ログインRespiro profundamente e me lembro de um assunto que Sofia vem insistindo em discutir comigo nas últimas semanas.
— Até então, interpretei suas solicitações como uma tentativa de participar mais ativamente da administração, mas agora percebo que talvez houvesse outro interesse por trás de sua insistência. — Existe, sim, Sofia vem pedindo que eu assine uma procuração concedendo a ela poderes para representar meus interesses em determinadas operações da holding. — Disse que isso facilitaria a administração durante minhas viagens e evitaria que eu precisasse autorizar pessoalmente cada movimentação. — Eu ainda não assinei nada, porque queria analisar melhor o documento. Domenico ergue discretamente as sobrancelhas, demonstrando que compreendeu imediatamente a gravidade daquela informação. — Então ela pretendia obter poderes para movimentar recursos e tomar decisões em seu nome? — Exatamente, e agora compreendo por que estava tão interessada nessa procuração. — Se já conseguia desviar dinheiro sem possuir autorização formal para determinadas operações, imagine o que poderia fazer depois que eu assinasse um documento concedendo poderes ainda maiores. — Foi prudente não assinar, George. Uma procuração dessa natureza poderia ampliar consideravelmente o acesso dela aos negócios. Precisaremos examinar a minuta que Sofia apresentou e verificar quais poderes pretendia receber. Concordo, sentindo uma mistura de indignação e alívio por não ter atendido aos pedidos insistentes de minha esposa. Durante algum tempo, cheguei a considerar que estava sendo excessivamente cauteloso, mas agora percebo que minha desconfiança pode ter impedido prejuízos ainda maiores. Entretanto, os desvios financeiros deixam de ocupar o centro dos meus pensamentos quando me lembro novamente de Felipe. Meu filho ainda é pequeno e nem sempre consegue explicar claramente o que sente. Nos últimos meses, percebi que não demonstrava entusiasmo quando Sofia se aproximava. Algumas vezes, afastava-se discretamente ou procurava permanecer ao meu lado quando ela entrava no ambiente. Interpretei aquele comportamento como parte das dificuldades naturais de uma criança que perdeu a mãe e precisa se adaptar à presença de outra mulher em casa. Agora começo a considerar uma possibilidade que me causa profunda tristeza. — Chelsea, preciso perguntar uma coisa sobre Felipe. Você disse que presenciou situações em que Sofia o tratou mal. O que exatamente percebeu? Ela se ajeita na cadeira antes de responder, demonstrando cuidado para não apresentar como certeza aquilo que não conseguiu comprovar. — Senhor George, algumas vezes vi Sofia repreendendo Felipe com uma severidade que me pareceu desnecessária. Ela demonstrava impaciência quando ele procurava sua atenção e nem sempre o tratava com o carinho que uma criança pequena precisa receber. Não sei o que acontece dentro da sua casa, mas fiquei preocupada porque percebi que ele não parecia confortável perto dela. Fecho os olhos por um instante, recordando ocasiões em que Felipe preferiu ficar comigo a acompanhar Sofia. Meu filho nunca demonstrou grande proximidade com ela, e eu sempre procurei respeitar seu tempo, acreditando que a convivência acabaria aproximando os dois. Entretanto, se Chelsea estiver certa, talvez o menino estivesse tentando demonstrar algo que eu não consegui compreender. — Eu já havia percebido que Felipe não gostava muito dela — admito, sentindo um aperto no peito. — Ele raramente a procura espontaneamente e costuma se afastar quando ela tenta assumir determinados cuidados. Pensei que fosse uma dificuldade de adaptação, porque ainda sente muita falta da mãe. Agora começo a entender por que talvez nunca tenha conseguido se aproximar. — O senhor precisa conversar com as pessoas que convivem com ele, senhor George — recomenda Chelsea. — Não quero acusar Sofia de situações que não presenciei, mas acredito que seja importante observar como Felipe se comporta e garantir que esteja cercado de pessoas em quem confia. Concordo imediatamente. Independentemente do resultado da investigação financeira, não permitirei que meu filho permaneça em uma situação na qual possa se sentir inseguro. Felipe já enfrentou uma perda que nenhuma criança deveria experimentar tão cedo, e não merece sofrer novamente por causa das decisões equivocadas de seu