Mag-log inDomenico Bertolucci, atendi sem conseguir esconder a surpresa, e sua voz surge do outro lado com uma tranquilidade que me causa um desconforto ainda maior.
— Boa noite, Carlo, pelo que estou acompanhando, seus planos não aconteceram exatamente como esperava. — Meu coração acelera, e preciso de alguns instantes para encontrar uma resposta. — A voz é inconfundível. Conheço Domenico há tempo suficiente para reconhecê-lo imediatamente, e a constatação de que está vivo transforma minha irritação em uma preocupação que não consigo disfarçar. — Domenico? Como isso é possível? Disseram que você havia sofrido um acidente e que ninguém sabia onde estava! — Foi exatamente nisso que você quis acreditar, Carlo, Achou que eu tinha morrido na emboscada que preparou contra mim? — Pensou que bastaria me eliminar para assumir minha mansão, meus negócios e meus territórios? Sinto o sangue gelar ao ouvir suas palavras, Domenico não está apenas vivo. Ele sabe que a tentativa de assassinato foi planejada e conhece minhas intenções. — Tento organizar meus pensamentos, procurando uma maneira de responder sem admitir diretamente meu envolvimento, mas ele continua falando antes que eu consiga formular qualquer explicação. — Você cometeu um erro muito grande ao acreditar que conseguiria me eliminar e ocupar meu lugar. — Eu sobrevivi, Carlo. E agora sei exatamente o que pretende fazer com aquilo que pertence à minha família. — Domenico, você está interpretando as coisas de maneira equivocada. — Precisamos conversar antes que essa situação se transforme em algo que nenhum de nós poderá controlar. — Não tente me convencer de que houve um mal-entendido, você reuniu seus homens, ordenou uma invasão à minha propriedade e tentou assumir meus negócios enquanto acreditava que eu estava morto. — Não existe interpretação equivocada diante do que você fez. Permaneço em silêncio, porque compreendo que qualquer tentativa de negar a operação será inútil. — Domenico conhece os acontecimentos, e a maneira como fala demonstra que está acompanhando tudo. — A confiança que senti durante os preparativos desaparece completamente quando percebo que talvez tenha sido observado desde o início. — Considere-se um homem morto, Carlo afirma, com uma frieza que me faz apertar o aparelho entre os dedos. — Você achou que eu tinha morrido na emboscada que preparou? Não, sobrevivi, quem mais ajudou você nessa traição também terá de responder pelo que fez. — Antes que eu consiga reagir, a ligação termina, permaneço segurando o celular junto ao ouvido por alguns instantes, tentando compreender a dimensão do desastre que acabo de provocar. — Domenico está vivo, Logan conhecia nossos movimentos e os homens que enviei para assumir suas propriedades foram surpreendidos. Minha filha havia me alertado repetidas vezes sobre a possibilidade de tudo dar errado, mas não quis escutá-la. Alessandro se aproxima, aparentemente percebendo que alguma coisa muito grave aconteceu.— Senhor Carlo, quem estava falando com o senhor? — Domenico Bertolucci, respondo, sentindo minha voz sair mais baixa do que pretendia. — Aquele desgraçado está vivo, ele sabia de tudo, Alessandro, já sabia da invasão e da emboscada que preparei contra ele. — O homem me encara, surpreso, mas não temos tempo para continuar a conversa. — Um barulho vindo da entrada da casa interrompe nossos pensamentos, seguido por vozes que não reconheço imediatamente. — Alessandro se volta para a porta, enquanto percebo que alguma coisa está acontecendo dentro da minha própria propriedade. Poucos instantes depois, compreendo que a situação é ainda pior do que imaginava. — Homens ligados à organização dos Bertolucci entraram em minha residência, e Logan aparece acompanhado por seus subordinados. — Sua expressão é séria, e ele caminha em minha direção sem demonstrar qualquer receio, olhei para ele, tomado por uma indignação que não consegue esconder o medo que começa a se instalar em meus pensamentos. — Logan! O que significa isso? Como ousa entrar na minha casa dessa maneira? Ele não demonstra interesse em responder à minha indignação. — Aproxima-se com a tranquilidade de alguém que já conhece o resultado da operação e me encara diretamente. — Onde está sua filha, Carlo? — A pergunta me surpreendeu, pois a noite toda , estive preocupado em conquistar os territórios de Domenico, mas não imaginei que Logan apareceria em minha residência procurando por Donatela. — A lembrança de nossa discussão me faz compreender que minha filha poderá acabar envolvida nas consequências de uma decisão com a qual nunca concordou. — Donatela não sabe de nada, Logan, ela não participou do que aconteceu e não concordou com minhas decisões. — Não faça nada contra minha filha, se existe alguma coisa que precisa ser resolvida, resolva comigo. Logan mantém a expressão fechada e repete a pergunta, sem demonstrar qualquer intenção de discutir minhas justificativas. — Eu perguntei onde está sua filha, Carlo. — Olho para Alessandro, mas percebo que ele também não possui