos dezesseis anos, e as profecias dela nunca erravam.
Desde aquele momento, minha irmã passou a ser a pessoa mais importante da família.
A melhor carne de veado era reservada para ela. A rara pele de raposa branca era dada a ela. Todas as noites, nossos pais contavam histórias para ela dormir.
Eu sabia que ela era digna de pena, mas ainda assim me sentia magoada e ressentida.
Então, no dia em que ela completou dezesseis anos, uma dor aguda se espalhou pelo meu peito. Com medo de que eu causasse problemas, meus pais me trancaram no porão.
— Mãe, por favor… — chorei, batendo na porta. — Consigo sentir minha loba interior ficando mais fraca. Me deixa sair…
No entanto, minha mãe disse sem hesitar:
— Não! Hoje é um dia importante para sua irmã. Só resta um dia para ela. Aguente só mais um pouco…
Quando finalmente fechei os olhos e minha alma se desprendeu do meu corpo, vi a sala de estar tomada por uma luz quente de velas.
Meus pais seguravam minha irmã, viva e perfeitamente bem, enquanto choravam.
Só então percebi que a profecia da bruxa realmente nunca errava.
A escolhida para morrer nunca foi minha irmã.
Como única filha do rei do jogo, nasci e cresci em meio ao perigo e à violência.
Para me proteger, meu pai treinou, desde a minha infância, nove homens dispostos a dar a vida por mim.
Quando atingi a maioridade, ele exigiu que eu escolhesse um deles para ser meu noivo.
Ainda assim, me afastei sem hesitar de Bernardo Duarte, por quem estava apaixonada há anos.
Na minha vida passada, fui sequestrada por inimigos no dia do meu noivado, quando pregos de aço embebidos em veneno atravessaram as palmas das minhas mãos.
Disquei para ele pedindo ajuda, com as mãos tremendo, mas o que recebi foi apenas sua voz fria:
— Amanda, pare com essas encenações ridículas. Sua localização mostra claramente que você ainda está na suíte do hotel! Só para me ter só para você, você é capaz de inventar um drama nojento desses?
Ao fundo, o riso suave de uma mulher ecoava pelo telefone.
Desesperada, fechei os olhos.
Quando a gaiola de ferro afundou no mar e a água gelada invadiu minhas narinas e minha garganta, minha vida se apagou por completo.
Ao abrir os olhos novamente, voltei ao dia em que meu pai me mandou escolher um noivo.
Desta vez, fui direta: risquei o nome de Bernardo da lista logo de início.
Mas então... Por que, no meu noivado com Felipe Borges, ele apareceu chorando, implorando para que eu me casasse com ele?
Na Família Valenti, você nasce com um chip.
Ele é fundido ao bio-relógio preso ao seu pulso, e sua tela digital conta, segundo por segundo, exatamente quanto tempo de vida ainda lhe resta.
Todos podiam ver os números diminuindo no relógio da minha irmã gêmea.
E no meu também.
Todos sabiam que ela morreria no dia do nosso aniversário de dezoito anos.
Por isso, Vivian se tornou a princesa intocável do nosso mundo brutal.
Todos os vestidos bordados com diamantes eram dela.
As joias mais raras eram dela.
Até o último resquício de humanidade do nosso pai pertencia a ela — aquele pequeno fragmento de afeto que ele só demonstrava depois de guardar a arma.
Eu costumava sentir pena dela.
Seu tempo estava acabando.
Mas, meu Deus… eu invejava Vivian.
Ela tinha tudo o que eu nunca tive:
O amor dos nossos pais.
Então chegou a noite da festa de aniversário de dezoito anos dela.
Meus pais estavam preocupados que eu causasse uma cena.
Que eu irritasse o Don de uma Família aliada.
Então me trancaram no porão.
Úmido.
Gelado.
Enquanto uma febre mortal queimava meu corpo.
Soquei a pesada porta de carvalho, minha voz falhando.
— Mamma, por favor! Me deixa sair! Estou queimando de febre… Minha cabeça parece que vai explodir…
Do lado de fora, a voz da minha mãe veio fria como aço.