pai. Volto minha atenção para Domenico, decidido a esclarecer minha posição. — Você pode realizar a entrevista que considerar necessária, Domenico. Conheço sua verdadeira posição dentro da organização e sei que possui negócios que vão muito além das empresas legítimas das quais somos sócios. Nunca interferi em suas atividades, porque nossa parceria sempre foi baseada em compromissos comerciais claros. Entretanto, agora estamos falando de uma fraude que atinge minha empresa, meus funcionários e a segurança da minha família. Domenico permanece atento enquanto continuo. — Não vou proteger Sofia simplesmente porque somos casados. Se ela está desviando dinheiro, deverá responder pelo que fez. Quero que todas as informações sejam reunidas e encaminhadas às autoridades competentes. Quanto às perguntas que você pretende fazer, não tenho qualquer interesse em impedir que ela seja confrontada com os documentos. — É exatamente isso que pretendo, George. Quero esclarecer a origem das movimentações e descobrir quem mais está envolvido. Depois, os responsáveis terão de responder pelas irregularidades comprovadas. — Então estamos de acordo. E agradeço por ter me chamado antes que os prejuízos se tornassem ainda maiores. Se Chelsea não tivesse conseguido entregar essa pasta a você, talvez eu continuasse procurando explicações dentro da própria empresa, sem perceber que estava confiando nas pessoas erradas. Meu amigo faz um movimento afirmativo com a cabeça, demonstrando que compreendeu minha decisão. Aproveito o momento para observá-lo com mais atenção. Apesar do terno impecável e da postura habitual, percebo que seus movimentos estão um pouco mais lentos do que de costume. Lembro-me do relato de Chelsea sobre o atentado e sinto uma preocupação que não consigo ignorar. — E, por falar nisso, Domenico, como você está? Chelsea contou que precisou retirá-lo de um carro depois de uma perseguição. Não imagino que tenha saído de uma situação dessas sem ferimentos. Ele se acomoda melhor na cadeira e responde com a tranquilidade de quem não pretende transformar sua recuperação em assunto principal da reunião. — Estou me recuperando, George. Ainda preciso de alguns cuidados, mas estou bem. O importante era que você soubesse o que está acontecendo na MacGregor Corporation antes que outras movimentações fossem realizadas. — Mesmo assim, deveria estar descansando. Não precisava ter organizado uma reunião tão cedo depois de tudo o que aconteceu. — Não se preocupe comigo. Tenho pessoas competentes cuidando dos assuntos que exigem minha atenção. E, agora que conversamos, preciso resolver outra questão. Há alguém aguardando uma entrevista que não posso adiar.Logan faz um movimento afirmativo com a cabeça, demonstrando compreender a importância daquela decisão.— Isso também ajudará a estabelecer sua autoridade diante dos funcionários. — Se souberem que ela responde diretamente ao senhor, terão menos espaço para tentar impedir seu acesso aos documentos.— Exatamente, não quero que Chelsea enfrente os mesmos obstáculos que encontrou na empresa de George. — Ela terá liberdade para examinar os registros necessários e deverá ser tratada com respeito por todos, se alguém questionar sua presença ou tentar dificultar seu trabalho, quero ser informado imediatamente.— Assim será feito, Domenico.Permaneço alguns instantes refletindo sobre a maneira como Chelsea reagirá quando souber que passará a participar de reuniões importantes. Imagino que inicialmente fique surpresa, talvez até preocupada, mas considero necessário que compreenda a confiança que deposito em sua capacidade profissional.Logan continua me observando com aquele sorriso discreto
Ela se despede de George, agradece novamente pela decisão de regularizar os valores relacionados à sua demissão e recolhe os documentos que havia deixado sobre uma das mesas. — Observo sua postura discreta enquanto se prepara para retornar ao trabalho, e percebo que, apesar de todas as dificuldades que enfrentou, continua demonstrando preocupação com pessoas que estão passando por situações dolorosas.— George aperta minha mão com cuidado antes de se despedir. Sei que percebeu meus movimentos mais lentos e que procura evitar qualquer gesto que possa provocar desconforto nos ferimentos.— Cuide-se, Domenico, amanhã estarei esperando por você na empresa. E obrigado novamente por tudo o que fez hoje.— Estarei lá, George, apenas mantenha a discrição até nossa chegada. —Não quero que Sofia ou seu contador descubram antecipadamente o que estamos investigando.— Pode confiar. Vou providenciar a reunião e cuidar pessoalmente da segurança de Felipe.Acompanho sua saída e aguardo até que Log
