Sempre em seu Coração
Eu não acredito que você brincava com bonecas — ele zombou.
Senti o meu rosto queimar, em um misto de vergonha e raiva.
— Qual o assombro? — Apanhei a boneca. — Foi o meu pai que me deu, ela é especial para mim.
Fazendo bico, sentei-me no chão, chateada. Sabia que Daniel não tinha a intenção de me magoar. Provavelmente, apenas estranhava descobrir em mim alguns detalhes tão femininos que, até então, ele desconhecia totalmente. Na verdade, o que me chateava não era o assombro dele, mas as lembranças que aquele local me trazia. Apesar de serem, em grande parte, boas lembranças, exatamente por isso eram carregadas de saudade. E a saudade doía.