Início / Romance / A Dama de Companhia / Capítulo 105 - A princesa de Noriah é uma pervertida

Compartilhar

Capítulo 105 - A princesa de Noriah é uma pervertida

last update Data de publicação: 2021-06-28 06:45:52

Voltei para o escritório à tarde e seguimos com o plano do encontro rebelde. Magnus estava mais decidido do que nunca a destronar a própria mãe, ofendido com a forma como ela me tratou. Eu ainda não me sentia muito bem. Um pouco de tontura e não conseguia prestar atenção ao que eles falavam. E se ela tivesse razão e eu estivesse grávida? Eu e Magnus nunca falamos sobre ter um filho. E nem me passava pela cabeça esta possibilidade. No entanto eu nunca tomei anticoncepcional. E Magnus nunca usou preservativo. Se não fosse o fato de eu estar menstruando normalmente, acharia que a possibilidade de eu estar grávida era de oitenta por cento. Se continuasse assim no dia seguinte visitaria a enfermaria e pediria alguns exames de sangue. Talvez algo não estivesse bem comigo.

Comi uma fruta à tarde. Não senti vontade de comer os doces que foram trazidos. À noite Magnus quis jantar no quarto e eu não toquei na comida. Ele me olhou e disse:

- É greve de fome ou você ainda não se sente bem?

- Sem fome...

- Sorvete? – ele perguntou.

- Não... Mas eu aceitaria um leite quente com bastante açúcar.

Ele ligou para a cozinha e em pouco tempo chegou uma bandeja com meu leite. Tomei e estava bom, mas em nada parecia o leite quente da minha mãe. Quando devolvi o copo vazio na mesa ele disse:

- Acho que você só quer ver Laura Lee...

- Sim... Amanhã vou lá. Só ela sabe fazer meu leite. – observei rindo.

- Podemos pedir para ela dar a receita tal e qual...

- Magnus, não existe receita de leite com açúcar. – eu ri.

- Mas podemos tentar...

Ele colocou a mão sobre a minha e disse:

- E se você estiver grávida?

- Minha menstruação não está atrasada. Realmente acho que não estou.

Ele me fitou e disse:

- Nunca pensamos nisso, não é?

- No que? – perguntei.

- Sobre termos um filho.

- Sim... Por isso fiquei surpresa quando sua mãe falou, mais com o que ela disse do que com a forma como ela me disse... Eu não esperava que ela fosse gentil comigo... Ela nunca foi.

- Eu vou gostar de ter um filho com você.

Eu sorri:

- Sim, eu também... Mas... Não me sinto preparada para ser mãe neste momento.

- E existe uma preparação?

- Eu acho que sim... Amanhã vou consultar o médico e passarei a tomar anticoncepcional.

- Se você acha que é melhor assim, tudo bem.

Naquela noite dormimos abraçados, como sempre fazíamos. Mas aos poucos ficávamos cada vez mais íntimos. Conhecíamos não só os nossos corpos, mas os pensamentos um do outro. O sexo quase nunca acontecia à noite. Gostávamos dos momentos menos óbvios ou em lugares nada previsíveis.

Na manhã seguinte Magnus foi para o banho e eu não senti fome. Mas fingi que consegui comer para não preocupá-lo. O enjoo estava cada vez mais forte. Ele pediu que nosso café fosse trazido no quarto.

Fomos juntos para o escritório e os últimos a chegar. Comecei a mexer nas minhas coisas e dei uma desculpa qualquer, indo diretamente para a enfermaria. Quando cheguei, Louise me olhou e logo curvou-se:

- Alteza.

Eu a abracei:

- Olá, Louise.

- Alteza... Aconteceu alguma coisa?

- Eu... Não tenho me sentido muito bem... Será que eu poderia consultar com o médico?

- Claro, vou passá-la na sala dele.

Quando entrei, o doutor curvou-se também, me cumprimentando:

- Bom dia, Alteza.

- Bom dia, Doutor.