George balança a cabeça, demonstrando que não concorda com sua conclusão.— Tenho, sim, Chelsea. Não apenas como empresário, mas como responsável por uma empresa que permitiu que você fosse afastada injustamente. Por isso tomei uma decisão. Quero que receba os salários correspondentes ao período em que ficou desempregada por causa dessa situação, com os acréscimos devidos. Vamos providenciar os cálculos e regularizar aquilo que lhe foi negado.Chelsea arregala os olhos, visivelmente surpresa com a proposta.— Não, senhor George. Não precisa fazer isso. Eu não trabalhei durante esse período e não quero receber dinheiro como se estivesse pedindo uma esmola.— Não estou oferecendo uma esmola, Chelsea. Estou reconhecendo que você foi prejudicada por uma decisão tomada dentro da minha empresa. Se a investigação confirmar o que os documentos indicam, teremos de corrigir essa injustiça. E quero começar reconhecendo o prejuízo que sofreu.Ela permanece em silêncio por alguns instantes, aparen
Meu amigo respira profundamente, demonstrando que compreendeu a gravidade das minhas recomendações. — Conheço George há muitos anos e sei que sua principal fraqueza sempre foi confiar nas pessoas que considera parte de sua família. — Depois da morte da primeira esposa, ele procurou reconstruir a vida e acreditou que Sofia poderia oferecer ao filho o carinho materno que tanto desejava.— Farei isso, meu amigo, e agradeço por me alertar, quando decidi me casar novamente, pensei principalmente em Felipe. — Achei que meu filho precisava de uma mãe e que Sofia poderia ocupar esse lugar em nossa família. — Agora começo a perceber que talvez tenha colocado uma serpente dentro da minha própria casa.— Você procurou oferecer estabilidade ao menino, George.— Entretanto, não adianta manter um casamento apenas para preservar a aparência de uma família. Felipe precisa de segurança, carinho e pessoas que realmente se preocupem com ele.— Uma mulher não se torna mãe simplesmente porque se casa
DOMENICOO almoço transcorre tranquilamente, apesar dos assuntos desagradáveis que discutimos durante a manhã. — George parece mais sereno depois de examinar os documentos apresentados por Chelsea, embora eu conheça meu amigo o suficiente para perceber que está preocupado com a situação de Felipe e com as irregularidades descobertas na MacGregor Corporation. — Chelsea almoça conosco, mantendo sua habitual discrição, participando apenas quando alguém lhe dirige a palavra. — Observo que ela se preocupa em não interromper nossas conversas, mesmo quando discutimos questões sobre as quais poderia contribuir com seus conhecimentos. — Essa postura me chama a atenção, principalmente porque já tive a oportunidade de conhecer sua inteligência e a segurança com que analisa assuntos profissionais.Estamos terminando a refeição quando George volta a falar sobre minha recuperação. — Ele me observa enquanto deposito os talheres sobre o prato e demonstra uma preocupação que considero natural dep
Observo sua expressão e compreendo que provavelmente está se referindo a uma das pessoas envolvidas nos acontecimentos da noite anterior. Não faço perguntas, porque sei que Domenico possui responsabilidades que prefere resolver pessoalmente e que nem sempre dizem respeito aos nossos negócios em comum.— Nesse caso, não quero atrapalhar sua agenda. Já tomei bastante do seu tempo.Ele sorri discretamente e faz um gesto para que eu permaneça sentado.— Você não atrapalhou nada, George. Esta não foi uma entrevista. Foi uma visita entre amigos, ainda que tenhamos tratado de assuntos desagradáveis. E, já que está aqui, gostaria de convidá-lo para almoçar conosco.Olho para o relógio e percebo que realmente passamos bastante tempo examinando os documentos. Não tenho compromissos imediatos que me impeçam de aceitar o convite, e considero importante aproveitar a oportunidade para conversar com Domenico em um ambiente menos formal.— Aceito, sim. Depois de tudo o que descobri nesta manhã, acred