— Chega, Sienna! Hoje é o aniversário de dezoito anos da sua irmã. O último dia de vida dela! Pare com esse teatro! Você não consegue sofrer em silêncio pela honra da Família?
— Mas eu estou muito doente…
O som dos passos dela foi se afastando até desaparecer completamente.
Então a escuridão me engoliu.
E, no meu pulso, o bio-relógio começou a piscar um alerta crítico.
ALERTA CRÍTICO: Incompatibilidade nos sinais vitais. Dados do chip pareado incompatíveis. Verifique a identidade do usuário.
Lembro de assistir 'Hereditary' tarde da noite e ficar completamente perturbado. A atmosfera que Ari Aster cria é tão opressiva que você sente o peso daquele trauma familiar desde a primeira cena. A atuação da Toni Collette é de tirar o fôlego, especialmente naquela cena do jantar que explodiu meu cérebro.
O que mais me pegou foi como o filme mistura luto com terror sobrenatural de um jeito que fica martelando na sua cabeça dias depois. Aquele final simbólico e surreal me fez dormir de luz acesa, algo que não acontecia desde criança. Se você quer algo além de jumpscares baratos, está no streaming e vale cada minuto angustiante.
Tem algo quase mágico em como um bom filme de terror consegue nos prender, mesmo quando estamos seguros no sofá de casa. 'Hereditário' ainda é uma pedida incrível, disponível na Amazon Prime. A narrativa vai além dos sustos baratos, mergulhando em temas familiares disfuncionais e um terror psicológico que fica na mente dias depois. A direção de Ari Aster é impecável, e Toni Collette entrega uma atuação de tirar o fôlego.
Outra pérola é 'Midsommar', também do Aster, encontrado no HBO Max. Diferente do terror noturno tradicional, o filme usa luzes brilhantes e cores vibrantes para criar uma atmosfera perturbadora. A jornada de Dani através do luto e da alienação é tão assustadora quanto os rituais cultistas que ela encontra. É um filme que exige paciência, mas recompensa com imagens que ficam gravadas na memória.
Nada melhor do que um filme de terror para dar aquele frio na espinha numa noite qualquer. Se você está procurando algo na Netflix que realmente vá te assustar, recomendo muito 'Hereditário'. A atmosfera é pesada desde o início, com uma construção de tensão que poucos filmes conseguem replicar. A atuação da Toni Collette é simplesmente arrepiante, e o roteiro te prende até o último minuto.
O que mais me impressiona nesse filme é como ele mistura terror psicológico com elementos sobrenaturais de uma forma que parece orgânica. Não é só sobre sustos baratos; cada cena contribui para uma sensação de desconforto que vai crescendo. E aquele final? Ninguém fica indiferente. Se você gosta de filmes que ficam na sua cabeça por dias, essa é a escolha perfeita.
Tenho uma sugestão que vai te deixar com os nervos à flor da pele: 'Hereditário'. Esse filme não é só um susto barato, ele mexe com a cabeça de um jeito que fica grudado na memória. A atmosfera é pesada desde o primeiro minuto, e a Toni Collette entrega uma atuação de tirar o fôlego.
O que mais me pegou foi como o diretor constrói o terror psicológico, deixando tudo subentendido até explodir em cenas que são puro desespero. Não é à toa que virou um clássico moderno. Se você curte um terror que fica ecoando na mente dias depois, essa é a pedida perfeita.
Não tem nada como uma noite de terror bem executado, e os streamings estão cheios de pérolas recentes. 'Hereditário' ainda assombra meus pensamentos – a forma como explora o luto e o sobrenatural é simplesmente genial. A atuação de Toni Collette é de arrepiar, e aquela cena do teto? Nunca mais olhei para um canto escuro do mesmo jeito.
Outro que me pegou desprevenido foi 'Midsommar'. A combinação de cores vibrantes e horror psicológico cria uma atmosfera única. Diferente dos filmes tradicionais que dependem de escuridão, esse te enche de desconforto sob o sol brilhante. E a cena do penhasco? Cada vez que lembro, meu estômago embrulha.