condições de interferir. —:A presença dos homens de Logan deixa claro que perdi o controle da situação dentro da minha própria casa. — Respiro profundamente e respondo, procurando impedir que Donatela seja tratada como responsável por minhas decisões. — Está no quarto dela. — Ele subiu depois que discutimos, e não saiu mais, mas estou dizendo a verdade: Donatela não participou de nada disso, ela tentou me convencer a desistir. Logan me observa durante alguns segundos e depois se dirige à escada, acompanho seus movimentos, sentindo uma preocupação que não experimentei nem mesmo quando descobri que a invasão havia fracassado. — Minha filha poderá ser prejudicada por minha ambição, e agora não tenho autoridade suficiente para impedir que os homens de Domenico se aproximem dela. — Subo atrás de Logan, mantendo certa distância, enquanto ele segue até o quarto de Donatela. — Quando chegamos, ele b**e à porta e aguarda que ela responda. — Minha filha aparece pouco depois, demonstrando surpresa ao encontrar um homem da confiança de Domenico dentro de nossa casa. — Logan? O que está acontecendo? Por que você está aqui? — Donatela, você vem comigo, ele me responde, mantendo a voz firme. — Precisamos sair daqui. Ela olha imediatamente para mim, procurando uma explicação, não consigo encontrar palavras que tornem a situação menos grave, e minha expressão parece suficiente para que compreenda que alguma coisa aconteceu. — Donatela observa Logan novamente e depois volta a me encarar, agora com uma indignação que não tenta esconder. — Pai, o que o senhor fez? Aconteceu alguma coisa com os homens que enviou para a mansão? — Permaneço em silêncio, e ela parece interpretar minha falta de resposta como uma confirmação. — Seus olhos se enchem de preocupação, mas sua voz continua firme quando volta a falar comigo. — Eu avisei ao senhor que não deveria fazer isso! Pedi que desistisse, expliquei que Domenico poderia estar vivo e que o senhor provocaria uma guerra, mas não quis me ouvir. Agora veja o que aconteceu! — Donatela, eu estava tentando garantir o futuro da nossa família, respondo, embora minhas próprias palavras me pareçam insuficientes diante do que está acontecendo. Garantir nosso futuro? O senhor acabou de colocar todos nós em perigo! Eu disse que Nicolai não concordaria, que o Pakhan poderia se voltar contra nossa família e que Domenico não aceitaria uma traição dessas. — O senhor não ouviu ninguém, pai. Estava tão preocupado em conquistar os territórios dele que não percebeu o risco que estava correndo. — Ela respira profundamente e me observa com uma tristeza que me incomoda mais do que suas acusações. — Pela primeira vez naquela noite, percebo que minha filha não está apenas contrariada com minhas decisões. — Está verdadeiramente assustada com as consequências que poderão atingir nossa família. — O senhor decretou a nossa morte, pai, o senhor foi avisado que poderia acontecer, mas o senhor preferiu acreditar que conseguiria tomar tudo o que pertencia a Domenico. Logan acompanha nossa conversa em silêncio até que Donatela termina de falar. — Então olha brevemente em minha direção e faz um comentário que me atinge como uma afronta, principalmente porque reconheço a verdade existente em suas palavras. — Pelo menos alguém sensato morava nesta casa. — Minha filha permanece diante dele, ainda tentando compreender o que acontecerá a partir daquele momento. — Eu, por minha vez, percebo que não tenho qualquer argumento capaz de modificar a situação, Domenico está vivo, meus homens não conseguiram assumir suas propriedades e Logan entrou em minha residência exigindo que Donatela o acompanhe. Durante toda a noite, imaginei que estaria dando o primeiro passo para assumir o lugar de Domenico Bertolucci. — Agora estou diante do homem que ele considera seu braço direito, dentro da minha própria casa, sem conseguir impedir que as consequências de minhas decisões alcancem minha filha. — Donatela tinha razão ao dizer que eu deveria ter esperado. Entretanto, essa constatação chega tarde demais para desfazer o que aconteceu.Sua sinceridade me surpreende. Não esperava que expressasse de maneira tão direta a limitação que sente em relação às decisões familiares. Observo seu irmão, que permanece atento, e depois volto a encará-la.— Não pretendo tratá-la mal, Palexena. Nosso casamento poderá nascer de uma aliança, mas isso não significa que precise ser uma convivência desagradável. Você terá respeito nesta casa e poderá conversar comigo sempre que alguma coisa a incomodar.— Agradeço, senhor Bertolucci. Espero que possamos construir uma convivência tranquila e que nossas famílias sejam beneficiadas pela união.— Também espero isso. E gostaria que compreendesse que não precisa concordar com tudo apenas porque seu irmão considera a proposta conveniente. Um casamento envolve duas pessoas, e sua opinião deverá ser respeitada.O Pakhan me observa com uma expressão séria, mas não demonstra oposição. Conhece minha maneira de conduzir compromissos e sabe que não costumo assumir responsabilidades sem considerar as c
