MasukPOV: ELOWEEN
Acordei com um gemido preso na garganta, a dor latejante nas costelas me lembrando de que eu ainda estava, de alguma forma, viva. Forcei os olhos a se abrirem.
O quarto era estranho. Paredes de pedra escura, o cheiro forte de ervas medicinais no ar, misturado a algo adocicado que eu não conseguia identificar. Uma faixa apertada envolvia meu tronco, cobrindo o ferimento na lateral da barriga.
Alguém cuidou dos meus ferimentos. Teria sido ele?
Tentei me erguer, e foi só então que percebi.
Não estava com o vestido rasgado e ensanguentado de antes.
Um tecido branco, macio, deslizava por minha pele. Longo. Bordado. Um corte que eu reconheceria em qualquer lugar, mesmo tendo visto apenas em sonhos que jurei nunca mais ter.
Era um vestido de noiva!
O sangue gelou nas minhas veias antes que eu conseguisse processar o pensamento.
A porta se abriu sem aviso.
Ele entrou a passos firmes, parando perto demais. Minha respiração falhou quando a luz fraca revelou seu rosto, pupilas dilatadas, expressão ilegível, o cheiro dele já dominando o ambiente antes mesmo de chegar perto.
— Ela está pronta? — perguntou, sem me encarar, dirigindo a pergunta à mulher ao seu lado.
— Pronta para quê? — perguntei, a voz ainda rouca, o receio subindo pela garganta.
Ele me ignorou.
A mulher se aproximou, puxando o véu por entre meus dedos, ajustando bruscamente o tecido do vestido.
— Ei, o que está fazendo? — protestei.
Ela examinou as faixas em meu corpo com desinteresse clínico.
— O curativo vai segurar o sangramento. Já podemos prepará-la.
— Me preparar para quê? — insisti, tentando romper aquele silêncio.
Ele não respondeu. Um frio percorreu minha espinha.
O que eu estava fazendo ali, vestida de noiva?
— Perfeito. — Seus olhos finalmente encontraram os meus, frios, definitivos. — Levem meu prêmio para o altar.
As palavras demoraram um instante para atravessar a névoa na minha cabeça.
— Espera... altar? — Me sentei abruptamente, a dor explodindo nas costelas sem que eu registrasse. — Vai me usar como sacrifício?
— Ora, acha que eu mancharia o altar da Lua com seu sangue indigno? — Estalou a língua, quase entretido com minha ingenuidade, como se eu fosse particularmente lenta. — Não foi apenas a sua alcateia que reivindiquei.
Levei um segundo para a realidade me acertar. Me levantei, avançando em sua direção, o sangue fervendo. Ele não se moveu, mãos nos bolsos, postura relaxada, como se já soubesse exatamente o que eu faria.
— Eu não vou me casar com você! — rosnei, furiosa.
Seus olhos desceram até meu dedo erguido contra o seu peito largo. Uma sobrancelha se arqueou, em aviso silencioso.
— Você não tem escolha, princesa. É meu troféu de guerra.
— Prefiro morrer a ser reivindicada por você!
O ar ficou pesado. Assim que vi seus olhos endurecerem, soube que havia cruzado um limite.
Em um movimento rápido, ele me ergueu pelo tecido do vestido, como se eu não pesasse nada. Meu corpo balançou no ar, e ele inclinou a cabeça para o lado, me estudando com aquele olhar predatório.
— Você parece ansiosa para encontrar a morte, Ômega. — Sua voz era baixa, quase um rosnado.
Me debati, socando seus braços. Inútil. Ele sequer se moveu.
— Me ponha no chão! — Exigi, com o coração disparado.
Ele sorriu, sombrio, sem pressa.
— Não. — A voz ressoou grave, preguiçosa. — Eu sou o seu dono, Eloween Everlight. E você parece ter dificuldade em compreender isso.
— Eu prefiro morrer a ser sua esposa-troféu! — Uma lágrima escapou, mas me recusei a desviar o olhar. — Não sei por que me manteve viva. Não me importa. Mas eu não serei troféu de ninguém!
Ele não reagiu de imediato. Seu olhar percorreu meu rosto, avaliando cada traço.
— Interessante. — Me puxou mais perto, o hálito quente roçando contra minha pele. — Você é corajosa, Ômega. Eu aprecio isso.
Meu corpo enrijeceu.
— O quê?
Ele me soltou. Estranhamente, com delicadeza.
— Você vai atravessar aquele corredor até o altar, Princesa Renegada... — A ameaça ficou suspensa no ar. Agarrou meu queixo, firme. — Ou posso jogar você nos ombros de novo. Desta vez, amarrada e amordaçada.
Um sorriso frio se desenho na curva final de seus lábios rudes.
