ログインPOV. Mel
Assim que a porta se abre, Colyn sequer me olha, corre para socorrer Valeska. Ao ver o rosto ferido dela, pergunta com gentileza enquanto a aperta firme em seus braços:
“O que aconteceu? Eu estou aqui agora, vou cuidar de você.”
Aquilo dói mais do que as surras que tenho levado, dói mais do que as doses de mata-lobo que eles têm aplicado em mim todos os dias, por isso desvio o olhar.
Beto está parado na porta, a testa franzida. Ele não olha para Valeska, ele olha para mim, como se aquela fosse a primeira vez que estivesse me vendo. Ele estende a mão e dá um passo em minha direção com a mão estendida, como se fosse finalmente correr para me tirar daquele inferno. Porém, é nesse momento que, entre soluços, Valeska diz:
“Eu fiquei sabendo que Mel estava se recusando a comer, batendo nas outras detentas e se automutilando. Fiquei preocupada, vim implorar para ela parar com isso, mas ela me atacou.”
Colyn a aperta mais forte e me encara pela primeira vez. Várias coisas passam em sua expressão: raiva, culpa, indecisão.
Em minha mente, Safira grita:
“Eles só podem estar de brincadeira, né? Não dá para acreditar nela! Olha o estado da gente, não conseguimos nem mesmo ficar de pé, como atacaríamos ela?”
Não tenho tempo para responder a Safira. A voz de Beto soa cansada e decepcionada:
“Mel, quando foi que você se tornou essa pessoa fria e calculista, a ponto de matar a vovó por causa de um testamento e agora atacar a própria irmã?”
Colyn me encara e diz:
“Fiz a escolha certa quando seus pais me procuraram, dizendo para romper com você e escolher Valeska no lugar.”
É nessa hora que desisto. Não havia nada que eu dissesse, nada que eu tentasse que os faria finalmente acreditar em mim.
“Você está suprimindo Safira para que ela não te cure?” A voz de Beto soa indignada, e ele continua: “Você quer fazer a mamãe e o papai se sentirem culpados por você? Quer que eles ignorem que é uma assassina que matou a própria avó e a levem para casa com pompas?”
Não respondo, não conto que, desde que cheguei ali, eles têm matado Safira pouco a pouco com doses de veneno, que agora ela está tão fraca que mal consegue se manter respirando, quanto mais me curar. Sei que nada que eu disser fará diferença. Eles já decidiram que sou uma mentirosa, uma grande filha de uma puta egoísta, capaz de tudo para conseguir o que quero. Então poupo minhas forças para a tortura que certamente viria naquela noite e, pela primeira vez, desejo que seja a última.
Colyn finalmente larga Valeska e agarra meus pulsos com violência. Estou tão magra e fraca que o aperto dele quebra de imediato meu osso. O barulho não é mais agoniante que meu gemido.
Colyn me solta como se tivesse levado um choque, murmurando entre arrependido e desesperado:
“Eu não fiz nada, nem coloquei tanta força assim.”
Beto finalmente corre para mim, o desespero tomando conta de seu rosto. Nenhum dos dois viu o sorriso triunfante que Valeska lançou para mim antes de finalmente vestir a máscara de preocupação e também correr para meu lado.
Beto diz:
“Mas que diabos fizeram com você? Papai ordenou pessoalmente que você não sofresse! Como você ficou desse jeito?”
Finalmente ele percebeu que ninguém seria capaz de se autoferir e ficar naquele estado em apenas dez dias, que algo de muito errado tinha acontecido. Ele me pega no colo, gritando para chamarem o médico da matilha. Ao perceber o quanto estou magra, Beto enche os olhos de lágrimas, o pânico o tomando mais completamente.
Eu sabia o que ele estava pensando: como eu, uma alfa, dona de uma loba poderosa como Safira, tinha ficado daquele jeito? Vejo o pânico virar desespero puro, mas então vejo o médico que vem correndo em nossa direção com uma seringa. Tento gritar, mas minha garganta está seca e não sai som. Encaro Beto, desesperada. Ele sempre foi capaz de me entender com um simples olhar. Rogo para que ele entenda que aquele homem vem me matando pouco a pouco todos os dias. Tento afastar a mão do médico e a seringa. Beto me abraça mais forte e diz:
“Calma, ele vai aplicar o remédio e logo você vai se sentir melhor.”
Antes que eu consiga reagir, a seringa perfura a minha pele, e a última dose de mata-lobo entra em meu corpo, me fazendo retorcer de dor. Sinto o exato momento em que Safira morre depois de um uivo agoniante em minha mente, e então fecho os olhos e lentamente me entrego à escuridão. Ainda escuto os gritos desesperados de Beto e Colyn, mas nada poderia me trazer de volta.
