José Saramago consegue algo incrível em 'Ensaio sobre a Cegueira': ele transforma uma epidemia de cegueira branca num espelho distorcido da nossa própria humanidade. A forma como as pessoas regridem a comportamentos quase animalescos quando a estrutura social desmorona me fez pensar muito nos limites da civilização. Aquele mercado que vira um campo de batalha por comida, as hierarquias que surgem baseadas em pura sobrevivência – tudo parece exagerado até você lembrar de filas de supermercado durante a pandemia.
O que mais me impressiona é como Saramago mostra que a verdadeira cegueira não é física, mas moral. Os personagens que mantêm sua dignidade são raros, e até eles precisam fazer concessões. A cena do assalto ao dormitório das mulheres ainda me dá arrepios, porque expõe o que acontece quando o medo e a necessidade falam mais alto que a compaixão. É um livro que não nos deixa confortáveis, e talvez essa seja sua maior força.
Lembro que quando estava procurando 'Ensaio sobre a Cegueira' para um trabalho da faculdade, descobri que o Domínio Público (dominiopublico.gov.br) tem uma seleção incrível de clássicos disponíveis gratuitamente. A obra de José Saramago já está em domínio público em alguns países, então vale a pena dar uma olhada lá.
Outra opção é buscar em bibliotecas digitais universitárias, como a Biblioteca Digital da USP. Muitas vezes, elas disponibilizam obras para download legalmente, especialmente para fins acadêmicos. Foi assim que consegui meu exemplar sem gastar um centavo!
Meu coração sempre acelera quando alguém menciona 'Ensaio sobre a Cegueira' — Saramago tem esse poder de nos arrastar para dentro de suas histórias de um jeito quase doloroso. Infelizmente, não recomendo buscar PDFs gratuitos de obras ainda protegidas por direitos autorais, como essa. A Bibliotica (um site brasileiro de domínio público) tem alguns livros antigos, mas Saramago ainda está sob copyright. Que tal experimentar o Kindle Unlimited? Eles têm promoções frequentes e dá para ler legal por um preço justo.
Se o orçamento tá apertado, sugiro dar uma olhada em sebos online ou grupos de troca de livros no Facebook. Tem muita gente disposta a emprestar ou vender baratinho. E se você nunca leu Saramago, prepare o coração: aquele estilo sem diálogos marcados no início confunde, mas quando você pega o ritmo, é impossível parar.
José Saramago sempre teve essa habilidade de transformar o absurdo em algo palpável, e 'Ensaio sobre a Cegueira' não é diferente. A cegueira branca que assola os personagens funciona como um espelho da sociedade — quando as estruturas caem, o que sobra é a essência humana, crua e muitas vezes assustadora. O filme, assim como o livro, joga na nossa cara perguntas desconfortáveis: como agiríamos sem regras? Seríamos solidários ou egoístas até a destruição?
A metáfora da cegueira vai além da visão física; é sobre a incapacidade de enxergar o outro, de reconhecer humanidade em tempos de crise. A protagonista, que mantém a visão, carrega o fardo de testemunhar a degradação, e isso me fez refletir sobre quantas vezes nós, 'videntes' no mundo real, escolhemos fechar os olhos para injustiças.