LOGINPonto de vista de AveryDierdra me deixou ali, caída no chão.Mas não antes de me dar um último chute rápido na lateral do corpo.— Talvez você tivesse algum controle sobre mim em Nightwolf. — Ela se ergueu sobre mim, uma sombra escura bloqueando a luz das velas. — Mas não aqui, escrava. Aqui, sou eu quem manda em você. Você é só a vadia que vai parir os filhotes do Rei dos Renegados.Com isso, virou-se e saiu da tenda a passos firmes. As duas escravas a seguiram, as correntes tilintando. Ninguém me ajudou. Nem mesmo quando fiquei encolhida em posição fetal no chão, agarrada à minha barriga.“Levante”, minha loba ordenou. “Você precisa levantar!”Senti a força dela pulsar através de mim, apenas por um momento, mas foi o suficiente para me arrancar do torpor. Apoiei-me nas mãos e nos joelhos, depois consegui me sentar por completo. Respirei fundo e olhei para baixo. Um soluço rasgou minha garganta, e o abafei com a mão.Vermelho.Tanto vermelho.O sangue agora jorrava entre min
Com isso, Asher foi embora. Ele posicionou o guarda ao lado da minha tenda, então eu não tinha como escapar.Suspirei e me sentei na beirada da cama, puxando cuidadosamente o anel do dedo. Minha pele doía onde a prata havia roçado, mas, fora isso, eu me sentia bem. Minha barriga tinha parado de doer, e coloquei a mão sobre ela.— Está tudo bem? — Perguntei à minha loba.Eu ainda conseguia sentir sua energia suave envolvendo o feto, protegendo-o.“O bebê está bem. Ficou um pouco machucado com a sua queda, mas vai ficar tudo bem.”Assenti para mim mesma, aliviada. Apesar de tudo, meu bebê era minha maior prioridade. Eu nunca tinha percebido o quanto queria um filho até agora, mas sabia que não podia deixar nada acontecer com ele ou ela. Mesmo que proteger meu filho significasse não conseguir usar a força da minha loba para me transformar, isso não mudaria.Não fiquei sozinha por muito tempo antes que a aba da tenda fosse aberta de novo. Dierdra entrou com passos firmes, acompanhada
Ponto de vista de AveryA prata fez minha loba rosnar e recuar. Ou talvez fosse apenas a frieza do anel se acomodando ao redor do meu dedo, como uma adaga gelada pressionada contra minha pele. Por um momento, quase desejei que ele tivesse cortado meu dedo fora.— Solte-a. — Asher disse, gesticulando para o guarda.O guarda tirou a bota das minhas costas, e Asher estendeu as mãos para mim.— Deixe-me ajudá-la a levantar.Ignorei a oferta e me levantei, limpando a poeira do corpo. Minha mente disparava. Se eu recusasse o pedido, não tinha certeza do que Asher poderia fazer. Provavelmente tomaria o que queria de qualquer jeito e tornaria tudo muito mais miserável para mim.E para o meu bebê.Mas, se eu entrasse no jogo, talvez conseguisse encontrar uma saída. Eu só precisava ganhar tempo até o momento certo. Alguém certamente viria atrás de mim. Gideon me encontraria, caso eu não conseguisse escapar primeiro.Decidi que seria mais seguro fingir que aceitava os planos de Asher. Ent
— Você deve saber alguma coisa. — Falei, virando-me completamente para encará-la.Ela fungou e deu um passo para a luz. Vi que seus olhos estavam vermelhos e inchados, como se tivesse chorado por horas.— Eu não sei.Sua voz baixou, e algo passou por seu rosto. Algo que eu não consegui interpretar.— Mas sinto que o Rei dos Renegados está por trás disso. Você não sente?É claro que sim. Aquele desgraçado vinha mexendo com Avery havia tempo demais para ser descartado como possibilidade. Ele foi a primeira coisa que me veio à mente quando ela desapareceu.Mas, naquele momento, eu não tinha nenhuma pista sobre sua localização. Se ele a levou, provavelmente a teria levado para algum lugar bem escondido, algum lugar onde eu não pensaria em procurar. Não seria fácil rastreá-los.Mas havia alguns que talvez soubessem.Encontrei Reynaud em um bar, um que aparentemente ele vinha frequentando, segundo os boatos, desde sua queda. Já estava um pouco bêbado, com a cabeça baixa, empoleirado
