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A Libertação de Laura
A Libertação de Laura
Autor: Segundo Amor

Capítulo 1

Autor: Segundo Amor
Quando terminei de cuidar de todo o funeral do meu pai, já era madrugada.

A essa altura, a amada de Cláudio Alves, Rita Freitas, havia publicado uma nova atualização.

Os dois estavam em uma fazenda, sentados ao redor de uma fogueira com os moradores locais, observando as estrelas.

Cláudio, que nunca costumava dar as caras nas redes sociais, comentou na foto dela:

— Contanto que você goste, é o que importa.

Nossos amigos em comum logo encheram a postagem de felicitações.

Mesmo todos sabendo da minha existência, eles ainda achavam que Cláudio e Rita eram o verdadeiro casal.

Embora eu fosse a esposa no papel.

Parecia que eu era apenas uma intrusa.

Alguém que se aproveitou do vazio deixado enquanto Rita esteve fora.

Cláudio foi capaz de ir até aqueles vales de grande altitude por Rita, mesmo sofrendo com o mal da montanha.

Mas não esteve disposto a me acompanhar até uma praia a poucos quilômetros de distância.

Minhas centenas de súplicas não valeram mais do que um único olhar de Rita.

Eu estava verdadeiramente exausta.

Quando terminei de resolver todas as pendências e fiquei no terraço do hospital olhando para as poucas estrelas no céu da cidade.

Foi só então que Cláudio me ligou.

Tudo por causa daquela minha resposta sobre o divórcio, enviada horas antes.

— Você vive arrumando briga comigo usando essa história de divórcio, não se cansa disso?

Mas quem sempre falava em divórcio era você, Cláudio.

Abri a boca para retrucar, mas de repente senti que não valia a pena.

Ele apenas achava que eu não conseguiria viver sem ele, que eu o amava e estava disposta a entregar absolutamente tudo o que eu tinha a ele.

Por isso, ele se sentia no direito de me ameaçar com o divórcio sem nenhum pudor.

Ele sabia que eu não iria embora. Nos últimos oito anos, sempre fui eu quem abaixou a cabeça.

Então, ele transformou o divórcio em uma ferramenta para me manipular.

Porém, hoje, foi a primeira vez que eu toquei na palavra divórcio, e seria também a última.

— Meu pai já se foi. Você não precisa mais se forçar a encenar o papel de casal apaixonado na frente dele.

Do outro lado da linha, Cláudio ficou em silêncio por um longo momento. Quando voltou a falar, o tom de sua voz havia suavizado um pouco.

— Onde você está? Eu vou ficar com você.

Onde eu estava?

Será que ele deixaria Rita para trás e pegaria um voo de doze horas só para estar comigo?

Eu duvidava muito.

Mas Cláudio já havia desligado o telefone.

Eu queria ir para casa descansar, mas, atordoada, acabei perdendo a consciência enquanto descia as escadas e rolei degraus abaixo.

Quando acordei, estava deitada no hospital.

A enfermeira que sempre me ajudou a cuidar do meu pai me encontrou e explicou que eu havia rolado a escada por causa de uma crise de hipoglicemia.

Tive uma leve concussão e precisaria ficar em observação no hospital por um tempo.

Ela perguntou se havia algum familiar comigo.

Liguei a tela do celular. Uma noite inteira havia se passado, e não havia nenhuma mensagem de Cláudio.

Em compensação, Rita publicou mais uma foto.

[O mal da altitude é realmente assustador! Estávamos nos divertindo o dia todo e, de repente, eu desmaiei. Sorte que tenho você aqui comigo.]

A imagem mostrava Rita segurando a mão de Cláudio.

O irônico era que, no dedo de Cláudio, estava a aliança masculina que eu lhe dei quando nos casamos.

Enquanto a outra, do par correspondente, estava na mão de Rita.

Lembrei-me de não muito tempo atrás, quando fiquei fraca demais por cuidar do meu pai e deixei de preparar uma única refeição para ele.

Ele me olhou com um semblante carregado de insatisfação.

— Laura, tenho contratos de bilhões de reais me esperando na empresa. Eu não me casei com você para ser meu fardo.

Mas, por Rita, ele foi capaz de abandonar a empresa por três dias inteiros.

Não era que ele não soubesse amar.

Era apenas que a pessoa em seu coração nunca fui eu.

Ainda me lembro de quando Rita foi para o exterior. Ele me arrastou para um bar e bebeu até o amanhecer.

Ele chorou para mim, lamentando a traição de Rita, e jurou que jamais a perdoaria nesta vida.

Na verdade, aquele foi o dia em que o vi pela primeira vez. Fiquei apenas porque o vi tão solitário e decidi ouvi-lo desabafar um pouco.
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