LOGINGideon
A pequena equipe americana sorri enquanto fecha a pasta diante de si.
— Para nós, este projeto representa um passo importante. E acreditamos que a experiência da sua empresa será fundamental para que ele seja executado como planejamos.
Aperto os dedos uns contra os outros sobre a mesa.
— Também consideramos essa parceria estratégica, Adam.
Faço uma breve pausa antes de me voltar para o homem sentado
Evangeline— Uma equipe médica, senhora.Apenas meneio a cabeça.— Onde fica?— É por aqui.Sigo o rapaz pelo longo corredor, até pararmos diante de uma porta fechada. A abro devagar e encontro pelo menos cinco homens usando jaleco branco dentro da sala. Eles me cumprimentam com um semblante sério. Mas não respondo nenhum deles.— Sente-se, senhora Volkov.Um deles me pede e eu faço.— Eu sou o doutor Aleksandr Mikhailov. Eu sinto muito pelo seu marido…— O que vocês querem de mim?Dispenso suas explicações vazias.— Eu e minha equipe olhamos os exames do seu marido. Ele precisa de uma cirurgia urgente…É tão óbvio. Penso. Por que ninguém ligou para esse detalhe antes? Por que ninguém lutou por ele? Por que não evitaram que esse momento
Evangeline— Quero que faça minha cirurgia.Gideon diz de repente. Confusa, franzo a testa.— Você sabe que eu não posso…— Sim, você pode.— Gideon, para todos os efeitos somos marido e mulher. Isso iria contra a ética profissional…— Que se foda a ética!Ele tosse. Percebo que não está nada bem.— Eu não confio em mais ninguém, Eve. — Gideon confessa com dificuldade, levando uma mão ao peito. — Eu só tenho você…E para o meu desespero, os olhos dele se fecham.— Gideon? — O chamo.Seu rosto perde a cor. E a mão que segurava a minha, escorrega dos meus dedos. Seu corpo fica subitamente inerte sobre a cama.— Gideon?! — Minha voz se eleva um pouco.A m&
GideonMeu tio avança sobre o médico, mas Anton o detém.— Tenho documentos, históricos de conversas, e-mails, áudios de negociações. Tudo guardado em um arquivo.— Seu cretino, filho da puta! — Dimitri grita, lutando para se livrar do agarre do meu amigo.Sinto que estou sendo esmagado por dentro. Por um instante não sei mais em quem confiar. O meu tio. O homem que me criou como seu filho, que esteve o tempo todo do meu lado. E o médico que jurou cuidar da minha família.Então algo se passa pela minha cabeça. Meu pai. Ele também fez parte dessa conspiração? E o meu avô?… Manter viva a ideia da maldição dos primogênitos dos Volkov.Meus dedos se fecham com tanta força contra minha palma, que sinto a ardência na pele.— E… o meu pai?A pergunta escapa da minha boca, à medida que encaro meu tio. O silêncio me faz olhar para o médico outra vez. Ele leva uma mão a nuca e solta uma respiração trêmula em seguida.— A cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva é uma doença hereditária, Gideon.
Gideon— Uma opinião longe dos domínios dos Volkov.— O que isso quer dizer? — Alina se pronuncia.— Exatamente o que você viu nesse laudo. OVolto o meu olhar para Viktor que agora mantém seu olhar fico no documento.— Que existe uma possibilidade de uma intervenção cirúrgica capaz de melhorar significativamente o meu quadro.Dou um passo na direção dele.— O que disse? — Mamãe indaga incrédula. — Você… v-você não vai morrer?A voz dela embarga. Contudo, continuo encarando o meu médico.— Me explique por que essa possibilidade nunca foi discutida comigo antes, doutor Viktor Sokolov? — questiono.Ele ergue a cabeça, solta um pigarro. Parece incomodado com os olhares em cima dele.— Gideon, você precisa compreender que o seu caso…Não espero terminar.Agarro Viktor pelo terno impecável e o empurro brutalmente contra uma parede. O impacto faz um quadro acima da sua cabeça balançar. E o meu antebraço pressiona com força a garganta dele, impedindo-o de se afastar.Um ruído de cadeiras arr
Gideon— Esperem aqui!Peço minutos depois, abrindo a porta de uma sala privada, e recebo os olhares de todos para mim. Alguns parecem confusos. Outros estão cheios de interrogação. E apenas um par de olhos está preocupado, o de minha mãe. Irina está sentada ao lado da minha prima, enquanto tio Dimitri ocupa uma das cadeiras próximas à cabeceira da mesa retangular. Doutor Viktor está em um canto afastado, perto de uma janela. Seus braços estão cruzados e ele carrega uma expressão de tranquilidade, de quem passou a vida cuidando da minha saúde.Observo cada um deles em silêncio. Sem expressão. Mas dentro da minha cabeça as perguntas gritam inquietas. A tensão estampada em seus rostos não passa despercebida. Tampouco as perguntas silenciosas que parecem aguardar minha entrada.— A culpa é sua! — Tio Dimitri acusa, ficando de pé, enquanto encara rudemente a minha esposa, que para do meu lado. — Como pode ser tão irresponsável, a ponto de tirar o meu sobrinho desse hospital sem uma recome
Gideon— E… o que isso muda? — pergunto. — Minha condição continua sendo grave, não é?— Sim. Não vou minimizar os riscos. Seu coração apresenta alterações que exigem tratamento especializado. E os episódios recentes de taquicardia não podem ser ignorados. Mas existe uma possibilidade que o senhor precisa conhecer.O médico faz uma pausa, como se escolhesse cuidadosamente as próximas palavras.— Uma intervenção cirúrgica pode melhorar significativamente o seu quadro.Demoro a compreender a frase.— Que tipo de intervenção?— Uma miectomia septal. É um procedimento no qual removemos uma pequena porção do músculo cardíaco espessado que está obstruindo a saída do sangue do ventrículo esquerdo. Pelos resultados que temos até agora, o senhor pode ser candidato à cirurgia. Precisaremos concluir a avaliação pré-operatória e analisar todos os riscos antes de tomar uma decisão definitiva.Fico imóvel.Uma cirurgia.A palavra ecoa na minha cabeça, mas não consigo atribuir a ela um significado q







