LOGINCapítulo 87 — O Preço da ProteçãoJulian ThorneO sedã parou bruscamente na baía de emergência do New York-Presbyterian antes mesmo de os pneus cessarem o atrito com o asfalto.O meu segurança saltou para abrir a porta traseira, mas eu já havia empurrado a maçaneta com o cotovelo. Saí do veículo com Rachel firme nos meus braços, sustentando o peso inerte do seu corpo contra o meu peito enquanto avançava pelas portas automáticas de vidro em passadas largas, ignorando os olhares atônitos na sala de espera.Um recepcionista de uniforme cinza deu a volta no balcão apressado, mas estancou no segundo em que seus olhos bateram no rosto castigado da mulher que eu carregava.— Meu Deus... é a Rachel?! Senhor, o atendimento de funcionários do hospital que sofrem intercorrências deve ser feito pela ala oeste, na triagem do departamento de saúde ocupacional...— Ela não vai para ala de funcionário nenhuma! — a minha voz saiu em um rugido tão cortante e autoritário que dois enfermeiros pararam no
Capítulo 86 — O Rugido do SilêncioJulian Thorne— Ju... Julian... por favor... me ajuda.Aquele fiapo de voz, quebrado por um soluço agonizante e pelo som rascante de uma respiração que lutava por ar, atingiu a minha espinha como um tiro de misericórdia. O sangue congelou nas minhas artérias no mesmo milésimo de segundo.— Rachel?! — projetei o tronco para a frente, colando o telefone contra a orelha com uma força que quase trincou o vidro do visor. — Rachel, fala comigo! O que aconteceu?! Onde você está?!Do outro lado da linha, veio apenas um gemido doloroso, miúdo, seguido pelo barulho abafado do metal do aparelho raspando contra alguma coisa.— Segundo... segundo andar... doze... — ela balbuciou em um sussurro quase inaudível antes de a voz quebrar em um arquejo sufocado.— Jacob, dá meia-volta agora! — ordenei, a minha voz explodindo na cabine com uma aspereza que fez o meu motorista travar as duas mãos sobre o volante. — Corta esse canteiro, entra na contramão se for preciso, m
Capítulo 85 — Cicatrizes AbertasRachel GlassO clique metálico da tranca da porta do meu apartamento finalmente ecoou pela sala silenciosa, mas o som não trouxe a paz que eu desesperadamente procurava.Apoiei as costas contra a madeira, fechando os olhos enquanto o meu peito ainda subia e descia em um ritmo descompassado. O ar do meu próprio lar parecia denso demais, pesado demais para entrar nos meus pulmões. As minhas pernas tremiam tanto que precisei escorregar alguns centímetros até encontrar apoio firme no chão.Alan havia me encontrado.A frase ecoava dentro do meu crânio com a violência ensurdecedora de um disparo à queima-roupa.Eu passei os últimos dois anos mudando de endereço, trocando de linha telefônica, evitando redes sociais e me escondendo na rotina estéril e cansativa dos plantões noturnos do New York-Presbyterian. Eu fiz de tudo para apagar o meu rastro. Tudo para deixar para trás os quatro anos de um casamento que começou como um conto de fadas e se transformou em
Capítulo 84 — Sempre que precisar Julian Thorne— E eu vou te dar exatos três segundos para soltá-la. Você me ouviu?A minha voz saiu plana, baixa, o sujeito estancou. Senti a musculatura das costas dele tencionar sob o couro surrado da jaqueta antes que ele soltasse o braço da Rachel com um empurrão desajeitado, virando o corpo pesado na minha direção com o queixo erguido e os olhos injetados em pura agressividade.Ele me mediu da cabeça aos pés. Notou o corte sob medida do meu paletó escuro, os sapatos de couro italiano e a ausência absoluta de hesitação na minha postura.— E quem nesse caralho é você, engravatado? — o homem cuspiu as palavras, dando um passo curto à frente, tentando usar a envergadura de ombros largos para me intimidar. — Não se meta onde não é chamado! Dá o fora daqui antes que sobre para você!— Senhor Thorne, por favor! — a voz da Rachel soou estridente, trêmula, carregada de um pânico desesperador. Ela tropeçou um degrau para trás, as duas mãos abertas diante
Capítulo 83 — Sombras no QueensJulian ThorneQuando recebi aquela ligação dias atrás e concordei em me sentar à mesa com Mia Collins no Upper East Side, não nego que o fiz instigado por uma curiosidade genuína. Ela era linda, altiva, uma arquiteta com olhar firme que acabava de arrebatar o contrato mais disputado da cidade diante dos consórcios tradicionais. Havia ali uma atração natural, um magnetismo que qualquer homem com sangue nas veias saberia reconhecer.Mas qualquer centelha de pretensão pessoal virou poeira no segundo em que cruzei as portas do Presbyterian e a vi desmoronada contra a parede.Ver Mia aos prantos, assistindo ao colapso do coração de Ethan Vance e se jogando no chão da UTI para implorar pela vida dele, me mostrou com clareza cristalina onde eu estava pisando. A ligação entre os dois não era um jogo de negócios ou um flerte de salão; era algo forjado em carne viva, sustentado pela existência de uma garotinha que lutava pela vida no andar de cima. Ethan era o
Capítulo 82 — A Sombra do AbismoMia CollinsO ar congelou na minha traqueia como se eu tivesse engolido vidro moído.Meus dedos perderam a sensibilidade, e o celular pareceu pesar uma tonelada de ferro enferrujado contra as minhas mãos dormentes. A frase reluzia sobre o visor negro do aparelho como uma sentença de morte rabiscada a fogo:“Acho que precisamos atualizar a imprensa, querida. Você é noiva, sim... mas não é do Ethan Vance.”A escuridão de sete anos atrás emergiu das profundezas da minha memória com a violência de uma represa estourando. O cheiro rançoso de água sanitária barata, o odor ferroso de sangue seco, a fivela de couro rasgando a pele dos meus pulsos e a voz morta de um açougueiro clandestino no Bronx preparando tubos de sucção... Tudo voltou em um estalo ensurdecedor que fez o chão do quarto de hotel sumir sob o meu corpo.Gregory Stone.O magnata asqueroso de quase sessenta anos para quem Robert Collins, o meu próprio pai, havia me vendido para quitar dívidas de