Pov. MelColyn se aproxima rápido. Está prestes a me tocar quando eu me retraio. A cara dele fecha imediatamente, e ele pergunta:“Mel, o que aconteceu?”Eu finalmente falo:“Nada, só não preciso que venha mais me buscar todas as manhãs. A partir de agora, eu irei sozinha para a escola.”Colyn parece que levou um soco no estômago. Nesse momento, Beto e Valeska estão descendo a escada, e Valeska corre para Colyn, dizendo:“Colyn, você já sabe? Sou a mais nova filha do alfa.”Colyn a encara com um pouco de irritação. Se eu não soubesse que, na vida passada, ele me traiu, acreditaria que ele realmente se importa comigo.Não perco mais tempo, apenas passo por Colyn e vou direto para a saída. Colyn faz menção de me segurar, mas Beto chacoalha a cabeça. Eu sorrio e penso:“Bando de hipócritas, não escolheram Valeska? Agora fiquem com ela.”Caminho o mais rápido que posso. Sem Safira comigo, eu me canso mais rápido, mas isso não vai, de forma alguma, me impedir.Quando chego à escola, vou di
Pov. Mel Acordo cedo e me visto para a escola. É tão estranho estar no meu corpo de 16 anos, mas ter minha mente de 26.Sorrio para o espelho. Se Safira tinha me dado uma segunda chance, eu ia fazer bom uso dela.Quando chego, todos já estão sentados à mesa. Valeska está sentada no meu lugar, ao lado de Beto. Minha mãe me encara preocupada e diz:“Dormiu bem, querida? Está melhor?”“Estou ótima”, respondo, e meu pai diz:“Então sente-se, vamos tomar o café juntos.”Reviro os olhos. Na vida passada, fiz um escândalo, mas, nessa, eu apenas digo:“Querem que eu me sente no chão e coma com as mãos?”Só então minha mãe se dá conta de que a mesa está preparada como sempre, com quatro lugares. Ela rapidamente pede para uma ômega trazer mais uma cadeira, pratos e talheres.Beto, sem graça, diz:“Sente-se aqui do meu outro lado, vou ficar no meio das minhas duas irmãs lindas.”Mas, quando a ômega vai colocar a cadeira ali, eu a impeço, colocando a cadeira o mais longe possível da família feli
Pov. MelDesço as escadas. É estranho como meu coração não está acelerado, minhas mãos não estão suando frio como acontecia nas últimas vezes que vi meus pais. A necessidade de ser escolhida e amada por eles me sufocava, mas agora a única coisa que eu sinto é irritação.Assim que chego à sala, vejo a cena: meus pais e Beto já estão rodeando Valeska. Na vida passada, eu estava ali também, tentando acalmá-la e me desculpando, mesmo sem culpa. Agora eu sabia: Valeska começou a me atacar no exato momento em que botou os pés na minha casa, mas, dessa vez, eu queria que ela se fode-se.Ela está parada, os olhos vermelhos de tanto chorar, os cabelos loiros meio desarrumados, e seu corpo treme visivelmente.1, 2… Conto mentalmente. Antes de chegar ao três, ela começa seu teatro:“Me perdoe, Mel, eu não quero roubar sua família nem seu lugar. Sei que não gosta de mim.”Todos me encaram, esperando eu negar. Foi exatamente isso que fiz na vida passada, mas, quanto mais eu me desculpava, mais el
Pov. MelQuando abro os olhos de novo, estou diante de Safira, minha loba branca gigantesca. A dor parece ter sumido totalmente. Olho para os lados e não enxergo nada além de um enorme espaço branco.“Onde estamos?”, pergunto para Safira, minha voz saindo clara e límpida. Ela caminha em minha direção e encosta o focinho no topo da minha cabeça de forma carinhosa antes de dizer:“Na sua mente, eu acho.”Passo meus braços em volta dela com força e digo:“Desculpa, Safira, não fui capaz de te proteger. Se tivesse te ouvido quando você quis ir embora...” Minha voz morre, mas Safira diz:“Então faça diferente.”Me afasto, encaro os olhos azuis dela e pergunto:“Como assim?”Safira suspira e diz:“Posso nos levar de volta, afinal, sou uma loba branca, mas não posso controlar quando no tempo voltaremos, nem mesmo como voltaremos, e isso vai nos custar um sentimento bom. E eu também devo hibernar por um tempo, mas volto para você assim que me recuperar.”A encaro perplexa por um longo momento
POV. MelAssim que a porta se abre, Colyn sequer me olha, corre para socorrer Valeska. Ao ver o rosto ferido dela, pergunta com gentileza enquanto a aperta firme em seus braços:“O que aconteceu? Eu estou aqui agora, vou cuidar de você.”Aquilo dói mais do que as surras que tenho levado, dói mais do que as doses de mata-lobo que eles têm aplicado em mim todos os dias, por isso desvio o olhar.Beto está parado na porta, a testa franzida. Ele não olha para Valeska, ele olha para mim, como se aquela fosse a primeira vez que estivesse me vendo. Ele estende a mão e dá um passo em minha direção com a mão estendida, como se fosse finalmente correr para me tirar daquele inferno. Porém, é nesse momento que, entre soluços, Valeska diz:“Eu fiquei sabendo que Mel estava se recusando a comer, batendo nas outras detentas e se automutilando. Fiquei preocupada, vim implorar para ela parar com isso, mas ela me atacou.”Colyn a aperta mais forte e me encara pela primeira vez. Várias coisas passam em s
POV. MelMeu corpo dói tanto que cada passo parece uma tortura. Minhas roupas estão sujas de sangue seco e cheiro como lixo apodrecido, quando finalmente a cela se abre, deixando uma fresta de luz entrar dentro daquele lugar escuro e sombrio.A maldita esperança toma conta de mim. Talvez eles finalmente tivessem acreditado em mim, talvez tivessem vindo me buscar depois de quase dez dias naquele inferno.Safira, minha loba, ri enfraquecida e amarga dentro de mim, dizendo:“Não seja idiota, Mel, eles não nos querem mais.”As palavras dela fazem meu corpo estremecer, e uma crise violenta sacode meu corpo. É quando ouço a maldita risada de Valeska.“Ora, ora, se não é a princesinha da matilha Sangue Azul aqui deitada, esperando a morte.”A encaro, levantando a cabeça com dificuldade, e digo:“Não fui eu que envenenei a vovó, por favor, diga para eles.”Mas ela ri ainda mais alto e diz:“Claro que não fui eu que fiz isso. Aquela velha maldita, mesmo depois de eu ter feito tudo para conquis







