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Capítulo 7

Author: R.Kéthully
last update publish date: 2026-03-13 21:29:54

Cíntia chegou ao apartamento e encontrou sua colega de quarto Ana. Contou em poucas palavras que iria se mudar. Decidiu não dar detalhes, pois tinha medo que a qualquer momento acordaria do sonho de cinderela e voltaria para a realidade. Preferiu esconder por enquanto sua nova identidade.

- Você poderia falar com a Rebecca e a Cindy por mim? - perguntou colocando o maço de dinheiro que seu pai tinha deixado de gorjeta no outro dia. Isso ajudaria nas despesas até que elas encontrassem outra garota.

Rebecca e Cindy quase nunca estavam no apartamento. Assim como ela, as meninas trabalhavam sempre que possível. Só a Ana tinha flexibilidade de horário devido ao trabalho que exercia na boate. Em uma noite ela conseguia ganhar o suficiente para manter seus gastos e estudar despreocupada.

Ana olhou para o dinheiro.

- De onde você tirou isso?

- Trabalhando. - desconversou.

Ana não acreditou muito, mas preferiu não pressionar. Elas não eram tão amigas e não se metiam uma na vida da outra. Cíntia arrumou suas coisas e desceu entrando no carro.

Assim que saíram do conjunto de apartamentos um carro atravessou na pista fazendo o motorista frear de uma vez. Cíntia deu um solavanco para frente.

Tudo aconteceu muito rápido. Os seguranças que estavam com ela foram arrancados do carro e agredidos. Dois brutamontes com armas a arrancaram do carro e a levaram para o carro que estava atravessado na pista.

Cíntia estava chateada, era a segunda vez que era sequestrada em menos de 24 horas. Pelo menos dessa vez não fora vendada e calada.

- O que vocês querem? Me deixem ir.

Ela não conseguia se mexer direito com duas muralhas de cada lado no assento.

- O chefe quer te ver e pediu para trazê-la não importa como.

- Quem é o seu chefe? - perguntou querendo saber quem iria enfrentar.

- Filipe Novaes.

Ao ouvir o nome Cíntia temeu. Ela havia usado ele noite passada e fugido. Claro que ele iria querer explicações. Um hora ou outra teria que encontrá-lo, iria acabar com isso antes de voltar para a mansão.

- Eu vou. Podem pelo menos me desamarrar?

- Vai tentar fugir? - eles a olharam desconfiados.

- Não.

Os brutamontes se entreolharam e a soltaram. Confiando em sua palavra.

- Obrigada! - disse alisando os pulsos.

A mansão da família Novaes era gigantesca assim como a do seu pai. Tinha um estilo rústico, mas contemporâneo. O carro parou e um dos homens a pegou pelo braço, levando-a até o Senhor Filipe Novaes.

Ao ver o homem com quem dormira na noite passada, Cíntia suspirou de prazer. Ele estava mais bonito do que na noite anterior. Como isso era possível. A blusa branca estava enrolada nos braços, o colete apertava toda sua estrutura óssea. A barba por fazer dava um charme maior a visão dele olhando pela janela. Seus cabelos um pouco despenteados davam um ar de despreocupado, mas ela sabia que ele não estava. Homens assim raramente não tinham preocupações.

Assim que a viu ele saiu de perto da janela e largou o copo com a bebida na mesa.

- Aí está minha noiva fujona.

- O quê?

Ele dispensou os seguranças. Agora estavam sozinhos.

- Nós dormimos juntos ontem. Era sua primeira vez, estou assumindo a responsabilidade por você. - disse o óbvio.

- Não, não. Eu não preciso que você assuma nada.

Ele a olhou torto. Ele era o sonho de toda mulher e ela o estava rejeitando?

- Não usamos proteção ontem a noite. Já pensou na possibilidade de talvez você está grávida?

Ela tocou sua barriga pensativa. Será? Mas isso demoraria a descobrir. E ela podia nem estar. Não iria se comprometer com ele.

- Mesmo assim, não preciso que você assuma nada. Se eu estiver grávida posso muito bem cuidar da criança sozinha.

Ela não iria casar com ele. Não mesmo. Acabara de reencontrar seu pai, queria recuperar os dezessete anos perdidos, não se prender a um caso de uma noite. Por mais que ele seja o homem que toda mulher deseja. E se estiver grávida, sabia que seu pai a ajudaria.

- Não, não. - disse ele se aproximando como um leão prestes a pegar sua presa. - Se você engravidar nós vamos nos casar.

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