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Penulis: Scarlett Voss
last update Tanggal publikasi: 2026-04-04 06:53:45

***Lucca Schutz***

No outro dia o meu pai saiu cedo do hotel onde estamos, ele nem me acordou ou ao menos considerou me levar para aonde quer que fosse hoje. Ele nem me avisou o que iria fazer hoje.

Não posso o repreender, afinal fiquei muitos anos fora, então ele nem deve ter mais o costume ter alguém ao seu lado, me lembro quando era mais novo que ia sempre com ele para todos os lugares.

O meu pai sempre foi um exemplo a ser seguido, tanto profissionalmente como a sua personalidade, com o passar do tempo consegui entender a dinâmica dele no relacionamento onde a lealdade e respeito eram junto com o amor o alicerce deles.

Fiquei horas pensando e analisando tudo o que já vivi e com quem me relacionei e não encontrei ninguém que me prenda desta forma. A verdade é que nunca amei ninguém e apenas a ideia de ter que dar satisfação de todos os meus passos me dava arrepios.

Para me livrar dessa sensação ligo o meu celular, mesmo de longe gosto de manter as minhas opções em aberto e claro quem sabe uma louca aceita me encontrar por uma noite aqui em Londrina.

Isso levou muito mais tempo do que eu esperava e acabo me assustando com a chegada do meu pai, realmente deixei o telefone tempo demais desligado graças a Dona Sara.

— Ainda está aqui? — não consegui entender a repreensão que a voz do meu pai carregava.

— Estaria onde?

— No seu apartamento arrumando as suas coisas, afinal amanhã você tem que estar na logística às sete da manhã — ele me responde irritado como se eu estivesse errado.

— Só me explica um detalhe — o meu pai me olha atentamente e sei que ele está pronto para rebater — Como vou entrar no apartamento?

— Que pergunta mais idiota, Lucca, com a chave — ele enfia a mão no bolso e retira chave do apartamento, nessa hora preciso de um esforço tremendo para não começar a gargalhar, mas assim que ele olha para a chave na sua mãe e olha nos meus olhos não me aguento e começo a gargalhar assim como ele.

— Bom, agora que sabemos com quem está a chave, vou oficialmente me mudar — ele j**a a chave em cima da cama ainda rindo enquanto negava com a cabeça.

— Passei no seu apartamento e vi que o seu carro já foi entregue — confirmo com a cabeça, afinal recebi a notificação — E o Treu?

— Vou passar para buscar ele amanhã cedo.

— Não, amanhã cedo você vai para a empresa — o meu pai me repreende tanto com a voz como o olhar.

— Pai, você ficou fora praticamente o dia todo com a chave no seu bolso e quer que eu faça tudo agora? — até poderia fazer isso, porém preciso de um tempo para apresentar ao Treu o ambiente, afinal ele já ficou tempo demais longe de mim.

— Merda… — ele senta suspirando na poltrona em frente à cama.

— O que está acontecendo? Está mais abatido e cansado que o normal.

— Nada que tenha que se preocupar, amanhã faça a sua mudança e vai à empresa na segunda.

— Não preciso de tudo isso, posso muito bem me resolver amanhã…

— Deixa para segunda — ele me interrompe ainda pensativo, algo estava acontecendo, mas sei que ele vai me contar quando chegar a hora.

— Tudo bem, pelo menos Treu vai ter um tempo comigo.

— Quer enganar quem Lucca? Você precisa mais dele do que ao contrário — não respondo, apenas dou de ombros, afinal ele está certo, quem está mais com saudades sou eu.

A minha mudança nada mais é do que as poucas roupas que trouxe, afinal não planejo ficar por muito tempo, além de alguns itens decorativos, enfim o básico para viver além de alimentos.

Logo cedo o meu pai me deixou sozinho me informando que tem alguns assuntos para tratar, novamente vem ele com esses seus assuntos misteriosos, mas se não quer me envolver aproveito para não me preocupar antes da hora.

Após a compra no supermercado vou ao veterinário que estava cuidando do Treu, ele como sempre não esboça agitação ao me ver, esse treinamento dele foi árduo, mas conseguimos o deixar o mais protetor possível e claro, extremamente controlado.

Posso o deixar perto de qualquer animal ou pessoa que ele não atacará sem motivo, com isso consegui frequentar todos os lugares enquanto estava fora, mas aqui no Brasil optei por deixar ele em casa enquanto estiver na empresa.

Não tive problemas com ele dentro carro ou enquanto estava subindo com as coisas, claro que não encontrei ninguém no meio do caminho, mas na última vez que subi tive o desprazer de conhecer a minha vizinha.

