FAZER LOGINMagnus olhou nos meus olhos e não disse nada. Pegou-me pela mão e me conduziu por entre a multidão até uma pequena porta de vidro. Passamos por ela e uma escada estreita de pedras nos levou a um gramado dourado iluminado pela luz da lua cheia. A noite estava agradável, mas não muito quente, pois o verão estava chegando ao fim, já trazendo uma brisa fresca de outono. Seguimos até um portão gradeado branco aonde chegamos a um enorme jardim. Ele me conduziu pela espécie de labirinto verde e natural até chegarmos ao centro, com lindos pinheiros e pequenos bancos brancos.
- Como... Eu não conhecia este lugar?
- Por que só a realeza tem acesso.
- É aqui... Que você vinha com ela? – perguntei curiosa.
Ele riu alto:
- Claro que não... Eu nunca trouxe ninguém aqui. Como eu disse, é só para a realeza.
- Mas eu não sou a realeza.
Magnus ajoelhou-se aos meus pés e tirou do bolso um anel:
- Quer fazer parte da realeza de Noriah, Katrina Lee?
Eu fiquei sem palavras. Do que ele estava falando? Eu imaginava, mas não tinha certeza... Ele estaria...
- Quer casar comigo, Katrina?
Eu queria falar, mas as palavras morriam nos meus lábios. Eu tirei a máscara. Ele levantou e tirou sua máscara também, limpando a lágrima teimosa e emocionada que escorreu pelo meu rosto.
- Este anel pertenceu à família do meu pai. É herança do Reino da Nova Ordem de Zenus, extinto há alguns anos. Ele não deu para minha mãe... Guardou a vida toda para dar à escolhida de um dos seus filhos... Ele queria que este anel fosse dado por amor.
- Você está me dizendo que o rei Alfred sabe disto?
- Sim...
- Magnus... – eu não sabia o que dizer... Meu coração parecia querer saltar para fora do meu peito.
- Diga que aceita ser minha esposa, Katrina...
- É claro que aceito...
- Para sempre... – ele disse me mostrando o anel.
O anel era enorme e tinha o brasão do reino da Nova Ordem de Zenus. O leão tinha nos olhos duas pedras que brilhavam.
- A parte de dentro eu mandei escrever...
Consegui ler dentro do anel, com a letra de Magnus, escrita no ouro: “Para sempre”.
- Magnus, eu amo você. – repeti sem medo, sem insegurança, com todo o sentimento que eu tinha dentro de mim.
- Amo você, Katrina Lee... E vou amá-la para sempre.
Antes que ele pudesse colocar o anel no meu dedo, eu o beijei com todo o amor e o desejo que eu sentia dentro de mim. Parecia que minha boca foi feita para beijar a dele. Magnus me levantou nos braços, para que eu pudesse ficar na altura dele. Quando o olhei comecei a rir, pois todo meu batom estava na boca dele.
- O que foi?
- Eu sempre quis ver você marcado com o meu batom... – confessei.
- Você e seus fetiches...
- Você fica bem de batom, Alteza.
- Se você diz, acredito. Acho que podemos deixar marcas em outras partes... O que acha?
- Eu gostaria muito desta experiência, Alteza.
- Não antes de aceitar o anel.
Eu dei minha mão a ele, que se ajoelhou novamente e colocou o anel no meu dedo anular.
- Magnus, Black, ou como quer que você queira ser chamado... Eu sou a mulher mais feliz do mundo.
- E eu serei eternamente grato pela sua hipoglicemia, que fez com que você caísse nos meus braços naquele dia.
Eu ri envergonhada, lembrando de tudo que havia acontecido.
- Eu me apaixonei no momento em que a vi desmaiada nos meus braços, achando que você estava morta... Eu sabia que era você a mulher da minha vida... E achei que havia perdido você no dia em que a conheci.
- Seria trágico...
- Ainda pode ser... – ele disse suspirando. – Mas eu vou pagar o preço pelo meu amor.
Eu o abracei com força. Eu sabia exatamente do que ele estava falando.
Ouvimos um barulho vindo de trás dos arbustos e nos afastamos.
- Será... Que fomos seguidos? – perguntei preocupada.
- Ninguém sabe deste lugar... Como eu falei, ele é só para a realeza.
- Mas... Você também ouviu o que eu ouvi?
- Sim...
- Magnus, acho melhor entrarmos. – falei com um pouco de medo.
- Vamos.
Colocamos nossas máscaras e voltamos para o baile. O burburinho era sobre Magnus que não aparecia. O príncipe sempre fora muito responsável e sério e ninguém acreditava que ele poderia não aparecer na própria festa. Enquanto isso a rainha havia proibido qualquer pessoa da imprensa de se aproximar dela. Em pouco tempo Kim e Dereck nos encontraram e eu esqueci do medo que eu sentia por tudo que estava acontecendo e como a rainha reagiria.
O momento era péssimo, mas eu precisava usar o toalete.
- Não quero que vá sozinha. – disse Magnus.
- Eu vou com ela. – falou Dereck. – É melhor você não passar muito perto da rainha.
Dereck abriu espaço entre a multidão e estávamos indo em direção ao toalete quando ele disse:
- Kat... Eu acho que vi Dom.
Meu coração deu um salto dentro de mim:
- Dom? O que Dom faria aqui? Ele não teria acesso ao baile... Ou teria? – perguntei confusa.
