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Capítulo 8

Author: Lorena Neves
Íris não tinha o aspecto de uma mulher rejeitada e abandonada. Vestindo as roupas de Imperatriz, ela estava imponente como uma lendária fênix que desceu à terra.

Seus olhos eram frios, com pupilas mais claras, transmitindo uma nobre sensação de distanciamento, como se fosse feita de jade. Sua pele não era daquelas extremamente pálidas e doentias que as mulheres da capital costumavam desejar, mas sim de uma tonalidade rosada e saudável.

Seu rosto refinado e nobre, mesmo sem expressar raiva, exalava uma autoridade natural, com uma beleza que lembrava uma deusa imortal.

Os servos, acostumados com a aparência padrão das concubinas do harém imperial, todas "cópias" da falecida Concubina Imperial Adelina, se surpreenderam ao ver tal beleza, achando a Imperatriz um raio de luz em meio às nuvens.

Não era à toa que ela era conhecida na capital como uma das mulheres mais bonitas. Sua aparência era encantadora, inimitável pelos mortais.

Desde que começou sua jornada de viajante, Íris sempre usou disfarces. Sua beleza, para ela, era um fardo, especialmente no campo militar. A esposa do mestre sempre dizia que ela estava desperdiçando uma aparência tão impressionante, sempre se disfarçando de uma mulher feia.

Flora, seguindo Íris, sentia um certo orgulho.

Quando chegaram diante da Imperatriz-Mãe, Íris fez uma reverência, cumprimentando:

— Saudações, Imperatriz-Mãe.

A Imperatriz-Mãe estava sentada com uma expressão gentil e serena, ela respondeu:

— Não há necessidade de formalidades, Imperatriz, sente-se.

Quando começaram a conversar sobre o Imperador, a Imperatriz-Mãe aconselhou de forma gentil:

— O Imperador está ocupado com os assuntos do reino, e tem coisas que ele, inevitavelmente, não pode prestar atenção. Imperatriz, não se aborreça.

Íris respondeu calmamente com um simples:

— Certo.

Após algum tempo conversando, a Imperatriz-Mãe percebeu que a Imperatriz pareciain expressiva, como se fosse alguém que nunca sorria.

Quando a viu no banquete de aniversário, ela parecia muito mais encantadora e simpática. Mas agora, estava tão distante.

De fato, Íris raramente sorria.

Quando criança, a esposa do mestre sempre tentava provocar seus risos, mas ela achava sem graça.

Depois, durante sua estadia no acampamento militar, como general, ela teve que manter uma postura séria para garantir que os outros não descobrissem que ela era mulher. Ela se acostumou a manter o rosto impassível, pois, caso contrário, não seria capaz de impor respeito.

— Imperatriz, você está passando por algum problema? — Perguntou diretamente a Imperatriz-Mãe.

Íris levantou os olhos para ela e respondeu com seriedade:

— Não.

E a conversa terminou por ali.

A Imperatriz-Mãe sentiu o canto da boca tendo um tique.

Com tamanha falta de expressão, não era de se admirar que o Imperador não gostasse dela. Mesmo a Imperatriz-Mãe achava que ela era sem graça. Afinal, as outras concubinas eram sempre sorridentes, doces e falavam coisas interessantes, enquanto essa Imperatriz apenas respondia curtamente quando lhe faziam uma pergunta e nada mais.

— Que tal darmos um passeio no Jardim Imperial, Imperatriz? As flores já abriram.

— Claro.

A Imperatriz-Mãe pensou que, ao estarem ao ar livre, a Imperatriz falaria mais. Porém, ela continuou tão silenciosa quanto antes.

Ela realmente não tinha jeito.

Enquanto caminhavam, quase chegando ao Estábulo Imperial, a Imperatriz-Mãe já estava prestes a desistir e sugeriu que voltassem ao Palácio da Longevidade.

De repente, um cavalo em alta velocidade apareceu do nada, trotando furiosamente em direção a elas.

Os guardas imediatamente formaram uma barreira à frente, tentando proteger a Imperatriz-Mãe, mas logo foram dispersados pelo impacto.