Eu ainda não estava muito acostumada com tudo aquilo. Expliquei a ele tudo que eu estava sentindo e ele pediu para a enfermeira coletar sangue. Meus batimentos estavam bons e a pressão arterial também, bem como a glicose.

- Você sabe que o fato de estar menstruando não significa que pode não estar grávida, não é mesmo? – ele perguntou.

Olhei-o surpresa:

- Não? Então quer dizer que eu posso estar?

- Sim. – ele disse. – Vamos aguardar que logo e exame ficará pronto. Se preferir pode fazer algo que precise e depois retornar para pegar o resultado.

- Eu prefiro esperar aqui. – eu disse. – Não quero preocupar Magnus até ter certeza do que realmente está acontecendo.

- Não se preocupe, Alteza. Creio que não seja nada grave. Mas tenho minhas suspeitas...

Eu tive um pouco de medo.

- Posso esperar na enfermaria? – perguntei.

- Claro, fique à vontade, Alteza.

Eu fui para enfermaria e sentei na maca. Não sabia quanto tempo exatamente teria que esperar. Lá estava eu novamente, na enfermaria. Eu ri. Pelo menos desta vez não tinha desmaiado. Fui antes disso acontecer. Deitei na cama e senti tanto sono. Olhei no relógio e já era quase 10 horas. Eu havia acordado há pouco e já estava com sono. Sem nada para fazer, acabei adormecendo ali, na enfermaria do castelo.

Senti uma mão balançando meu braço levemente:

- Alteza?

Abri os olhos e vi Louise. Levantei e disse:

- Eu... Não acredito que dormi aqui.

Ela riu:

- Não tem problema. Os exames estão prontos e por isso eu a acordei. Aqui não é nada confortável. Acho que pode ver o resultado e ir dormir no seu quarto.

- Imagine... Eu ainda tenho que trabalhar. – olhei no relógio. – Quase meio dia... Magnus deve estar me procurando.

- Bem, se vossa Alteza não avisar, creio que ele não virá procurá-la na enfermaria.

- Vou ver o médio rapidamente. – falei levantando e entrando no consultório.

- Alteza... Resultados em mãos. – ele disse levantando os papéis.

- E então, doutor? O que eu tenho? – perguntei quase com cara de “quanto tempo de vida eu tenho”?

- Noriah receberá um novo herdeiro. – ele disse sorrindo.

Parece que a terra se abriu e eu caí dentro dela. Era essa a sensação que eu tinha. Eu sabia que poderia estar grávida, mas eu realmente não queria acreditar que poderia ser.

- Eu... E Magnus... Vamos ter um filho? Isso? – perguntei para confirmar.

Ele me entregou o exame que eu olhei. Sim, estava escrito “positivo”. Passou-me pela cabeça milhões de pensamentos em segundos. E a única coisa que eu disse foi:

- Doutor, será que pode manter segredo? Eu gostaria de dar a notícia a Magnus.

- Claro, Alteza. Sei ser discreto, não se preocupe. Aqui ninguém tem olhos nem ouvidos a não ser que sejamos mandados.

- Sei bem como é. – eu disse piscando. – Obrigada, doutor.

Quando saí, perguntei para Louise:

- Você sabe sobre meu exame?

- Sim. – ela admitiu. – Parabéns. Estou feliz por vocês.

- Poderia não contar a ninguém?

- Claro, Alteza.

- Obrigada.

Cheguei até a nova sala do almoço e todos estavam sentados, exceto Magnus.

- Onde ele está? – perguntei.

- Atrás de você.

Olhei-os ironicamente:

- Em qual parte deste castelo enorme exatamente eu posso encontrar meu marido?

- Não temos ideia. – disse Dereck.

- Ok, então, faça o favor, Dereck. Diga a Magnus para me encontrar no corredor onde nos conhecemos.

- Como assim? – ele perguntou confuso.

- Só faça isso... Por favor. – eu pedi saindo.

- Kat, você não vai comer? – perguntou Kim.

- Não estou com fome.

