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Capítulo 9

Author: Xênia
A melodia do piano ecoava em meus ouvidos, fazendo a saudade e o amor quase me sufocarem por completo.

Eu me deixei envolver pela música de Samuel.

Uma tristeza profunda atingiu diretamente meu coração. Às vezes, o sol aparecia, mas logo a garoa voltava a cair, como se cada segundo das minhas lembranças estivesse envolto numa garoa sem fim.

Na época chuvosa, a chuva era fria e úmida.

Eu não sabia que nome dar àquela música.

Samuel me olhou com uma expressão pesada. Havia em seus olhos emoções r
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    A melodia do piano ecoava em meus ouvidos, fazendo a saudade e o amor quase me sufocarem por completo.Eu me deixei envolver pela música de Samuel. Uma tristeza profunda atingiu diretamente meu coração. Às vezes, o sol aparecia, mas logo a garoa voltava a cair, como se cada segundo das minhas lembranças estivesse envolto numa garoa sem fim.Na época chuvosa, a chuva era fria e úmida.Eu não sabia que nome dar àquela música.Samuel me olhou com uma expressão pesada. Havia em seus olhos emoções reprimidas que eu não conseguia compreender. — Durante os três anos em que você esteve longe, toquei essa música inúmeras vezes. — Com a voz rouca, disse.— Ainda assim, você já deveria ter esquecido. — Olhei diretamente para ele, sem fugir do calor em seus olhos, e respondi calmamente.A luz em seus olhos foi se apagando aos poucos. Seus olhos ficaram gradualmente vermelhos, e seus lábios tremeram.— Me perdoe...— Minha mão direita está curada. Você pode voltar para casa.Samuel abaixou a cabe

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    Ele ficou parado no mesmo lugar por um longo tempo, sem dizer uma palavra.Passei por ele.À noite, voltou a chover.Lúria tinha muitos dias chuvosos e nublados.Pensei que Samuel provavelmente odiaria aquele lugar e que não demoraria muito para desaparecer da minha vida.No primeiro ano em que ficamos juntos, descobri que ele detestava dias chuvosos. Sempre que chovia, ele ficava pálido e me abraçava com força.Naquela época, ele sempre perguntava:— Bia, você vai estar ao meu lado em todos os dias de chuva?— Sim. Ficarei ao seu lado em todos os dias de chuva. — Eu respondia.— Então jure. — Ele dizia, feito uma criança.— Eu juro que vou ficar ao lado de Samuel e acompanhá-lo em todos os dias de chuva.— Então eu também juro que, nesta vida, só vou amar a Beatriz. — Ele sorria feliz, e seu rosto recuperava a cor.Alguns anos se passaram, e tudo havia mudado.Na manhã seguinte, assim que desci, encontrei Samuel encolhido sob o alpendre, de olhos fechados. Estava completamente encharc

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    — A Bia se mudou. — Os olhos de Samuel escureceram.— O quê?! Ela não nos contou nada. Será que a Beatriz ainda está chateada conosco por não termos acreditado nela antes? — Enquanto falava, minha mãe começou a chorar. — A culpa é toda nossa... — Meu pai apertou os lábios e soltou um suspiro pesado.Samuel ouviu a melodia de piano em seus fones de ouvido e, atordoado, ficou olhando para o mundo que aos poucos se tornava indistinto sob a chuva.— A chuva sempre volta... A chuva sempre volta... Beatriz... — Como se sua alma tivesse deixado seu corpo, ele murmurava.Aquela chuva acabaria por dissolver todas as lembranças do passado.Em outro país, em outro tempo, a mesma chuva voltava a cair.Depois que desembarquei do avião, o ar úmido veio de encontro ao meu rosto.Depois de me instalar, continuei minha carreira em Lúria. Embora minha mão direita já não pudesse mais tocar piano, minha mão esquerda continuava a tocar, sobre as teclas pretas e brancas, aquilo que eu amava.Três anos depo

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