— O que prefere?
— Vá para o inferno, Lycan! — Tentei me afastar; ele apertou mais.
— De onde acha que vim, Ômega? — As pupilas cintilaram em deleite. — Guarde essa raiva. Vai precisar dela mais tarde.
Saiu sem esperar resposta, me deixando com a mulher, que já se movia para me arrumar diante do espelho.
O salão para onde me levaram estava lotado. Lobos de todas as alcateias vizinhas, famintos por testemunhar a queda oficial do Norte, sussurravam, apontavam. Eu era um espetáculo. De novo.
Caminhei pelo corredor com o queixo erguido, me recusando a chorar diante daquela multidão, cada passo ecoando como sentença.
Ele me esperava no altar, postura imponente, terno negro alinhado aos seus músculos brutos, o rosto impassível como uma estátua esculpida em pura força e domino.
O oficiante recitou palavras que mal registrei até que um nome cortou a névoa.
— Unimos nesta noite Kaeros Moonreaver, Rei dos Lycans...
Meu sangue congelou.
Kaeros.
O Devorador de Lobos. Um nome sussurrado como uma sentença de morte. Diziam que exterminava alcateias inteiras sozinho, deixando montanhas de cadáveres e bandos de corvos disputando a carne dos mortos. Nunca perdoava uma traição. Nunca deixava sobreviventes. E tomava territórios como quem coleciona troféus arrancados dos derrotados.
E eu estava sendo forçada a me ajoelhar diante do Monstro que me tomaria para si como esposa.
Só voltei a mim quando seus dedos envolveram meu queixo, erguendo meu rosto até o dele.
— Está na hora — murmurou, baixo o bastante para que só eu ouvisse.
E então ele se inclinou.
No instante em que seus lábios tocaram os meus, o mundo pareceu se partir ao meio.
Um choque elétrico explodiu através de mim, começando na boca e se espalhando por cada nervo do corpo, arrepiando minha pele dos pés à cabeça. Um calor estranho, quase doloroso, pulsou no ombro onde a queimação já havia me marcado antes.
Ele se afastou bruscamente, como se tivesse sido queimado também.
Suas pupilas se dilataram, a linha vertical rasgando o centro de suas íris, o rosnado baixo vibrou em seu peito largo. O ódio que emanava dele era tão denso que eu quase sentia o gosto no ar.
Estremeci sem compreender, o corpo inteiro ainda vibrando com aquela sensação impossível de nomear.
— Não... — sussurrou, a voz rouca, quase quebrada. — Isto não pode ser.
Deu um passo para trás, os punhos cerrados, o olhar perdido entre a fúria e algo que parecia, aterrorizantemente, surpreso.
— A Deusa não me puniria desta forma!
POV: KAEROSInclinei a cabeça de lado. Um sorriso lento e perigoso se formou no canto dos lábios.— Jamais? — Saboreei a palavra, a audácia dela.Tão tola. Tão minha.Ela ainda não tinha percebido? Que já estava entregue, que o corpo pulsava de desejo por mim mesmo enquanto a boca tentava negar. Percorri os olhos pelos traços delicados, as bochechas coradas, o azul e o verde das íris brilhando com intensidade crua, vulnerável.— Você acabou de se desmanchar nos meus dedos, Ômega… — Estalei com arrogância baixa, descendo a ponta do nariz pela face dela até o pescoço. Cheirei a pele úmida, saboreando e memorizando cada arrepio, cada arfada contida que ela tentava engolir. — Seu cheiro… está praticamente implorando para ser devorada aqui nesta banheira.Pressionei os lábios logo abaixo da orelha, a voz um rosnado contido.— E eu ainda nem usei a boca e o que mais deseja...Eloween abriu e fechou a boca, sem encontrar palavras. Os pelos dela estavam arrepiados. Notei a dor atravessar o co
POV: KAEROSSeu rosto estava ainda mais corado, a respiração pesada e acelerada, os seios com os bicos eriçados roçando direto no meu tórax, cada contato disparando ondas de choque pelo corpo inteiro.Maldito elo. Maldito desejo. Maldita ômega linda.— Odeio esse seu maldito mel… — O tom saiu baixo, grave, com o rosnado preso na garganta. Inclinei mais sobre ela, ajustando o corpo enorme entre suas pernas, roçando duro e pulsante perigosamente perto da entrada. Ela estremeceu inteira, os olhos se arregalando ao sentir o quanto estava duro, por ela. Por minha inimiga. — Esse seu olhar tão doce e intenso… cheio de desejoApertei o maxilar, empurrando só o suficiente para que a ponta pressionasse contra ela, sem entrar. Ainda não.— E odeio ainda mais quando me olha com tamanha reluta do que sente.Eloween mordeu os lábios vermelhos e inchados pelo beijo brutal que eu lhe dei antes. Um rosnado escapou da minha garganta. Maldição, aquela boca ainda acabaria comigo.Rocei as presas em seu
POV: KAEROSSeu rosto estava corado, a boca entreaberta, o brilho de desejo cintilando naquelas íris incomuns e vibrantes azul e verde misturados, intensos demais. A cada suspiro contido e gemido que escapava, meu corpo pulsava mais forte com a vontade de tomá-la de uma vez. Travei o maxilar quando Eloween se inclinou, pulsando de volta nos meus dedos, e seus lábios rasparam o meu pescoço como se estivesse farejando o desejo que eu já não conseguia esconder.Notei o brilho ousado atravessar aqueles olhos.— Não sou a única excitada aqui, Alfa… — provocou ela, deliberada, raspando os dentes na pele sensível. — Não se ache demais só porque sabe como tocar uma mulher. Me surpreenderia se não soubesse.O rosnado baixo vibrou no meu peito. Ela estava molhada, contraindo nos meus dedos, e ainda assim tentava me provocar como se não estivesse à beira de se desfazer. Apertei mais o maxilar. Quase ri da audácia, e quase a devorei ali mesmo só para calar aquela boca insolente.Audaciosa demais.