- Eu não duvido de nada vindo de Dom... Eu vou tentar achá-lo e me certificar se é ele ou não.
Dereck me deixou e antes que eu pudesse chegar ao toalete vi a rainha na minha frente. Ela era a única que não usava máscara naquele momento. E nem precisava. Todos sabiam que a rainha era a rainha. Ela usava um vestido longo vermelho, chamativo e imitando uma rainha medieval. A coroa quase caía de sua cabeça, de tão grande e imponente que era. Ainda assim ela fez questão de usar e mostrar sua força e poder. Meu corpo tremeu de medo, mesmo sabendo que ela não me reconheceria.
Tentei seguir meu caminho, mas ela segurou meu braço, me forçando a olhá-la:
- Eu disse para você não se aproximar do príncipe. Agora arcará com as consequências. Pagará com sua própria vida.
- Eu... Não sei do que você está falando, Majestade. – falei fingindo não ser eu mesma. Mas era nítido que ela sabia que eu era Katrina Lee.
Antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa para me defender, ela saiu. Olhei para o meu pulso e vi a marca vermelha que ela deixou em mim, tamanha força que me segurou. Eu desisti de ir ao toalete. Logo Dereck me encontrou.
- Era ele? – perguntei.
- Acho que não... Uma máscara parecida com a que ele usa nas reuniões, creio eu. Já foi ao toalete?
- Sim... Eu menti.
Logo voltamos ao encontro de Black e Kim. Quando Magnus pegou minhas mãos ele disse:
- Você está gelada... Aconteceu algo?
- Eu... Acho que sua mãe pode ter me reconhecido. – eu confessei.
- Katrina, fique tranquila. Está tudo bem. Minha mãe não reconheceu você.
Logo a rainha se retirou. Vitória estava com sua família, confusa e triste. Por um momento eu tive pena dela. Talvez Magnus devesse ter dito a verdade: que não gostava dela, que era uma mulher fútil, orgulhosa e soberba. Mas acho que assim ela sofreria mais. Ser abandonada na frente da imprensa mundial seria o fim da família Grimaldo. Mas eu não precisava me preocupar com aquilo. Eu só tinha que ser feliz naquele dia.
- Você ganhou um anel? – perguntou Kim pegando meu dedo.
- Sim... – falei timidamente. – Fui pedida em casamento por Black.
Kim olhou para Black e instantes depois o abraçou, dizendo:
- Desculpa por não ter acreditado em você.
- Você não acreditava em mim? – perguntou Black surpreso.
- Não... Até dei um choque de realidade nela... Mas desde que você se jogou na frente daquela bala... Tudo mudou.
Black me olhou e disse:
- Eu faria novamente... E farei sempre que preciso.
- Cuide da minha princesa. – pediu Kim.
- Nossa princesa. – corrigiu ele. – E princesa de toda Noriah do Sul.
Ele pegou minha mão novamente. Eu não cabia em mim de tanta felicidade. Mas eu estava sentindo que algo não estava certo. Minha intuição me mandava ter cuidado... A rainha havia me dado um ultimato. E eu estava preocupada. Sabia que ela era capaz de qualquer coisa.
- Está tudo bem? – perguntou Magnus no meu ouvido. – Você está distante...
- Fui ameaçada pela rainha...
- Katrina, não tem como ela ter te reconhecido.
- Eu... Estou com medo.
- Eu estou com você... E não deixarei ela lhe fazer nenhum mal.
- Você sabe que não será nada fácil.
- Vamos enfrentar juntos... Por nós... Por Noriah.
Kim e Dereck saíram. Eu perguntei, tentando não pensar na rainha Anne:
- Dereck falou com você sobre ele e Kim?
- Não... Mas já imagino do que você está falando.
- E... Está tudo bem para você, não é mesmo?
- Eu só quero que meu irmão seja feliz... Dereck merece.
Eu senti tanto orgulho de Magnus. Pensei que ele pudesse de alguma forma não aprovar o relacionamento entre Kim e Dereck.
- Eles merecem. – eu observei. – São pessoas especiais.
Os dois dançavam alegremente perto de nós. Eu estava feliz... E eu merecia aquela felicidade.
Mas a felicidade não dura muito e eu sempre soube que não era eterna. Ainda assim eu sempre lutaria para tê-la na maior parte dos meus dias e da minha vida.
Como num filme de terror passando na minha frente, o salão foi tomado de guardas reais e a rainha chegou gritando aos prantos:
- O rei está morto! O rei Albert foi assassinado.
A banda parou de tocar. Todos se voltaram para o alto da escada. Dereck correu até ela, retirando sua máscara. Em minutos ele estava ao lado da mãe. Magnus ficou ao meu lado, imóvel.
Todas as máquinas fotográficas estavam registrando o momento que a rainha, aos prantos, dava a notícia da morte do rei.
- Mãe, como assim? – perguntou Dereck.
- Assassinado com um punhal banhado a ouro. Há letras gravadas nele. Encontrem o assassino agora. Ninguém sai deste castelo até encontrarmos quem matou o rei de Noriah.
Magnus olhou para mim e disse:
- Fuja... Saia pelo jardim real. Encontrará a saída para fora do castelo.
- Mas... Não fui eu...
- Agora. – ele ordenou. – Eu a encontrarei.
Dizendo isso ele jogou sua máscara no chão. E eu saí correndo, como ele mandou
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