Estava subindo as escadas tranquilamente com o Treu ao meu lado quando escuto um grito que fez a minha alma sair correndo de susto, demoro alguns segundos para entender que o medo dela estava direcionado para nós.

— Como um monstro como esse está sem focinheira e sem guia? — escuto a voz daquele ser minúsculo gritando conosco, não consigo acreditar que ela consegue gritar tanto, muito menos que era aquele ser que despertou tanta admiração no meu pai.

— Ele não é monstro e não precisa gritar — respirava fundo para não ser grosso ou mal-educado, mas estava complicado por conta do escândalo que ela está fazendo.

— Como não? Ele vai me matar — nessa hora um rato sai pela porta e vejo o Treu fazer algo que anos não vejo, ele sai correndo atrás daquele rato, por alguns segundos eu juro que pensei que estaria muito encrencado.

— Ele vai matar a Chisai — ela volta a gritar sapateando no mesmo lugar já começando a chorar.

— Sai da minha frente — acabo sendo mais grosso a empurrando para o lado na tentativa de impedir um ataque do Treu, mesmo sabendo que isso era impossível, mas paraliso ao ver o Treu lambendo aquele rato que não latia e o pior ele apenas demonstrava… felicidade?

— Seu grosso — ela me empurra indo em direção dos dois como uma louca e nesse momento temi pela vida do meu pitbull, eu avisei que ela era estranha, mas o meu pai não acreditou, em um minuto está gritando em pânico, agora parece que vai matar um.

— Calma aí, sua louca, o que pensa que está fazendo? — ela se vira para trás com um olhar tão mortal que realmente fiquei com medo e dou alguns passos para trás temendo pela minha vida agora.

— Louca é a sua mãe.

— Deixa Dona Sara fora disso, agora me explica por que tem um rato? — aquele rato-preto vem andando até mim todo majestoso e morde… ele mordeeeeeeee a minha canela.

— Não se atreva — a sua voz sai tão baixa que paraliso no lugar, sim, eu iria chutar aquele rato para longe — Não morda qualquer coisa Chisai, vamos entrar.

— Como assim qualquer coisa?

— Obrigada por não comer a Chisai — espera ela está falando com o meu cachorro? E o pior ele está contente…

Ela me ignorou, ofende o meu cachorro, o seu rato me morde e ainda por cima ela consegue fazer o Treu demonstrar os sentimentos e... Merda, estou parado no meio do corredor pensando demais.

Volto até a escada pegar as sacolas que ficaram lá jogadas pelo meu susto com os gritos da vizinha louca e quando chego ao meu apartamento, vejo o Treu deitado no tapete da porta dela. Que merda está acontecendo aqui?

— O que te deram na clínica? A sua casa é aqui — aponto para dentro do apartamento, mas o Treu nem se mexe, era só o que me faltava, quando eu reclamei que ele não demonstrava sentimentos, não estava me referindo a teimosia.

Entro com as sacolas deixando a porta aberta para quem sabe assim o MEU companheiro canino resolva sair da porta da vizinha. Escuto barulho de chaves e a sua porta é aberta, ela me olha mortalmente e com receio ela leva a sua mão na cabeça do Treu que ergue a sua cabeça para chegar logo a sua mão à fazendo pular de susto.

— Eu não acredito — me jogo no sofá chamando a atenção dela que apenas resmunga alguma coisa, mas percebo o meu cachorro mais feliz que nunca.

— Aishhhh — ela resmunga um pouco mais alto e sai andando para a escada com aquele rato na mão e observo o meu cachorro se levantar e ir atrás dela.

— Treu, volta aqui — me levanto correndo do sofá e o vejo parado no meio do corredor na dúvida se a segue ou se vem comigo — Isso não está acontecendo… Não é Possível…

— Deveria tratar ele melhor, olha só como está triste.

— Não se meta com o meu cachorro, aliás por que está preocupada?Até momentos atrás estava fazendo um escândalo o chamando de monstro.

— Me enganei, pelo jeito o monstro é você mesmo — ela entra no elevador sem me dar a chance de responder e isso me irritou mais ainda, mas a minha atenção se volta para o Treu.

Vejo ele vir ao meu encontro ainda todo cabisbaixo, ele entra e já se deita perto da janela, nem comer ele foi. De qualquer forma fecho a porta ainda indignado com os acontecimentos recentes, isso nunca me aconteceu antes e olha que o Treu está comigo tem cinco anos.

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