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Capítulo 39: Tempestade nos Muros

Penulis: Lanny Domiciano
last update Tanggal publikasi: 2026-09-24 04:04:12

Maria Clara

O palácio, antes um cárcere dourado onde os luxos mascaravam a ausência de liberdade, transformou-se insidiosamente. Depois, virou um refúgio estranho, um lugar onde a segurança vinha acompanhada de uma inquietude velada, como se a cada cômodo, a cada corredor, uma verdade incômoda estivesse à espreita. Agora… parecia uma armadilha prestes a desabar sobre mim, as paredes sussurrando segredos sombrios, o ar carregado de uma tensão sufocante.

Eu sentia nas paredes frias e imponentes,
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  • A Noiva Prisioneira do Sheik   Capítulo 44: Queimando as Tradições

    AhmedA brisa suave do começo da tarde, que deveria trazer algum alívio, parecia zombar da atmosfera sufocante da clínica. Lá fora, cada gota de chuva que pingava na vidraça da sala de espera parecia tentar apagar o fogo que ardia incontrolavelmente dentro de mim – uma chama de desespero e angústia. Eu entrei com um passo firme, quase imperceptível, sentindo no ar o rastro dela, aquela fragrância inconfundível de jasmim e sândalo que sempre me roubava o fôlego e me transportava para um lugar de paz. Mas ela não estava lá. Nem o corpo que eu ansiava reencontrar, nem a alma vibrante e cheia de vida que eu havia deixado ali, naquele mesmo quarto, horas antes, com a promessa de um rápido retorno. O vazio em seu lugar era um eco ensurdecedor, preenchendo o ambiente com a ausência dela e com a minha crescente e perturbadora realização.— Sheik. — Um médico se aproximou com cautela. — A Senhora Clara teve alta ontem… foi embora cedo pela manhã para o Brasil. Um… exílio imposto pelo Conselho.

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    Maria ClaraO zumbido persistente dos recursos intravenosos me acordou. O calor do quarto clínico ainda estava vivo em minhas veias — não era febre, era a memória constante do fogo que tentara me consumir. Olhei para o lado e vi o balão de oxigênio ainda inflado. Minhas mãos tremiam, e não era apenas pelo veneno da fumaça — era por tudo que se desdobrava ali fora, enquanto eu me recuperava.Meses haviam passado desde o incêndio, mas os incêndios reais — aqueles do poder, do ódio, da traição — ainda ardia com mais intensidade. O palácio assistia, dividido entre a figura imponente de Ahmed, o primogênito do deserto, e a sombra envenenada de um primo exilado, cujos sussurros ecoavam em corredores vazios.Me senti presa, entre o desejo de permanecer ao lado do homem que amo e a obrigação de salvar o império que nos sustentava. Sabia o que precisava fazer. Apesar da dor, mesmo quando meus pulmões queimavam, havia uma chama dentro de mim maior do que qualquer labareda.Levantei-me, sentindo

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    AhmedO cheiro foi a primeira coisa que me arrancou do torpor. Fumaça. Pesada. Quente. Inconfundível. Uma onda espessa e acre que invadiu minhas narinas e garganta, fazendo meus pulmões arderem. Não era o aroma familiar do incenso queimando, nem o suave perfume das especiarias que costumavam flutuar pelos corredores do palácio. Este era um odor de destruição, de madeira consumida e tecido carbonizado, que me fez prender a respiração num reflexo automático.Abri os olhos, pesados e embaçados pela névoa, e o teto do quarto dançava em tons de laranja e cinza. Chamas lambiam as vigas de madeira escura, projetando sombras fantasmagóricas pelas paredes. O ar estava denso, quase sólido, e a cada inspiração parecia sugar a umidade de meus lábios. Por um instante, a beleza era quase hipnótica — a dança hipnotizante das chamas, a forma como a luz bruxuleante transformava o quarto em uma pintura abstrata de calor e fumaça. Minha mente, ainda presa nas teias do sono, demorou a processar o que meu

  • A Noiva Prisioneira do Sheik   Capítulo 41: Chamas e Correntes

    Maria ClaraNaquele instante eu soube que a tormenta não ficaria apenas nas palavras. Quando Ahmed me puxou pelos corredores silenciosos do palácio, a fúria nos olhos dele era chama viva — mas havia outra coisa ali: a ânsia de me ter de volta, inteira, como antes de todos nos odiarem.Fechamos a porta do quarto com um estalo que reverberou como um trovão no peito. A meia-luz das velas escarlates tornou cada sombra sinuosa, como se os móveis dançassem em antecipação. Ele me empurrou suavemente até o dossel de veludo, tirou o turbante com um gesto brusco e varreu as rugas do meu rosto com as mãos grandes, intensas.— Preciso sentir sua pele contra a minha — murmurou, a voz grave trepidando no ar.Meu corpo reagiu antes da mente ordenar qualquer coisa. Era tão bom sentir o perfume dele — mistura de especiarias e madeira — invadir meu corpo, lembrando-me que, mesmo quando tudo desmorona, havia ali alguém disposto a reconstruir cada pedaço.— Eu também preciso de você — sussurrei, deixand

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    AhmedAs colunas brancas da sala do Conselho se erguiam como testemunhas silenciosas do que estava prestes a acontecer.O cheiro do incenso tradicional queimava lento, carregando o peso da ancestralidade. Sentados em semicírculo estavam os onze homens que moldavam o destino da Casa Al-Rashid — todos em túnicas nobres, todos homens que conheciam a arte de sorrir com a boca e cravar a adaga com os olhos.E no centro, como uma serpente recém-desperta, estava Khalid.Vestia branco, como se a pureza lhe pertencesse. Mas eu via além. Via a ganância escorrendo pelos cantos de sua fala. Via a raiva mal contida que lhe moldava os ossos.— A linhagem está em risco — ele dizia, diante de todos. — O povo murmura. Os aliados questionam. O Oriente observa com inquietação o que se passa aqui.— Que risco? — perguntei com frieza, mesmo sabendo aonde ele queria chegar.Khalid sorriu, lento.— Sua esposa, Ahmed. Ou devo dizer… sua “escolhida contratual”. Ele nem precisou dizer as palavras. Todos en

  • A Noiva Prisioneira do Sheik   Capítulo 39: Tempestade nos Muros

    Maria ClaraO palácio, antes um cárcere dourado onde os luxos mascaravam a ausência de liberdade, transformou-se insidiosamente. Depois, virou um refúgio estranho, um lugar onde a segurança vinha acompanhada de uma inquietude velada, como se a cada cômodo, a cada corredor, uma verdade incômoda estivesse à espreita. Agora… parecia uma armadilha prestes a desabar sobre mim, as paredes sussurrando segredos sombrios, o ar carregado de uma tensão sufocante.Eu sentia nas paredes frias e imponentes, que pareciam encolher-se a cada dia, aprisionando-me ainda mais em suas sombras. No jeito como os guardas, antes meras figuras de vigilância, evitavam meus olhos, um brilho de apreensão ou cumplicidade em seus desvios. No silêncio sussurrado das criadas, um coro de segredos inaudíveis, mas perceptíveis, que pairava no ar como uma névoa. No aperto constante no peito, uma opressão que não era física, mas da alma, o prenúncio de um perigo iminente. Havia algo errado. Muito errado. A grandiosidade d

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