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Capítulo 10

Autor: Segundo Amor
Carlos balançou a cabeça de um lado para o outro. — Eu pedi separado para a equipe, a deles ainda não chegou.

Diante dessa desculpa, eu fiquei sem jeito de recusar.

Nós dois nos sentamos no chão do corredor, comendo pedaços de pizza, e a sensação era de termos sido transportados de volta aos tempos da faculdade.

Como era estritamente proibido comer dentro do laboratório, sempre que a fome batia forte, o jeito era devorar os lanches escondidos no corredor.

E, em todas as vezes, o professor acabav
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  • A Libertação de Laura   Capítulo 10

    Carlos balançou a cabeça de um lado para o outro. — Eu pedi separado para a equipe, a deles ainda não chegou.Diante dessa desculpa, eu fiquei sem jeito de recusar.Nós dois nos sentamos no chão do corredor, comendo pedaços de pizza, e a sensação era de termos sido transportados de volta aos tempos da faculdade.Como era estritamente proibido comer dentro do laboratório, sempre que a fome batia forte, o jeito era devorar os lanches escondidos no corredor.E, em todas as vezes, o professor acabava nos pegando no flagra na hora de voltar.Carlos carregava no currículo exatamente o mesmo tipo de experiência, e através dessa memória afetiva, partilhamos as noites de sofrimento e as crises de choro da nossa jornada de mestrado.Nossas gargalhadas ecoavam pelo corredor, incentivando um desfile ainda maior de velhas histórias.Essa leveza toda só foi estraçalhada no instante em que as pontas dos sapatos de couro de Cláudio surgiram no nosso campo de visão.Ele trazia uma marmita térmica nas m

  • A Libertação de Laura   Capítulo 9

    — Uma mulher, como é que vai entender de química!— Ela é a estudante pela qual o orientador da Universidade Zeus praticamente implorou para que aceitasse o doutorado direto. As publicações dela em revistas de prestígio superam e muito o número de contratos que você já assinou na vida.Cláudio avançou por trás de mim e colocou a mão no meu ombro.— Se ela não entende, você é que entende?O investidor, estupefato ao encará-lo, gaguejou com a voz trêmula: — Diretor Alves... Então, quer dizer que vocês já se conhecem.— Ela é a minha esposa. — Cláudio disse, virando o rosto na minha direção com o peito estufado, como se estivesse mendigando um elogio.— Eu não sou.O sorriso no rosto de Cláudio se congelou imediatamente.Ele tentou abrir a boca para dizer mais alguma coisa, mas uma mão desconhecida retirou bruscamente o braço dele que repousava no meu ombro.Um homem que eu não conhecia entrou no local, lançou-me um sorriso caloroso e se apresentou: — Você é a assistente do Sr. Artur? Mui

  • A Libertação de Laura   Capítulo 8

    Para acompanhar o ritmo do professor, fui forçada a varar noites estudando para recuperar o tempo perdido.Mas, felizmente, as coisas que a gente já aprendeu não são tão difíceis de relembrar.O trabalho como assistente não era exaustivo. O professor continuava dando as aulas, enquanto eu ficava encarregada de lidar com a parte burocrática e os contatos com as empresas.Apesar de nunca ter trabalhado oficialmente no Grupo Alves, eu estava acostumada a ouvir as reuniões por telefone que Cláudio fazia em casa.Quando peguei o jeito, percebi que havia absorvido muito daquilo por convivência, fazendo com que as tarefas se tornassem fáceis de dominar.Agendar almoços de negócios com investidores já não era novidade alguma.No entanto, jamais imaginei que iria reencontrar Cláudio justamente em uma dessas ocasiões.Já fazia quinze dias desde a minha separação de Cláudio.Faltava um certo tempo para a audiência no tribunal. Eu não o havia procurado, e Cláudio também não entrou em contato comig

  • A Libertação de Laura   Capítulo 7

    — Você se mudou?Fiquei surpresa que ele tivesse percebido tão rápido.Afinal de contas, a única coisa que eu havia levado era o presente de casamento que meu pai nos deu.Era uma escultura de madeira que sempre ficava no hall de entrada.Sempre que ele chegava em casa, costumava pendurar o chapéu e o cachecol nela.Eu achava que, para ele, aquilo já tinha virado um objeto de decoração qualquer.— Sim.Eu respondi num tom frio.O silêncio tomou conta da linha, e, após um longo tempo, cheguei a pensar que ele tivesse desligado.Só então Cláudio abriu a boca, com a voz ligeiramente rouca.— Volta para casa, tudo o que eu disse foi da boca para fora.Era o tom mais suave que eu já tinha escutado dele, carregando até mesmo um certo desespero de quem implorava.A pessoa que, algumas horas atrás, dizia que eu não era digna, agora estava ali, se humilhando daquele jeito.— Eu ter pedido o divórcio não foi exatamente o que você sempre quis? Do que você está reclamando?— Não... A Rita e eu não

  • A Libertação de Laura   Capítulo 6

    O olhar de Cláudio vacilou por um instante.— Se você mesma não serve para engravidar, o que o meu irmão tem a ver com isso?Elsa colocou as mãos na cintura, indignada.— Se eu não consigo engravidar, quem sabe o problema não é o Cláudio que não dá conta do recado.— Sua...! — O rosto de Cláudio ficou vermelho de raiva enquanto ele apontava o dedo na minha cara.Ele queria me desmentir, mas não teve coragem.— Diga que é mentira, me mostre as provas. — Eu o provoquei.Mas ele continuou apenas com o dedo erguido, sem ousar dizer uma palavra.Houve um tempo em que eu também achei que a culpa de não conseguir engravidar fosse minha.Naquela época, ainda não tínhamos chegado ao ponto em que estamos hoje.Rita ainda era como um espinho cravado no coração dele.Nós costumávamos nos abraçar com frequência, vivendo momentos de pura ternura.Porém, após mais de dois anos de casamento, sem nunca usar nenhum método contraceptivo, nada havia acontecido, o que me fez desconfiar de que algo estava e

  • A Libertação de Laura   Capítulo 5

    Cláudio deu um passo à frente, aproximando-se ainda mais de mim.Senti sua respiração descompassada e ofegante bater contra o meu rosto.— Você tem mesmo a coragem de se divorciar de mim?Aquela fala era realmente cômica.O que me faltaria de coragem ali?Dona Glenda, ao ouvir o que eu disse, correu trêmula até mim.Segurou minhas mãos e disse:— Laura, minha filha, por que essa história de divórcio de repente? O Cláudio te tratou mal?Dona Glenda fulminou Cláudio com o olhar.— Você não vai pedir desculpas para a Laura?!Cláudio franziu a testa, completamente incapaz de compreender minhas palavras.Ele balançou a cabeça lentamente.— Se houvesse alguma coisa entre mim e a Rita, por que eu teria me casado com você?Diferente do habitual, desta vez ele disse isso com um tom quase gentil.Como se estivesse me dando uma explicação sincera.Se fosse no passado, eu provavelmente seria eternamente grata por essa mínima migalha de afeto.Teria pulado em seus braços, empolgada, e dito que sabi

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