Dirigi-me ao andar térreo. Demorei a chegar lá. Era só um corredor, sem nada a não ser as enormes paredes de vidro que davam para os jardins. Magnus estava demorando. Eu sentei no chão, contemplando a luz do sol. Nosso amor havia sendo abençoado com um filho. Eu não sabia se estava preparada para ser mãe, mas faria o possível para ser perfeita. Quando vi Magnus vindo pelo corredor, levantei. Ele me olhou confuso e andou mais rápido quando me viu ali, parada. Ele chegou perto de mim e disse:

- Você desapareceu, Katrina. Onde estava? O que houve? Está tudo bem? Por que quis me encontrar aqui?

- Só queria testar se você sabia o lugar aonde nos vimos pela primeira vez. – brinquei.

Ele riu:

- Acha mesmo que eu esqueceria? Nem que eu quisesse...

- Eu tenho uma surpresa para você. – eu disse. – Espero que goste.

Ele me olhou maliciosamente e disse:

- Preciso tirar minha roupa?

- Não, seu bobo. – eu ri e lhe entreguei o envelope.

Ele abriu curioso e confuso. Leu e me olhou de uma forma tão terna e apaixonada que eu acho que ainda não tinha visto aquela forma de olhar dele.

- Isso... É verdade?

- Sim... Por mais absurdo e louco que seja, é verdade. – eu disse.

- Katrina Lee me dará um filho?

- Ou uma filha. – eu ri.

Ele me abraçou com força, me trazendo para cima para que pudesse fitá-lo nos olhos:

- Acredita se eu disser que estou conseguindo amar você ainda mais? E eu achei que era impossível amar você mais do que eu já amava.

- Nós vamos ter um bebê, Alteza. – eu falei emocionada.

- Não me chame assim... Isso me deixa louco.

Ele me beijou apaixonadamente. Apoiou-me na parede e não sei por quanto tempo nossas bocas e nossas línguas ficaram presas uma a outra, como se precisássemos daquilo para sobreviver. Quando senti sua ereção de encontro a mim, abri sua cinta e desabotoei sua calça, colocando minha mão nele, que estava cheio de desejo. Magnus se afastou:

- Podemos fazer isso? Digo, pelo bebê...

- Eu não sei... Acho que vou perguntar para o médico antes.

- Melhor... – ele disse respirando fundo e fechando a calça.

- Acho melhor você perguntar... Como vou me sentir perguntando isso? O doutor vai achar que sou uma pervertida.

- Mal ele sabe a princesa de Noriah é realmente uma pervertida. – ele disse rindo.

Vi um criado passando pelo jardim. Ele curvou-se para mim e eu acenei gentilmente:

- Olha do que nos livramos. – falei rindo.

- Amanhã seria a notícia da semana: o príncipe Magnus e a princesa Katrina estavam transando no corredor.

- Acho que eles sabem que isso acontece em alguns lugares inusitados.

- Não num corredor de vidro, não é mesmo?

- Sim... Precisamos ser mais discretos. – eu observei.

Ele me deu a mão:

- Vamos?

- Quem diria que quando eu esbarrei em você pela primeira vez neste lugar, tudo isso iria acontecer.

- Eu sabia...

- Seu bobo... Como você poderia saber?

- Eu não sabia que teríamos um bebê... Mas sabia que você seria a minha perdição.

- Eu... Estou feliz. – falei. – Mesmo sendo assim... Sem planejarmos.

- Eu também... Imensamente feliz. – ele disse me olhando. – Obrigada por sempre me surpreender.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • A Dama de Companhia   EPÍLOGO (Katnus)

    Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,

  • A Dama de Companhia   Para sempre realeza

    Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N

  • A Dama de Companhia   Capítulo 114 - Dois príncipes

    O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-

  • A Dama de Companhia   Capítulo 113 - Por que não atirou em mim?

    - Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p

  • A Dama de Companhia   Capítulo 112 - Invasão ao castelo

    Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati

  • A Dama de Companhia   Capítulo 111 - Black e Katee

    As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status