Ponto de vista de GideonProcurei por horas.Não havia sinal de Avery. Nenhum cheiro. Nenhuma pegada. Nada que indicasse para onde ela tinha ido ou por quê.Tudo que me restava era o fantasma daquela sensação que senti por um breve instante, o momento em que percebi sua decisão de partir, e nada mais.Ainda assim, continuei procurando. Avery era minha companheira, mesmo que ainda não quisesse me aceitar. Eu não simplesmente permitiria que ela fosse embora. Ou que fosse levada. Eu não tinha certeza de qual dos dois tinha acontecido, mas sabia que não a deixaria escapar da minha vida tão facilmente.— Talvez seja hora de voltar, Alfa. — Meu Beta disse.O sol já tinha se posto havia muito tempo, transformando o céu em um tom apagado de azul acinzentado. Estávamos nisso havia seis horas, talvez até mais. Perdi a noção.— Podemos procurar de novo pela manhã.Pela manhã? Até lá, ela poderia estar morta.Ignorei Tegan, mantendo o focinho rente ao chão. Tinha que haver um cheiro ali e
Ele agarrou minha mão e colocou o tapa-olho na minha palma. Ainda estava quente por ter ficado contra o rosto dele. Asher fechou meus dedos ao redor do tecido e apertou com força, tão forte que doeu.— Você não quer ser minha rainha?— Eu nunca serei sua rainha renegada.Ele bufou.— Claro que não. Eu jamais esperaria que uma princesa Lycan se rebaixasse ao status de renegada. Mas você vai se casar comigo, Avery, e vai gerar meus filhotes. Exatamente como nossos pais pretendiam. Receio que você não tenha escolha nesse assunto. Nunca teve.Minha garganta se apertou. Senti a bile subir, mas a engoli e apertei o tapa-olho com força.— Não. Eu não vou me casar com você.Antes que ele pudesse reagir, joguei o tapa-olho e a tocha mais fundo na caverna. Ele se virou, atordoado por um instante. Enquanto estava distraído, enterrei o cotovelo em sua coluna.Com força.Força suficiente para fazê-lo se espatifar no chão de pedra.E então corri.Asher ficou desnorteado por um momento. Eu
(PONTO DE VISTA DE AVERY)O belo Alfa se aproximou, encarando meu pescoço. Seus olhos eram punhais afiados perfurando minha pele. O próprio ar ao redor dele ondulava com intensidade enquanto ele me prendia no lugar com o olhar.Ah, merda, merda!Meus instintos gritavam para eu fugir desse predado
(PONTO DE VISTA DE AVERY)O som da chave girando na minha porta pareceu obscenamente alto.Quando Zara entrou, seu rosto ostentava uma expressão altiva e satisfeita. Meu estômago afundou. Isso não seria bom.— Que sorte a sua. Você vai viver um pouco mais. — Informou ela, jogando uma pilha de rou
(PONTO DE VISTA DE AVERY)Alguns dias depois, parei diante do espelho. Puxei a gola da camisola no ponto onde o ombro encontrava o pescoço. Minha marca de mordida já estava cicatrizada. Foi incrivelmente rápido. Toquei a pele lisa, sem acreditar.Agora não havia nenhuma indicação visível do que ac
(PONTO DE VISTA DE AVERY)— Que diabos... — Meu pai praguejou enquanto subia as escadas pesadamente.Ele e minha madrasta invadiram o quarto. Tentei recuar enquanto eles avançavam sobre mim no espaço reduzido. Zara agarrou meu braço e me girou bruscamente para que a mordida ficasse bem visível sob







