Meu interesse por fenômenos paranormais começou depois de assistir a um documentário sobre EVP (Eletronic Voice Phenomenon). A ideia de que dispositivos eletrônicos poderiam captar voes de quem já partiu me fascina, mas também me deixa cético. Já tentei usar apps de gravação em locais supostamente assombrados, mas só peguei estática e meus próprios suspiros nervosos.
A transcomunicaçao instrumental parece misturar tecnologia e espiritualidade de um jeito que desafia a ciência convencional. Li relatos de pessoas que juram ter recebido mensagens específicas de familiares, mas também há muitos casos de fraudes. Acho que precisamos equilibrar esperança com pensamento crítico - talvez algum dia a tecnologia nos surpreenda.
Como alguém que perdeu um avô querido, entendo a vontade de acreditar nisso. Minha prima ficou obcecada por esses dispositivos depois que nosso avô faleceu, gastando fortunas em equipamentos. Nunca funcionou, mas ela dizia sentir 'sinais' em qualquer ruído. A psicologia explica isso como pareidolia auditiva - nosso cérebro buscando padrões familiares no caos.
Se isso fosse real, imagino que as operadoras de telefonia já estariam vendendo planos 'pós-vida'. Brincadeiras à parte, a dor do luto pode nos levar a lugares inesperados. Talvez o verdadeiro conforto esteja em guardar as memórias, não em tentar contatos impossíveis.
A física quântica moderna está descobrindo coisas que pareciam magia há 50 anos atrás, então quem sou eu para dizer que é impossível? Já li sobre pesquisas sérias na Universidade de Virgínia sobre lembranças de vidas passadas em crianças. Se a consciência pode sobreviver de alguma forma, por que não a comunicação?
Mas confesso que fico dividido. Por um lado, adoraria ter uma última conversa com minha cachorra que faleceu ano passado. Por outro, me pergunto se essa busca não seria uma forma de não aceitar a finitude da vida. Afinal, até os melhores relacionamentos precisam de um ponto final para ganhar significado.
Lembro de uma cena no filme 'White Noise' onde o personagem tenta contatar sua esposa falecida através de gravadores. A representação cinematográfica exagera, claro, mas captura aquela ânsia humana por respostas. Na minha experiência pessoal, o silêncio após a perda é justamente o que nos força a olhar para dentro.
Talvez a verdadeira comunicação não precise de aparelhos - acontece nos sonhos, nas coincidências significativas, ou naquele momento que você quase escuta a voz deles rindo junto com uma lembrança feliz. Os aparelhos podem até captar algo, mas será que não perdemos a poesia do processo quando tentamos tecnologicá-lo?
2026-07-14 11:15:48
21
View All Answers
Scan code to download App
Related Books
Fingimos Nossa Morte e Nossos Namorados Enlouqueceram na Busca
Sereia do Silêncio
0
4.0K
No dia em que meu pai apareceu no banquete com a ex-namorada, a notícia se espalhou na internet, e todos riram da minha mãe.
Ela tinha abandonado uma carreira promissora para entrar em uma família rica, mas após trinta anos ela continuava sendo uma anônima, sem posição, sem sequer a coragem de confrontar a amante.
Após chorar uma noite inteira, minha mãe me olhou exausta.
— Foi ele quem me traiu primeiro. Então, eu também não o quero mais. — Ela disse. — Lili, você vem comigo?
Nesse mesmo instante, meu celular vibrou com uma mensagem do meu namorado com quem eu estava há sete anos:
[Lívia, é só uma certidão de casamento. Não está bom só sendo minha namorada?]
Permaneci em silêncio por alguns segundos e, por fim, assenti com a cabeça.
Assim, no dia do casamento deles, minha mãe e eu desaparecemos no incêndio da mansão.
Enquanto toda a família comemorava o aniversário da minha irmã, Jessica Almeida, eu estava trancada em uma fábrica abandonada, sangrando sem parar.
Jessica havia contratado quatro capangas que me torturaram até me deixarem por um fio de vida.
Com as minhas últimas forças, rastejei pouco a pouco para pegar o celular e ligar para o meu marido.
— Otávio, eu estou gravemente ferida, venha rápido me salvar... Estou em uma fábrica não muito longe, não vai tomar muito tempo.
