LOGINMeu marido e eu éramos as duas pessoas que mais se odiavam neste mundo. Ele me odiava por tê-lo arrancado da mulher que amava. E eu o odiava porque seu coração permanecia ocupado por outra. Durante oito anos de casamento, as palavras que mais trocamos não foram de amor, nem de dever, mas maldições. Contudo, no dia em que a cidade caiu, tudo mudou; as bandeiras inimigas já eram visíveis além do portão interno. Ele cavalgou à frente e tomou a estrada, colocando seu corpo entre o inimigo e a minha fuga. — Viva — disse ele calmamente. Então ele ergueu sua lâmina e não olhou para trás. As flechas vieram como chuva. Enquanto elas o perfuravam, ele virou a cabeça uma vez, apenas uma vez. Depois disso, seu corpo bloqueou a estrada, e nada passou. — Se houver outra vida… que Vossa Alteza me conceda a misericórdia de pertencer a ela. Naquela noite, com a cidade em ruínas e o povo morto ou em fuga, subi na torre mais alta do palácio. Eu saltei. Quando abri meus olhos novamente, fui até o rei. — Os reinos do norte exigem uma noiva real — eu disse. — Eu irei. Nesta vida, serei eu a cruzar a fronteira. Em minha vida anterior, ele morreu acreditando que havia falhado com ela. Desta vez, não permitirei que esse arrependimento exista. Assumirei o casamento destinado a ela. Carregarei a coroa destinada a exilá-la. Caminharei em direção a um futuro que ela nunca deveria ter que suportar. Deixe que ela fique. Deixe que ele a proteja. Deixe que ele viva sua vida acreditando que finalmente cumpriu sua promessa.
View MoreEle se moveu antes que eu terminasse de respirar. Em um momento, havia distância entre nós, costume, fronteiras, destino; no próximo, sua mão fechou-se em torno do meu pulso com uma força que assustou a ambos.— Nós vamos embora — disse Adrian.Não era um pedido. Não era um plano. Era uma ordem latida por instinto, aguda e impensada, da maneira como comandos eram dados em um campo de batalha quando a hesitação significava a morte. Cambaleei meio passo em direção a ele. Os guardas se agitaram. O aço sussurrou ao sair das bainhas. Olhei para ele, atordoada, não pela dor no pulso, mas pela fúria nua em seus olhos. Haviam sumido a contenção e a disciplina que sempre o definiram. Este não era um general pesando consequências. Este era um homem que havia chegado ao seu próprio limite.— Agora — disse ele novamente, mais baixo desta vez. — Antes que este lugar tire qualquer outra coisa de você.Por um batimento cardíaco, eu quis ir. Que Deus me ajude, eu quis virar meu cavalo para o sul e n
POV de EliseEu havia parado de esperar por resgate. Isso, talvez, fosse a coisa mais perigosa de todas. O norte ensinava suas lições rapidamente. O silêncio era mais seguro que o protesto. A imobilidade atraía menos atenção que o medo. No terceiro dia, uma das mulheres designadas a mim puxou com muita força minha manga enquanto me vestia para a corte, e eu não me afastei a tempo. O tecido rasgou. A lâmina que se seguiu foi veloz e negligente, destinada a me lembrar do meu lugar. O sangue secou escuro contra a lã pálida. Ninguém pediu desculpas. Eu não pedi por isso. Na quarta noite, compreendi o que Elara deve ter enfrentado na outra vida, o teste constante, a crueldade silenciosa disfarçada de costume, a espera para ver quando a noiva do sul finalmente se quebraria. Eu não quebraria. Se este era o preço da paz, então eu o pagaria de pé. Foi por isso que, quando os guardas anunciaram uma audiência, inesperada, fora do cronograma, presumi que fosse outra humilhação vestida de
POV de AdrianA estrada para o norte se desenrolava sob os cascos do meu cavalo, milha após milha de solo congelado rompendo a última ilusão de que eu ainda tinha tempo.Eu já tinha visto esse final antes.Na última vida, foi Elara quem foi para o norte, tremendo, chorando, agarrando-se a cada despedida como se fosse uma tábua de salvação. Ela escreveu uma vez, depois nunca mais. Um ano depois, a notícia chegou à capital: a consorte do norte havia tirado a própria vida. A corte lamentou brevemente. Eu disse a mim mesmo que era inevitável. Eu disse a mim mesmo que tinha feito o que o dever exigia.Eu estava errado.Desta vez, era ela.A mulher que cavalgou sozinha para além dos portões sem lágrimas, sem censuras, sem sequer olhar para trás, para a cidade que a havia sacrificado.E era isso o que mais me aterrorizava.Na terceira noite, comecei a ouvir em todos os lugares, a verdade que eu havia enterrado sob disciplina e honra.Os senhores do norte não mantinham mulheres frágeis vivas.
O rosto familiar sob o véu o atingiu como um golpe.— Elara!Ela se lançou nos braços dele, agarrando seu peito como se o próprio chão tivesse desaparecido sob seus pés.— Como... como pode ser você? — perguntou ele, com a voz rouca.No momento em que as palavras deixaram sua boca, um pensamento gélido tomou forma. O olhar de Elara vacilou. Sua voz suavizou, tecida com inquietação e algo cuidadosamente oculto.— Eu... eu não sei — disse ela. — Ontem, o decreto real foi alterado. Disseram que... Elise foi enviada para o norte em meu lugar.O quarto pareceu girar.— O que você disse?Adrian agarrou os ombros dela, os dedos apertando com força suficiente para deixar marcas.— Se ela foi para o norte — então a mulher que cavalgou sozinha para além dos portões…— Elara — alguém chamou com urgência do lado de fora. — General, onde o senhor vai?Adrian a soltou como se tivesse se queimado.Ele não respondeu.Ainda vestido com o vermelho cerimonial, ele arrancou sua espada do suporte, atravess






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