LOGINPonto de vista de Avery— Afaste-se de mim. — Gideon disse, empurrando minha mão de volta através das barras.— Gideon, por favor...— Eu disse para se afastar! — Sua voz estava rouca. — Você fez sua escolha. Escolheu ele.Encarei-o através das barras. Seu rosto estava pálido, marcado por sangue e terra. O ferimento em sua lateral ainda vazava sangue.— Isso não é verdade. — Falei baixinho.— Você ficou parada ali e assistiu enquanto ele me torturava. Não disse uma palavra. Não tentou impedi-lo. Dierdra sempre esteve certa sobre você.Meu peito doeu.— Gideon... Não é o que você está pensando.— Poupe-me.Ele virou o rosto.— Não quero ouvir.Por fim, a frustração tomou conta de mim. Típico. Ele nunca queria me ouvir, não quando importava. Bem, eu não tinha tempo para as bobagens dele naquele dia. Precisava me concentrar em tirar nós dois dali, e não conseguiria fazer isso se ele estivesse sangrando até morrer.Cerrando os dentes, enfiei a mão pelas barras de novo, desta v
Depois de vestir Lindsey com o meu roupão e deitá-la na minha cama, certificando-me de puxar as peles ao redor dela para parecer que eu estava dormindo, coloquei um lenço na cabeça para esconder meu cabelo e escapei pelo buraco que eu havia cavado dias atrás.Ninguém me notou. Um guarda estava encostado em um poste, meio adormecido. Ele nem sequer olhou para mim quando passei.Mantive a cabeça baixa e me movi rapidamente pelo acampamento. Ninguém prestou atenção em mim. Para eles, eu era apenas mais uma escrava.Eu estava na metade do caminho para as jaulas quando uma mão agarrou meu braço.— Você aí. — Latiu uma voz áspera. — Escrava.Eu congelei. Meu coração disparou quando me virei para encarar o renegado. Ele era alto e de ombros largos, com um mapa de cicatrizes cruzando o rosto.— S-sim? — Gaguejei.— Meu penico precisa ser esvaziado. — Ele empurrou um balde nas minhas mãos. — E ande logo com isso.Encarei o balde. Estava cheio de urina e fezes, e o cheiro era tão forte q
Ponto de vista de AveryToda vez que fechei os olhos naquela noite, vi Gideon.Sangrando.Gritando.Nu e humilhado diante de todo o acampamento enquanto eu ficava parada ali como uma estátua.A imagem da faca de Asher mergulhando em sua lateral se repetia sem parar na minha mente. Ele o tinha esfaqueado com uma lâmina de prata mais cedo, garantindo que seus ferimentos não cicatrizassem. O som dos gritos de Gideon ainda ecoava na minha cabeça.E o pior de tudo era o modo como ele tinha olhado para mim.— Por que você está só parada aí? — Ele tinha gritado. — Avery!Eu apenas me virei e fui embora. A multidão se abriu como o mar, e os gritos de Gideon me seguiram por todo o caminho até minha tenda.Rolei na cama, puxando as peles até o queixo. Meu bebê chutou suavemente contra minhas costelas. Coloquei a mão sobre a barriga.Eu precisava proteger aquela criança. Esse era o motivo de eu ter ficado calada. Se cedesse às exigências de Asher, ele me obrigaria a abortar. E eu não po
Eu queria dizer a Asher que faria qualquer coisa. Se aquilo significasse proteger Gideon de um destino certamente longo e agonizante, então eu faria.Mas eu estava congelada. Por mais que tentasse, as palavras simplesmente não vinham. Porque, no fundo, eu sabia que não conseguiria abortar meu bebê. Era a única coisa que eu tinha. Eu não deixaria Asher tirá-lo de mim, mesmo que isso significasse machucar meu companheiro.Tinha que haver outro jeito. Minha mente começou a disparar. Gideon não tinha vindo sozinho, tinha? Talvez pudéssemos encontrar ajuda. Sair dali juntos.E então...Asher interpretou meu silêncio como um desafio e agarrou a unha de Gideon com o alicate. Dei um passo à frente, a respiração presa. Asher me lançou um sorriso de escárnio que fez minha boca secar.Então começou a puxar.Eu queria desviar o olhar enquanto ele puxava, mas não consegui. Forcei minha expressão a permanecer neutra, mesmo quando Gideon acordou e começou a gritar. Mesmo quando o sangue começou