Ao ouvir a minha voz fraca e implorante, o meu marido soltou uma risada de escárnio:
— Yolanda, já que chorar e fazer escândalo não funcionou, agora resolveu se fazer de coitada, não é?
— Você realmente não mede esforços para estragar a festa de aniversário da Jessica. Volte logo com um presente para pedir desculpas a ela, senão desta vez eu não vou te perdoar tão facilmente.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, a voz de Jessica chamando por ele ecoou do outro lado da linha.
Ele não sabia que, no instante em que a ligação terminou, eu já não precisava mais do perdão dele.
Nem sabia que aquele cadáver fétido, que o faria franzir a testa e se afastar, mesmo sendo um médico legista experiente...
Era exatamente a esposa que ele odiou por tantos anos, Yolanda Almeida...
Durante o banquete do festival, o príncipe herdeiro dispensou todas as suas concubinas por causa do seu grande amor.
Enquanto as outras pegaram suas moedas de prata e voltaram felizes para suas famílias, eu não tinha para onde ir, então só me restou pegar uma corda e me enforcar na porta da ala de confinamento.
Desde que reencarnei neste mundo, passei vinte e um anos tentando conquistar os quatro homens mais poderosos daqui, mas agora até a minha última tentativa fracassou.
O sistema me avisou que, assim que este corpo morresse, eu poderia voltar para o meu mundo e reencontrar a minha verdadeira família.
Pouco antes de perder a consciência, tive a impressão de ouvir alguém gritar o meu nome em completo desespero.
Minha prima usou o meu computador e esqueceu de sair da própria conta do WhatsApp.
Eu estava prestes a desconectá-la quando uma notificação de um grupo apareceu na tela:
[Para comemorar a melhora do Gabi na escola, vamos fazer um jantar em família hoje à noite.]
Movida pela curiosidade, cliquei na conversa.
Havia apenas quatro participantes naquele grupo: meu pai, minha mãe, meu irmão e minha prima.
Então vi a mensagem do meu irmão:
[Somos só nós quatro. Não chamem a Débora Dutra. Ela é mesquinha demais. Até por uma simples maçã ela arruma disputa com a minha prima.]
Fiquei imóvel diante da tela.
Foi naquele instante que percebi a verdade. Eu já não fazia parte daquela família havia muito tempo.
Meu marido, o comandante, prometeu acompanhar a ex quando ela entrasse em crise. Só noventa e nove vezes.
Mas, quando completei a contagem das noventa e nove, vi os dois abraçados com força.
Depois disso, parei de chorar e de tentar impedir que ele fosse encontrar ela.
Apenas pedi o escapulário como presente para o filho que estava prestes a nascer.
Ao ouvir falar da criança, a expressão dele ficou um pouco mais suave:
— Quando eu voltar, vou com você ao hospital fazer o pré-natal.
Assenti, obediente.
Não contei a ele que, dez dias atrás, protocolei o pedido de divórcio.
Agora nós já estamos divorciados.
Meu marido, o CEO da empresa, contraiu uma doença bizarra: seu coração me escolheu, mas seu corpo escolheu a estagiária Eva Pontes.
Por causa disso, ele desaparecia dez dias por mês para procurar Eva em busca de "tratamento".
— Thelma, o médico disse que tenho uma dependência fisiológica dela. Foi o meu corpo que escolheu a Eva, mas a pessoa que eu mais amo no meu coração é você, e sempre será você!
Para me convencer, ele jurou por tudo que é mais sagrado, chegando a prometer arrancar a própria pele para provar o seu amor por mim.
Fiquei com os olhos marejados e, no fim das contas, meu coração amoleceu.
Até que, na reta final da minha gravidez, fui atingida por um outdoor derrubado por uma forte ventania e perdi o bebê. Liguei para o meu marido, mas ele não atendeu.
Logo em seguida, porém, me deparei com uma postagem de Eva se exibindo nas redes sociais.
[Desbloqueando a nova identidade de mamãe! A partir de agora, somos uma família feliz de três!]
Na foto, meu marido acariciava o ventre de Eva com uma expressão de pura ternura, segurando o resultado do exame de gravidez dela nas mãos.
Acontece que a pessoa que ele havia escolhido de corpo e alma, desde o início, sempre foi Eva.
Naquele momento, percebi que o nosso casamento havia chegado ao fim.