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Capítulo 10

last update publish date: 2026-04-19 01:13:58

O corredor do hospital parecia mais longo e mais silencioso do que o normal naquela manhã. Cada passo de Sofia ecoava como um batimento cardíaco amplificado, um som que se perdia entre as portas fechadas e o cheiro persistente de antisséptico. Ela ajustou o jaleco, tentando afastar a sensação de inquietação que a acompanhava desde o encontro fortuito com Dawson, dois dias atrás, na lanchonete. A imagem da picape preta parada na rua, observando, ainda a assombrava, um fantasma de aço e más inten
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    A manhã seguinte amanheceu quente e impiedosa, como se o próprio Texas quisesse testar os limites de Sofia. Ela havia dormido mal, o cheiro de Ethan ainda impregnado em sua mão apesar de ter lavado três vezes. Cada vez que fechava os olhos, via o pau grosso dele pulsando, o jato forte de porra atingindo a cabeceira da cama e o olhar chocado que ele lhe dera depois.Agora, às nove da manhã, ela estava diante da porta do quarto dele com uma toalha limpa no ombro, uma bolsa cheia de produtos de higiene e uma determinação fria no peito.— Entre — grunhiu Ethan antes mesmo que ela batesse.Sofia abriu a porta. Ele estava sentado na beira da cama, o gesso apoiado num banquinho improvisado. O lençol mal cobria sua nudez. O olhar cinzento que encontrou o dela era uma mistura perigosa de irritação, vergonha e algo muito mais escuro.— Bom dia — disse ela, profissional. — Vamos fazer o banho hoje. Miguel adaptou uma cadeira de plástico no banheiro. Consegue se transferir ou precisa de ajuda?Et

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    A porta da frente do casarão dos Callahan rangeu em um protesto alto e prolongado quando Ethan a empurrou, Sofia entrou primeiro, sua figura delineada contra a luz do exterior. Ela fez uma pausa por um segundo, permitindo que seus olhos se ajustassem à escuridão, enquanto empurrava a cadeira de rodas de Ethan sobre o limiar de madeira desgastada. O corredor era largo e sombrio, com fotografias em preto-e-branco de gerações de Callahans observando, seus rostos sérios testemunhas silenciosas da chegada daquela intrusa.Foi então que uma figura emergiu de uma porta ao fundo do corredor. Marlene Callahan não fez nenhum som. Ela simplesmente apareceu, como um fantasma surgindo das profundezas da casa. Estava vestida com um vestido escuro e simples, e seus olhos negros, afundados nas órbitas, brilharam com um fogo sombrio ao pousarem em Sofia.— Então trouxe a peça de volta — a voz de Marlene cortou o ar silencioso como um chicote, carregada de um desdém tão profundo que era quase físico. —

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    Ela finalmente parou o que estava fazendo e olhou para ele, uma sobrancelha levemente arqueada.— Sim, Sr. Callahan?O uso do título formal foi um golpe baixo. Ele merecia.— Obrigado. Por… aceitar.Ela manteve seu olhar.— É meu trabalho. O hospital está me pagando para isso. — Uma pausa calculada. — Como exatamente você conseguiu essa proeza? A Dra. Vance não é conhecida por sua flexibilidade orçamentária.Ele desviou o olhar, envergonhado.— Eu… disse que pagaria. O que fosse necessário.— Ah — a resposta dela foi uma sílaba carregada de entendimento. — Então é isso. Não é sobre precisar da minha ajuda. É sobre poder comprá-la. É mais fácil assim, não é? Transformar tudo em uma transação. Nada de dívidas emocionais. Nada de… confiança.— Não é isso! — ele protestou, mas soou falso até para seus próprios ouvidos.— Não? — ela se aproximou, finalmente, e pela primeira vez ele viu um lampejo da mulher por trás da enfermeira, uma centelha de raiva ferida. — Porque da última vez que ver

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