DOMENICOUma semana se passa desde que decidi estabelecer uma nova aliança com a família do Pakhan russo. — Durante esse período, consigo retomar gradualmente minhas atividades, acompanhar as investigações conduzidas por Logan e reorganizar os compromissos que precisei suspender depois do atentado.— Minha recuperação evolui satisfatoriamente, e o doutor Reich finalmente permite que eu retorne à maior parte das minhas responsabilidades, desde que continue respeitando algumas limitações.—: Já não preciso permanecer isolado na suíte, e a mansão recupera sua rotina habitual, embora a segurança continue reforçada.Chelsea permanece concentrada na investigação contábil que lhe confiei, tenho recebido relatórios sobre as irregularidades encontradas nos estaleiros e sobre a organização dos documentos financeiros, mas nossas conversas continuam estritamente profissionais. —Ela trabalha com dedicação, demonstra uma capacidade extraordinária de identificar inconsistências e parece satisfeita
DOMENICOAs palavras de Logan permanecem em meus pensamentos mesmo depois que ele deixa o escritório. — Durante alguns minutos, observo os documentos espalhados sobre a mesa, mas minha atenção não está inteiramente voltada para os negócios. — Meu braço direito acredita que Chelsea poderia ocupar um lugar diferente em minha vida, talvez até se tornar a mulher que permaneceria ao meu lado. — Entretanto, ele parece esquecer uma questão fundamental: não sou apenas um empresário que pode escolher uma companheira considerando exclusivamente os próprios sentimentos. — Sou Domenico Bertolucci, chefe de uma organização que depende de alianças, compromissos e relações de poder para preservar sua posição.Chelsea é uma mulher admirável, disso não tenho dúvidas, salvou minha vida quando sequer sabia quem eu era, demonstrou uma honestidade rara e possui uma inteligência que muitos dos meus homens não conseguem acompanhar. — Entretanto, nada disso modifica a realidade que preciso enfrentar, e
Logan faz um movimento afirmativo com a cabeça, demonstrando compreender a importância daquela decisão.— Isso também ajudará a estabelecer sua autoridade diante dos funcionários. — Se souberem que ela responde diretamente ao senhor, terão menos espaço para tentar impedir seu acesso aos documentos.— Exatamente, não quero que Chelsea enfrente os mesmos obstáculos que encontrou na empresa de George. — Ela terá liberdade para examinar os registros necessários e deverá ser tratada com respeito por todos, se alguém questionar sua presença ou tentar dificultar seu trabalho, quero ser informado imediatamente.— Assim será feito, Domenico.Permaneço alguns instantes refletindo sobre a maneira como Chelsea reagirá quando souber que passará a participar de reuniões importantes. Imagino que inicialmente fique surpresa, talvez até preocupada, mas considero necessário que compreenda a confiança que deposito em sua capacidade profissional.Logan continua me observando com aquele sorriso discreto
Ela se despede de George, agradece novamente pela decisão de regularizar os valores relacionados à sua demissão e recolhe os documentos que havia deixado sobre uma das mesas. — Observo sua postura discreta enquanto se prepara para retornar ao trabalho, e percebo que, apesar de todas as dificuldades que enfrentou, continua demonstrando preocupação com pessoas que estão passando por situações dolorosas.— George aperta minha mão com cuidado antes de se despedir. Sei que percebeu meus movimentos mais lentos e que procura evitar qualquer gesto que possa provocar desconforto nos ferimentos.— Cuide-se, Domenico, amanhã estarei esperando por você na empresa. E obrigado novamente por tudo o que fez hoje.— Estarei lá, George, apenas mantenha a discrição até nossa chegada. —Não quero que Sofia ou seu contador descubram antecipadamente o que estamos investigando.— Pode confiar. Vou providenciar a reunião e cuidar pessoalmente da segurança de Felipe.Acompanho sua saída e aguardo até que Log
George balança a cabeça, demonstrando que não concorda com sua conclusão.— Tenho, sim, Chelsea. Não apenas como empresário, mas como responsável por uma empresa que permitiu que você fosse afastada injustamente. Por isso tomei uma decisão. Quero que receba os salários correspondentes ao período em que ficou desempregada por causa dessa situação, com os acréscimos devidos. Vamos providenciar os cálculos e regularizar aquilo que lhe foi negado.Chelsea arregala os olhos, visivelmente surpresa com a proposta.— Não, senhor George. Não precisa fazer isso. Eu não trabalhei durante esse período e não quero receber dinheiro como se estivesse pedindo uma esmola.— Não estou oferecendo uma esmola, Chelsea. Estou reconhecendo que você foi prejudicada por uma decisão tomada dentro da minha empresa. Se a investigação confirmar o que os documentos indicam, teremos de corrigir essa injustiça. E quero começar reconhecendo o prejuízo que sofreu.Ela permanece em silêncio por alguns instantes, aparen







