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Capítulo 2

Autor: Segundo Amor
O resultado foi que, mais tarde, ele começou a me cortejar intensamente.

Eu achei que havia me apaixonado.

Mas, assim que Rita retornou, tudo mudou.

Ele parou de ficar em casa e começou a espremer cada pequeno tempo livre para estar ao lado de Rita.

Os oito anos o fizeram esquecer a traição de Rita, mas não o fizeram esquecer o amor que sentia por ela.

Eu fui, de fato, apenas uma palhaça que roubou breves momentos de alegria naquele período em que ela esteve ausente.

Peguei o celular na mesa de cabeceira e enviei uma mensagem a Cláudio.

Pedi para ele me avisar quando voltasse, para que eu pudesse levar meus documentos direto ao advogado e darmos entrada no divórcio.

Essa foi a primeira vez que Cláudio me respondeu tão rápido.

— A Rita ficou doente, ela realmente precisa de alguém por perto.

— Pare de fazer drama e fique em casa, seja obediente e espere eu voltar.

Eu não tinha a menor paciência para esperá-lo.

A enfermeira disse que eu precisava de repouso absoluto, então formalizei a internação no próprio hospital.

Por causa do meu pai, já havia passado dois meses dormindo em camas de hospital. As enfermeiras pareciam mais minha família do que Cláudio.

E quanto a Cláudio, que me cortejou e com quem me casei.

Ele sabia que eu só tinha meu pai como único parente, e que dependíamos um do outro.

Ele sabia que eu era uma criança adotada pelo meu pai, que eu não tinha nenhum outro amparo neste mundo.

Ele havia prometido que seria minha família para sempre.

Mas oito anos se passaram num piscar de olhos e, no fim das contas, descobri que estava completamente sozinha.

O mais ridículo é que, apesar de todas as suas promessas, nós sequer tivemos um filho.

Fiquei internada no hospital por uma semana, e só voltei para casa depois que o médico confirmou que eu estava fora de perigo.

Durante esse tempo, Cláudio não me deu um único telefonema, e eu também não me dei ao trabalho de olhar as redes sociais para saber por onde ele andava passeando com Rita.

Ao abrir a porta de casa, deparei-me com Cláudio de pé na sala de estar.

Ele segurava o celular na mão, virou a cabeça e me olhou com as sobrancelhas franzidas.

— Eu não disse para você me esperar em casa? Onde você se meteu?

Depois de falar, ele guardou o telefone. Provavelmente, ao ver que eu não estava em casa, pretendia me ligar para saber do meu paradeiro.

Se não fosse pela suspeita de que eu estivesse quebrando as regras de uma boa esposa, ele jamais se daria ao trabalho de me ligar com tanta pressa.

— Eu caí da escada e acabei de receber alta do hospital. Qual é o problema?

Cláudio pareceu querer dizer algo, mas acabou desistindo.

Ele se sentou no sofá, massageando as têmporas.

— Estou com fome. Vá fazer o jantar.

Eu o ignorei e caminhei direto para as escadas.

Furioso, ele chutou a própria mala e esbravejou:

— Laura! Essa é a atitude de uma esposa?

Apoiei-me no corrimão, virei o corpo levemente e o encarei.

— Quem é sua esposa? Não é a Rita? O que isso tem a ver comigo?

Subi para o andar de cima.

Vagamente, ouvi o barulho dele chutando a mesa de centro de vidro no andar de baixo.

Mas simplesmente tranquei a porta do quarto. De qualquer forma, já fazia muito tempo que ele não entrava em nosso quarto.

Descansei um pouco e, quando acordei, já era o dia seguinte.

Se fosse no passado, eu certamente teria me levantado às pressas para preparar as coisas essenciais para ele sair.

Mas Cláudio sempre encontrava defeitos em tudo o que eu fazia.

Dizia que as roupas que eu escolhia eram ruins, que a comida que eu cozinhava era trivial demais.

Que eu tinha modos de gente simples, indignos da alta sociedade.

Já que, aos olhos dele, eu era tão impalpável e indigna de ser apresentada, eu também não tinha mais vontade de mendigar afeto.

Contudo, ao descer as escadas, vi inesperadamente Cláudio recolhendo os cacos de vidro da mesa de centro que ele havia quebrado na noite anterior.

Ele ouviu meus passos, levantou a cabeça para me dar um olhar e logo desviou o rosto.

— Eu sei que a partida do seu pai foi um golpe muito duro para você, mas eu fiz questão de voltar ontem especialmente por sua causa. E você ainda vai sentir ciúmes da Rita?

Ontem?

— Atrasar cinco dias conta como fazer questão?

Ao ouvir isso, Cláudio jogou a vassoura no chão.

— Você não se lembra de que dia é hoje? Esqueceu do nosso aniversário de casamento?

Ele ergueu o queixo, apontando para uma caixa de presente no sofá.

— Com essa atitude desleixada que você tem comigo, ainda tem a audácia de se comparar com a Rita...

Antes de terminar a frase, ele congelou de repente.

Ele viu meu sorriso e me ouviu lembrá-lo com um tom indiferente:

— Foi anteontem, Cláudio.

Cláudio ficou visivelmente constrangido e não teve escolha a não ser mudar de assunto.

— Você disse que caiu da escada. Como isso aconteceu?

— Nada demais. Passei o dia inteiro cuidando do funeral do meu pai, depois fiquei a noite toda recebendo o vento do mar na praia. Não comi nada, tive uma crise de hipoglicemia e rolei escada abaixo.
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