A Imperatriz-Mãe, acostumada com uma vida de luxo e cuidado extremo, nunca tinha visto algo assim. O cavalo parecia estar focado nela, correndo diretamente em sua direção. Com medo, ela ficou paralisada, seus olhos ficaram arregalados e seus lábios pálidos.

— Protejam a Imperatriz-Mãe! Rápido, protejam a Imperatriz-Mãe! — Gritou a Dama Judite.

Quando parecia que a Imperatriz-Mãe seria atropelada, uma figura apareceu rapidamente, a empurrando para o lado com uma força impressionante.

Após se firmar, quando ela olhou para ver quem a havia salvado, viu que foi a própria Imperatriz!

Uma mulher aparentemente tão frágil, possuía tamanha força! E a forma como a segurou foi ainda mais reconfortante do que qualquer homem poderia fazer.

A Imperatriz-Mãe, atônita, queria pegar o braço da Imperatriz e se afastar, mas a viu saltar para cima do cavalo com agilidade.

Íris, com sua habilidade de cavalgada, era imbatível, ninguém no Acampamento Militar do Norte poderia se comparar a ela. Mesmo o cavalo mais feroz obedecia às suas ordens.

Com as rédeas firmemente seguradas, Íris mantinha o equilíbrio no cavalo, mesmo com a aceleração brusca.

Os outros estavam horrorizados ao vê-la cavalgando rapidamente para longe.

— Meu Deus! A Imperatriz está em perigo!

A Imperatriz-Mãe, preocupada, gritou:

— Rápido, vão salvar a Imperatriz!

Mas em poucos minutos, a Imperatriz já estava de volta, montando o cavalo com calma. O cavalo, agora, parecia bem tranquilo e dócil.

Íris parou o cavalo, fez um movimento elegante e desceu.

Flora correu até ela, perguntando preocupada:

— Imperatriz! Está tudo bem?

Íris balançou a cabeça e olhou para a Imperatriz-Mãe, respondendo:

— Não se preocupe, ela já se acalmou.

A Imperatriz-Mãe, agora observando Íris com um olhar de apreço e admiração, disse:

— Imperatriz, com quem você aprendeu a arte da equitação? Eu nunca vi algo assim.

Íris, imperturbável, respondeu:

— Quando criança, escondi isso do meu pai e aprendi a cavalgar com meu tio. Foi só o básico, mas foi o suficiente para salvar a Imperatriz-Mãe.

Nesse momento, o responsável pelo Estábulo Imperial chegou correndo. Ao ver que Íris havia domado o cavalo selvagem, ele ficou impressionado, exclamando:

— Imperatriz, este cavalo é um cavalo selvagem vindo do ocidente. Dentre os cavalos enviados, este foi o único a enlouquecer, e nem todos os criados juntos conseguiram dominá-lo...

Íris entregou as rédeas ao responsável, dando instruções sérias:

— Esta é uma égua grávida, naturalmente é mais propensa a ficar agitada. Além disso, o clima de Gretis pode ter causado esse comportamento. Levem ela de volta, não a maltratem. Coloquem ela em uma baia separada e lhe deem mais erva-de-cinco-grelos. Dentro de três a cinco dias, ela já vai se acalmar.

O responsável, surpreso com o conhecimento dela, ficou ainda mais impressionado.

Íris acariciou o cavalo e murmurou baixinho:

— É uma ótima égua, uma pena.

Deveria estar galopando pelas vastas pradarias, mas estava presa no Estábulo Imperial apertado.

Enquanto isso, não muito longe, no alto de uma plataforma de observação, um homem vestido de branco observava de lá, mirando Íris com um olhar direto de apreciação.

— Imperador, a sua Imperatriz possui tal habilidade, é realmente algo raro.

Por trás dele, uma voz preguiçosa e autoritária soou:

— Uma habilidade tão insignificante pode realmente impressionar você? Esse cavalo assustou a Imperatriz-Mãe, mandem matar. Ah, além disso, mandem a Imperatriz supervisionar a execução pessoalmente.
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