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Capítulo 4

Autor: Segundo Amor
Rita olhou para Elsa, que parecia a ponto de trincar os dentes de tanta raiva, deu tapinhas nas costas da mão dela e balançou a cabeça, sinalizando para que se acalmasse.

Em seguida, virou-se para mim:

— Não ache que só por ter a Dona Glenda do seu lado, você realmente se consolidou no posto de Sra. Alves.

Consolidei?

Eu não tinha a menor intenção de continuar naquela casa.

Mas não valia a pena discutir isso com ela. Pensei em apenas entrar, cumprimentar a senhora e ir embora.

O que eu não esperava era dar de cara com Cláudio, que vinha ajudando Dona Glenda a caminhar.

— Por que você voltou?

Pensei em relatar o que tinha acabado de acontecer para que Cláudio parasse de me encher a paciência.

Mas, para minha surpresa, o sorriso nos olhos de Cláudio não parecia fingido.

Fiquei perplexa. Rita levantou-se rapidamente, abaixou a cabeça, o olhar desolado, fazendo-se de frágil e digna de pena.

— A Laura disse que eu sou uma intrusa, que não deveria vir à mansão da família, e me mandou ir embora...

— Laura? — A doçura no olhar de Cláudio dissipou-se num instante, substituída por avisos e acusações direcionados a mim.

— Eu já tenho sido tolerante o suficiente com você. Mas a Rita veio de boa vontade. Fazia anos que ela não voltava e veio especialmente para demonstrar respeito à minha família.

— Você chega tão tarde e ainda tem a audácia de tentar expulsar a Rita?

Cláudio segurou o fôlego, lançou um olhar para Dona Glenda, que parecia um tanto descontente, mas ainda assim soltou:

— Mãe, a senhora também está vendo. A Laura não tem o menor respeito pelas regras. A senhora realmente não pode culpar o seu filho.

— Eu me arrependo profundamente de ter me casado com ela.

Rita levantou a mão para cobrir os lábios, mas a presunção em seus olhos, ao me olhar, era inegável.

Elsa cruzou as pernas, olhando para mim de cima a baixo com pura arrogância, louca para me ver desmoronar ali mesmo.

Mas, de repente, eu percebi algo.

Eu estava muito calma.

Esse tipo de humilhação vinda de Cláudio já não me causava mais nada.

Quando Rita retornou ao país, Dona Glenda chegou a aconselhá-lo.

Disse que nosso casamento era estável e que ele não deveria cometer uma injustiça contra mim por causa de alguém que já o havia traído no passado.

Mas naquela época ele disse a Dona Glenda:

— Honestamente, eu me irrito só de olhar para a cara dela.

— Ela tenta todos os dias forçar modos de uma dama da alta sociedade, mas é cheia de falhas, uma imitação barata.

— Meus amigos zombam dela, e ela sequer entende as piadas. Veste aquelas roupas de alta costura parecendo uma qualquer.

— Olhando para ela, não consigo enxergar um pingo da delicadeza que uma mulher deveria ter.

Mas foi ele quem escolheu aquele vestido para mim.

Ele me disse que eu ficava linda neles.

Foi ele quem me ensinou todas as regras de etiqueta para eu sair.

Ele costumava dizer que amava meu jeito autêntico e livre de amarras.

Mas, mais tarde, tudo isso se tornou sinônimo de "costumes vulgares e de baixo calão".

Com medo de que ele fosse ridicularizado por minha causa, parei de sair e deixei de acompanhá-lo nos eventos sociais.

Então, tornei-me de novo uma esposa falha, que não sabia aliviar o peso do marido e só ficava em casa desfrutando da mordomia.

Fiz cursos para aprender etiqueta da alta sociedade, mas quando a notícia chegou aos ouvidos deles...

Tornou-se "uma tentativa patética de forçar refinamento".

Não importava o que eu fizesse, aos olhos deles, tudo estava errado.

— Perdeu a língua? Olhe para você! Oito anos se passaram e nem sinal de uma gravidez.

— Se minha mãe não tivesse me impedido, eu já teria me divorciado de você há muito tempo!

É verdade, oito anos e nós nunca tivemos um filho.

Não que nunca tivéssemos tido momentos íntimos, mas aquilo era algo que já pertencia a um passado distante.

Os pensamentos dele foram se distanciando de mim, e ele deixou de compartilhar a mesma cama que eu.

Mas mesmo na época em que seus sentimentos ainda estavam comigo, ele nunca considerou ter um filho comigo.

Ele sabia que o meu maior desejo era ter um filho, mas a gravidez nunca vinha.

Essa era uma ferida profunda no meu peito.

E ele sempre encontrava um jeito de espremer o meu ponto fraco, forçando-me a perder a postura e brigar com ele em todos os tipos de situações.

Para provar a todos que ele tinha razão.

Que eu era apenas uma louca histérica e sem classe.

Mas hoje, ouvir aquelas palavras soou quase como uma libertação.

— Tudo bem. Então, vamos nos divorciar agora mesmo.

Levantei a cabeça, e meu olhar colidiu com o de Cláudio. Pude ver seus olhos inundados de choque e pânico.
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