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Se Não Posso Ter Você
Se Não Posso Ter Você
Author: Gaia

Capítulo 1

Author: Gaia
No décimo dia depois de dar entrada no divórcio, encontrei Bernardo no corredor do hospital.

Ele amparava Lavínia com todo o cuidado, como se protegesse um tesouro.

Quando me viu, Bernardo franziu a testa na mesma hora:

— O que você veio fazer aqui? Vai procurar confusão com a Lavínia de novo?

Ele me olhava com vigilância, e aquele frio atravessava até o fundo do meu coração.

Lavínia segurou a mão dele e me lançou um olhar constrangido:

— Joyce, não entende errado. O Bernardo só se preocupa demais comigo.

Enquanto falava, o olhar dela desceu até a minha barriga.

— Ouvi dizer que você também foi internada. O bebê está bem?

Antes que eu respondesse, Bernardo já se apressava em tranquilizar ela:

— Deve ter sido só uma pequena ameaça, não vai acontecer nada. Não fica pensando besteira, o importante é você cuidar do seu corpo.

Levei a mão ao ventre por instinto, com o coração amargo.

É... o que poderia ter acontecido?

Só que o bebê já tinha ido embora?

Como isso poderia ser mais importante do que Lavínia?

Se fosse diferente, por que Bernardo, sabendo que eu estava internada, não veio sequer uma vez perguntar por mim?

Bastava ele entrar no meu quarto uma única vez para descobrir que nosso filho já não existia mais.

Forcei um sorriso e toquei o frasco de vidro no bolso, aquecido pela temperatura do meu corpo.

Desde que Lavínia voltou, Bernardo ficava com ela a cada poucos dias.

Ele dizia:

— A Lavínia sempre foi sensível. Agora que está doente, e se eu não ficar com ela e algo acontecer? Fica tranquila, eu só não quero que ela faça nenhuma besteira, não tem outro sentido.

Ele me prometeu que acompanharia Lavínia apenas noventa e nove vezes.

Depois das noventa e nove, ele se dedicaria de vez a mim e nós viveríamos bem.

Por isso, toda vez que ele saía, eu colocava um feijão dentro do frasco de vidro.

Sete dias atrás, completei noventa e nove.

Mas, quando fui ao encontro dele, cheia de expectativa, o que encontrei foi Lavínia nos braços dele.

Eu era a esposa dele, mas naquele momento só podia ficar à beira da rua, espiando a felicidade dos dois.

— O que vocês estão fazendo?

Com os olhos vermelhos, caminhei até eles e perguntei, atordoada.

Bernardo soltou imediatamente o braço que envolvia Lavínia, o olhar em pânico:

— Joyce, não entende errado, não é nada disso que você está pensando.

Abri a boca, ainda sem conseguir falar, mas Lavínia tomou a frente:

— A culpa é minha, eu atrapalhei vocês. Me desculpa. Bernardo, de agora em diante não se preocupe mais comigo, deixa que eu morra sozinha na rua.

Depois de dizer isso, ela correu em direção à via e acabou sendo derrubada por uma bicicleta.

O rosto de Bernardo mudou na hora.

Ele me empurrou para o lado e puxou Lavínia para os braços.

Não tive tempo de reagir e caí pesadamente no chão.

Uma dor surda atravessou meu ventre.

Tremendo, levei a mão para baixo e encontrei um vermelho gritante.

— Meu filho, meu filho... Bernardo!

Eu segurava a barriga e chamava por ele com dificuldade, esperando que ele olhasse para trás.

Ele hesitou por um instante.

Quando se virou para mim, me lançou um olhar carregado de ódio.
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