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last update publish date: 2026-09-24 18:53:21

Gideon

Solto um suspiro, me sentindo vazio por dentro.

Em alguns minutos, o veículo adentra a propriedade da família Volkov. Uma das famílias mais poderosas e temidas em toda a Rússia. O carro para em frente às portas imponentes de madeira rústica e eu me forço a sair dele.

— Gideon, querido, por que demorou tanto?

Alina Volkov, minha prima, resmunga assim que adentro o hall da mansão. Sem lhe responder, tiro o terno que tem alguns finos flocos de neve. Mas, antes que eu consiga colocá-lo no su
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  • A MALDIÇÃO DOS VOLKOV   78

    Evangeline… O que estou fazendo com você?… Eu disse, sem sentimentos.Fecho os olhos, sentindo o coração disparar.… Você quer prazer? Posso te dar o prazer que tanto quer.Abro os olhos e sinto o ar ficar preso nos pulmões.… Mas não me peça amor.Me viro para olhá-lo outra vez.Sem amor. Apenas um acordo e nada além disso.— Por que não consegue aceitar isso, Evangeline Ziron?Irritada, saio do quarto e retorno à sala de reuniões, agora vazia.— Evangeline?— Irina! — digo quando ela entra de repente.Ela se aproxima e me abraça demoradamente.— Como ele está?— Está bem. Mas não pode receber visitas.Percebo a preocupação nos olhos dela.

  • A MALDIÇÃO DOS VOLKOV   77

    EvangelineA observo enrijecer a mandíbula. Mas ela assente em seguida. — Tudo bem, desde que me pague o que ofereceu.— A senhora receberá cada centavo.— Perfeito! — Anastasia abre um sorriso profissional. — Não se preocupe, senhora Volkov, seu marido estará em boas mãos.— Eu conto com isso, doutora.— Naturalmente.— Amanhã revisarei cada detalhe pessoalmente antes da cirurgia. Não podemos correr riscos desnecessários.Anastasia ergue os olhos dos papéis e esboça um sorriso discreto.— É claro. Estamos falando de uma cirurgia delicada. Mas o nosso sucesso depende de uma equipe preparada.— Deixe que eu me preocupo com essa parte, doutora. Eu só preciso que salve a vida do senhor Volkov.— Quanto a isso não tenha dúvidas, senhora

  • A MALDIÇÃO DOS VOLKOV   76

    Evangeline— Uma equipe médica, senhora.Apenas meneio a cabeça.— Onde fica?— É por aqui.Sigo o rapaz pelo longo corredor, até pararmos diante de uma porta fechada. A abro devagar e encontro pelo menos cinco homens usando jaleco branco dentro da sala. Eles me cumprimentam com um semblante sério. Mas não respondo nenhum deles.— Sente-se, senhora Volkov.Um deles me pede e eu faço.— Eu sou o doutor Aleksandr Mikhailov. Eu sinto muito pelo seu marido…— O que vocês querem de mim?Dispenso suas explicações vazias.— Eu e minha equipe olhamos os exames do seu marido. Ele precisa de uma cirurgia urgente…É tão óbvio. Penso. Por que ninguém ligou para esse detalhe antes? Por que ninguém lutou por ele? Por que não evitaram que esse momento

  • A MALDIÇÃO DOS VOLKOV   75

    Evangeline— Quero que faça minha cirurgia.Gideon diz de repente. Confusa, franzo a testa.— Você sabe que eu não posso…— Sim, você pode.— Gideon, para todos os efeitos somos marido e mulher. Isso iria contra a ética profissional…— Que se foda a ética!Ele tosse. Percebo que não está nada bem.— Eu não confio em mais ninguém, Eve. — Gideon confessa com dificuldade, levando uma mão ao peito. — Eu só tenho você…E para o meu desespero, os olhos dele se fecham.— Gideon? — O chamo.Seu rosto perde a cor. E a mão que segurava a minha, escorrega dos meus dedos. Seu corpo fica subitamente inerte sobre a cama.— Gideon?! — Minha voz se eleva um pouco.A m&

  • A MALDIÇÃO DOS VOLKOV   74

    GideonMeu tio avança sobre o médico, mas Anton o detém.— Tenho documentos, históricos de conversas, e-mails, áudios de negociações. Tudo guardado em um arquivo.— Seu cretino, filho da puta! — Dimitri grita, lutando para se livrar do agarre do meu amigo.Sinto que estou sendo esmagado por dentro. Por um instante não sei mais em quem confiar. O meu tio. O homem que me criou como seu filho, que esteve o tempo todo do meu lado. E o médico que jurou cuidar da minha família.Então algo se passa pela minha cabeça. Meu pai. Ele também fez parte dessa conspiração? E o meu avô?… Manter viva a ideia da maldição dos primogênitos dos Volkov.Meus dedos se fecham com tanta força contra minha palma, que sinto a ardência na pele.— E… o meu pai?A pergunta escapa da minha boca, à medida que encaro meu tio. O silêncio me faz olhar para o médico outra vez. Ele leva uma mão a nuca e solta uma respiração trêmula em seguida.— A cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva é uma doença hereditária, Gideon.

  • A MALDIÇÃO DOS VOLKOV   73

    Gideon— Uma opinião longe dos domínios dos Volkov.— O que isso quer dizer? — Alina se pronuncia.— Exatamente o que você viu nesse laudo. OVolto o meu olhar para Viktor que agora mantém seu olhar fico no documento.— Que existe uma possibilidade de uma intervenção cirúrgica capaz de melhorar significativamente o meu quadro.Dou um passo na direção dele.— O que disse? — Mamãe indaga incrédula. — Você… v-você não vai morrer?A voz dela embarga. Contudo, continuo encarando o meu médico.— Me explique por que essa possibilidade nunca foi discutida comigo antes, doutor Viktor Sokolov? — questiono.Ele ergue a cabeça, solta um pigarro. Parece incomodado com os olhares em cima dele.— Gideon, você precisa compreender que o seu caso…Não espero terminar.Agarro Viktor pelo terno impecável e o empurro brutalmente contra uma parede. O impacto faz um quadro acima da sua cabeça balançar. E o meu antebraço pressiona com força a garganta dele, impedindo-o de se afastar.Um ruído de cadeiras arr

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