Lembro de uma época em que meu coração parecia pesar uma tonelada, como se alguém tivesse colocado um tijolo bem no meio do peito. A dor de amor tem um jeito engraçado de se manifestar no corpo – além daquele aperto no peito que não some, meu estômago ficava todo embrulhado, como se tivesse comido algo estragado. Até respirar direito era difícil, com aquela sensação de falta de ar constante.
Dias pareciam mais cinzentos, e tudo perdia o gosto. Cheguei a perder uns quilos sem querer porque até a comida favorita parecia sem graça. O pior era acordar de manhã com aquela pontada no peito antes mesmo de lembrar do porquê. O corpo guarda a mágoa de um jeito que a mente não consegue ignorar.