Sua Sombra
Na alta sociedade, existe uma regra silenciosa. Em casamentos de conveniência, cada um vive a sua vida sem muitas cobranças. No entanto, tudo o que for comprado para a amante, deve ser compensado com um presente equivalente para a esposa.
Nathan Ribeiro era um homem que prezava pelas aparências e regras. Por isso, mesmo após a falência da família Soares, ele fazia questão de multiplicar essa regra por cem, garantindo a Maitê Soares o respeito e o status que ela merecia diante da sociedade.
Se o cartão da amante recebia cem mil reais para gastos fúteis, a conta de Maitê precisava ter um saldo intocável de dez milhões. Se ele comprava joias de um milhão para a outra, arrematava um anel de esmeralda antigo por cem milhões em um leilão para a esposa, cobrindo qualquer oferta sem pestanejar.
As madames da elite, já acostumadas com as traições dos maridos, suspiravam diante da relação conturbada de Maitê e Nathan que estampava as colunas sociais, mas sempre a aconselhavam a ser grata e aceitar a situação.
Grata? Maitê, sem dúvida, demonstrava gratidão.
Foi por isso que, no exato dia em que Nathan deu uma casa de subúrbio quase sem valor para a amante de forma pública, ela aceitou a escritura de uma mansão na Bela Vista das mãos dele. Enquanto guardava o documento, ela perguntou de forma casual:
— Cansei dessa rotina, Nathan. Vamos nos divorciar?