LOGINA escuridão tomou a Câmara.Por alguns segundos, ninguém conseguiu enxergar nada.Então veio o som.Um estrondo profundo, seguido por uma vibração que percorreu o chão, as paredes e os oito pilares ao redor do Trono.Caetano deu um passo à frente.— Alina!— Não se aproxime!A voz dela ecoou na escuridão.Caetano parou.— Você está bem?— Estou.— Tem certeza?— Ainda estou sentada.Ele soltou o ar que prendia.— Isso não me tranquiliza.Apesar da tensão, Alina quase sorriu.Quase.Porque algo estava acontecendo sob suas mãos.A cadeira parecia viva.Não havia calor.Não havia frio.Havia uma sensação de movimento.Como se o metal estivesse tentando compreender quem ela era.Raul correu até o painel.— Não!Ele bateu contra os controles.Nada aconteceu.— Ative o protocolo!A voz do sistema respondeu:— PROTOCOLO DE AUTORIDADE INTERROMPIDO.Raul empalideceu.— Não.Mateo aproximou-se lentamente.— Ela encontrou a falha.Raul virou-se.— Cale a boca.— Você passou anos tentando control
A sombra continuou subindo os degraus.Um passo.Depois outro.O som dos sapatos contra a pedra parecia marcar uma contagem regressiva.Alina permaneceu ao lado de Caetano, mas não conseguia tirar os olhos da escada.Helena estava imóvel.Lorenzo também.Mateo parecia ter perdido toda a capacidade de esconder o medo.Samuel recuou.— Isso não pode estar acontecendo.Damião segurou a arma com as duas mãos.— Todo mundo para trás.A figura finalmente alcançou o último degrau.Um homem apareceu sob a luz.Era mais velho do que nas fotografias que Alina havia visto. Os cabelos completamente grisalhos, o rosto marcado pelo tempo e uma cicatriz atravessando o lado esquerdo do pescoço.Mas os olhos eram iguais aos de Mateo.Iguais aos de Samuel.Mateo sussurrou:— Pai.O homem olhou para ele.— Você demorou para entender.Mateo parecia abalado.— Você morreu.— Foi o que eu queria que acreditasse.Samuel respirava com dificuldade.— Por que voltou?Augusto Varenna olhou para o filho mais nov
— Lorenzo...O nome escapou dos lábios de Helena como um sopro.Alina ficou imóvel.Durante alguns segundos, ninguém pareceu capaz de reagir.A silhueta permanecia no fim do corredor, parcialmente escondida pela luz. Não avançava. Não dizia mais nada.Mas aquela voz...Aquela voz havia atravessado anos de silêncio.Alina conhecia aquele timbre pelas lembranças de infância, pelas poucas gravações que Helena guardara, pelas histórias que sua mãe contava quando ainda existia esperança de que ele estivesse vivo.Era a voz de seu pai.Ou de alguém que queria que ela acreditasse nisso.Caetano percebeu a mudança no rosto dela.— Alina.Ela não respondeu.Começou a caminhar.Helena segurou seu braço.— Não.Alina virou-se.— É meu pai.— Eu sei.— Então por que está me impedindo?Helena tinha lágrimas nos olhos.— Porque eu não sei quem está naquela passagem.A silhueta finalmente avançou.Um homem apareceu sob a luz.Cabelos escuros já tomados pelo grisalho. Rosto mais magro do que nas foto
Alina não desviou os olhos do homem parado na entrada.Havia alguma coisa familiar nele.Não no rosto.Na voz.Na maneira como pronunciava as palavras, como se cada frase já tivesse sido ensaiada diante de um espelho durante anos.Caetano percebeu a tensão no corpo dela.— Você o conhece?Alina balançou a cabeça.— Não.Helena, porém, parecia incapaz de respirar.O homem avançou alguns passos.Damião levantou a arma.— Não se mova.Ele sorriu.— Ainda dando ordens, Damião?Damião ficou rígido.— Você.Mateo olhou de um para o outro.— Não pode ser.— Você já disse isso.— Eu vi você morrer.O homem soltou uma risada baixa.— Viu um corpo.Mateo ficou pálido.— Quem é ele? — perguntou Caetano.Ninguém respondeu.Alina olhou para Helena.— Mãe.Helena finalmente abriu os olhos.— Samuel Varenna.Mateo deu um passo para trás.Caetano franziu a testa.— Varenna?— Meu irmão — disse Mateo.A revelação caiu sobre a Câmara como uma pedra.Damião abaixou a arma por alguns centímetros.— Você
O som do mecanismo ecoou pela Câmara de Convergência.Não era um simples ruído de engrenagens.Parecia que toda a estrutura subterrânea havia despertado ao mesmo tempo.As paredes vibraram. As luzes vermelhas se transformaram em uma iluminação branca e fria, revelando detalhes que estavam escondidos na escuridão.Alina permaneceu imóvel.Diante dela estava o Trono.Não se parecia com um trono comum. Não havia ouro, pedras preciosas ou qualquer símbolo de riqueza. Era uma estrutura de metal escuro, presa ao chão por oito pilares.Ao redor dele, oito círculos estavam gravados no piso.Os círculos representavam as oito famílias originais.Mas havia um detalhe diferente.No centro, diante do Trono, existiam apenas duas marcas.A de Caetano.E a dela.Helena aproximou-se devagar.— Eu nunca vi essa parte funcionando.Damião ficou alguns passos atrás.— Porque ninguém conseguiu chegar até aqui depois que o sistema foi ativado.Caetano olhou para ele.— Você já esteve nesta câmara.Damião nã
O símbolo do Trono continuava aceso no chão.Duas partes perfeitamente simétricas.Uma diante de Caetano.A outra diante de Alina.Por alguns segundos, ninguém ousou se mover.O brilho subia pelas paredes e revelava detalhes que antes estavam escondidos pela escuridão. Linhas finas atravessavam o piso, formando uma estrutura muito maior do que o símbolo que todos conheciam.Caetano observou os traços.— Isso não estava aqui.Mateo respondeu sem tirar os olhos do chão:— Estava.— Então por que não vimos?— Porque o sistema estava adormecido.Alina olhou para Helena.— O que ele quer dizer?Helena respirou fundo.— O Trono foi construído para interpretar escolhas. Mas não para criar escolhas.— E agora?— Agora ele encontrou duas pessoas que podem recusar o comando dele.Damião levantou a arma.— Então desligue.Mateo soltou um sorriso amargo.— Não posso.— Você criou isso.— Eu criei a estrutura. Não sou mais o único que consegue ativá-la.Um estrondo sacudiu a porta.Alina se assust