Ponto de vista de AveryO caos acabou diminuindo.Mas, com meu coração batendo daquele jeito e o sangue rugindo nos meus ouvidos, eu mal consegui perceber.Andei de um lado para o outro dentro da tenda, torcendo as mãos enquanto o acampamento ficava em silêncio. Minha mente corria.Gideon tinha vindo por mim, afinal? Aquela carta que ele enviou... Era um disfarce? Uma distração para impedir Asher de agir antes que eu fosse resgatada?Ou era outra coisa?Eu mal ousava ter esperança de que a ajuda tivesse chegado, mas meu coração se agarrava a isso mesmo assim. Continuei olhando para a porta, imaginando que Gideon, ou alguém, qualquer pessoa, poderia atravessar aquela aba da tenda. Que a sombra do lobo montando guarda ali fora acabaria encontrando um fim violento e brutal, e que meu salvador viria me buscar.Mas isso nunca aconteceu.Por fim, conforme o acampamento parou de ecoar com os sons da batalha e o alarme deixou de tocar, comecei a perder a esperança.Nada aconteceu por
Com sorte, não precisaríamos dar sinal algum. Por mais que eu quisesse vingança, o objetivo daquele dia era simplesmente resgatar Avery. Arrasar aquele lugar maldito ficaria para depois, quando tivéssemos recursos suficientes.— Fiquem perto. — Murmurei quando todos estavam prontos. — E mantenham a cabeça baixa.Aproximamo-nos do acampamento devagar, misturando-nos ao grupo de renegados que voltava das patrulhas. Os guardas mal olharam para nós quando passamos pelo portão. Meu coração martelava, mas mantive a expressão neutra e o passo casual.Uma vez lá dentro, me separei do grupo e segui na direção das jaulas. Não captei o cheiro dela. Para meu alívio, Avery não estava em nenhuma daquelas jaulas. Não reconheci nenhum dos escravos.Uma garota olhou para mim por um momento longo demais. Mas me virei depressa, assobiando, e continuei andando. Ela não me chamou nem me seguiu, e presumi que não tivesse me dado atenção.Depois de observar mais um pouco o acampamento, finalmente aviste
(PONTO DE VISTA DE AVERY)O belo Alfa se aproximou, encarando meu pescoço. Seus olhos eram punhais afiados perfurando minha pele. O próprio ar ao redor dele ondulava com intensidade enquanto ele me prendia no lugar com o olhar.Ah, merda, merda!Meus instintos gritavam para eu fugir desse predado
(PONTO DE VISTA DE AVERY)O som da chave girando na minha porta pareceu obscenamente alto.Quando Zara entrou, seu rosto ostentava uma expressão altiva e satisfeita. Meu estômago afundou. Isso não seria bom.— Que sorte a sua. Você vai viver um pouco mais. — Informou ela, jogando uma pilha de rou
(PONTO DE VISTA DE AVERY)Alguns dias depois, parei diante do espelho. Puxei a gola da camisola no ponto onde o ombro encontrava o pescoço. Minha marca de mordida já estava cicatrizada. Foi incrivelmente rápido. Toquei a pele lisa, sem acreditar.Agora não havia nenhuma indicação visível do que ac
(PONTO DE VISTA DE AVERY)— Que diabos... — Meu pai praguejou enquanto subia as escadas pesadamente.Ele e minha madrasta invadiram o quarto. Tentei recuar enquanto eles avançavam sobre mim no espaço reduzido. Zara agarrou meu braço e me girou bruscamente para que a mordida ficasse bem visível sob