POV: ELOWEENSeus dedos pararam.— Isso não responde à minha pergunta.Quase ri, de sua falsa preocupação e pergunta.— Acha mesmo que Skar me deu alguma chance de fugir? — sussurrei.As lágrimas arderam no canto dos meus olhos, e as lembranças daquele inferno voltaram com força, apertando minha garganta. Eu queria engoli-las, fingir que nada daquilo ainda doía, mas algumas feridas nunca aprendiam a ficar quietas.— Ele me fazia sangrar tanto que, às vezes, eu mal conseguia abrir os olhos. — Minha voz falhou, e respirei fundo. — E essas marcas não são nada comparadas às cicatrizes profundas que meu próprio pai deixou em mim.— Porra! — Kaeros praguejou, furioso.Pegou uma esponja e despejou sobre ela um óleo com aroma de erva-doce. Quando começou a espalhar delicadamente pela minha pele, senti um leve formigamento seguido de um calor reconfortante. Para minha surpresa, a tensão nas minhas costelas diminuiu.— Ômega… você disse que já amou alguém. — Sua voz ficou mais grave. — Por que
POV: ELOWEENKaeros pareceu ponderar minha resposta. Então, sua voz grave rompeu o silêncio, carregada de uma curiosidade perigosa.— Estou curioso sobre uma coisa, pequena Ômega…O tom pecaminoso não deveria combinar tanto com aquele momento de intimidade que jamais deveria existir entre dois inimigos.Minha pele se arrepiava sob o movimento lento de seus dedos em meus cabelos. Sentia seu tórax roçar minhas costas, o calor de seu corpo me envolvendo, enquanto suas pernas fortes permaneciam abertas ao lado das minhas, com seu quadril perigosamente próximo da minha bunda sob a água.Eu precisava me afastar.Precisava me lembrar de que aquele homem era o responsável por boa parte da minha dor, o monstro que eu deveria temer, não o Alfa cujos cuidados estavam confundindo cada maldito instinto meu.— So-sobre o quê? — Minha voz falhou, traindo o efeito que ele provocava em mim.Um riso rouco vibrou no peito de Kaeros, baixo e quase satisfeito.Maldito Lycan arrogante!Ele inclinou a cabeç
POV: ELOWEENSeus dedos tocaram meu queixo e o ergueram, me obrigando a encarar aqueles olhos perigosos.— Quer tocar no seu marido?Meu coração disparou. A respiração pesou contra minhas costelas feridas, mas me recusei a demonstrar o quanto aquele homem conseguia me desestabilizar.Kaeros envolveu minha mão na sua e a conduziu até o tórax nu. O calor de sua pele me atingiu, e meus dedos estremeceram quando ele os guiou lentamente pelo abdômen definido, até a linha da cintura.Puxei o ar, sentindo o rosto queimar.Maldito Alfa. Maldito corpo. Maldita reação traidora!— Kaeros… eu… — Mordi a parte interna da bochecha e puxei a mão, virando o rosto para escapar daquele olhar que parecia arrancar meus segredos à força. — Posso tomar banho sozinha. Poderia sair?Ele ficou em silêncio por um instante.— Está com medo de mim, esposa?— Todo mundo o teme… — Soltei antes de pensar. — Não era isso que queria?O silêncio caiu entre nós, pesado e perigoso. Então, ouvi o zíper sendo aberto e o s







