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Capítulo 2

Author: Anonymous
No dia seguinte, mamãe levou a pulseira de esmeraldas da família ao meu escritório.

Quando abri a caixa, encontrei um comprovante de conserto. No ponto em que recolocaram o fecho, havia uma marca recente de solda.

— O que aconteceu?

Mamãe desviou o olhar.

— Vivian experimentou a pulseira, mas ela ficou presa no pulso. Precisaram cortá-la para conseguir tirar.

Aquela pulseira pertenceu à minha avó. Antes de morrer, ela segurou minha mão e disse que queria me ver usando a joia no dia do meu casamento.

No entanto, ela não viveu o bastante para realizar esse desejo. A pulseira de esmeraldas se tornou a última lembrança que deixou para mim.

— Quem deixou Vivian mexer nela?

— Eu só queria que ela desse uma olhada. Como eu ia saber que seu pulso era tão fino?

Mamãe empurrou uma pulseira de esmeraldas novinha em folha na minha direção.

— Julian comprou esta hoje de manhã. É até mais pesada que a original. O que era velho deu lugar ao novo.

— Você acha mesmo que as duas são iguais?

— É apenas um objeto.

— Então por que você não cortou a sua?

A expressão de mamãe endureceu.

— Grace, você só vai se casar, nada além disso. Por que está ficando mais insuportável a cada dia?

Meus colegas de trabalho observavam a cena. Fechei a caixa, pois não queria discutir dentro do escritório, mas mamãe segurou meu braço antes que eu me afastasse.

— Vivian não passou na avaliação do estágio. A filial da sua empresa em Southport precisa de uma gerente de locações, não é? Dê uma palavrinha com seu chefe e consiga essa vaga para ela.

Eu trabalhei durante seis meses para conquistar aquela posição.

Na semana anterior, meu diretor disse que a vaga seria minha se eu aceitasse me mudar para Southport. No entanto, eu a recusei por causa do casamento e porque Julian não queria manter um relacionamento à distância.

Agora, eles queriam entregar aquela oportunidade de bandeja a Vivian.

— Ela estudou Artes e nunca trabalhou com locações comerciais.

— Ninguém nasce sabendo. É só você ensiná-la.

— A vaga pertence à empresa, não a mim. Se ela quiser, pode enviar o próprio currículo.

— Você simplesmente não quer ajudar! — mamãe elevou a voz. — Vivian não é como você, que conseguiu um ótimo emprego assim que terminou a faculdade. Nada dá certo para ela. Custaria tanto assim estender a mão para sua irmã?

— Minha carreira também não caiu no meu colo.

Foi justamente naquele momento que Julian chegou trazendo o almoço. Ele abriu a embalagem com a familiaridade de sempre e deixou o garfo ao alcance da minha mão.

— Você não disse que seu estômago estava incomodando? Coma primeiro.

Mamãe se apressou em contar tudo a ele. Julian ouviu em silêncio antes de responder:

— Vivian realmente não tem perfil para trabalhar com locações comerciais.

Por um instante, pensei que ele finalmente ficaria do meu lado.

No entanto, Julian continuou:

— A galeria de Derek Cole está precisando de alguém para cuidar das operações. Posso apresentá-la a ele.

Só então mamãe pareceu satisfeita.

— Está vendo? Julian sempre dá um jeito.

Olhei diretamente para ele.

— No mês passado, eu quis fazer um trabalho como freelancer na galeria de Derek. Você disse que ele era muito exigente e que eu não deveria pedir favores.

— Você já tem um emprego em tempo integral. Não precisa se sobrecarregar. Vivian está sem nenhuma renda agora, então a situação é diferente.

— Como ela não tem renda, pode pedir favores. Mas, como eu tenho emprego, nem sequer mereço uma chance?

O tom dele continuou gentil, mas um lampejo de impaciência atravessou seu olhar.

— São duas situações diferentes. Estou resolvendo o problema.

"Claro. Ele estava sempre resolvendo os problemas. Só que, para ele, o problema sempre era o que eu sentia."

Naquela tarde, Vivian me mandou uma mensagem para contar sobre a nova proposta de emprego. Ela disse que Julian a acompanhou pessoalmente no encontro com Derek e até pagou o jantar de toda a equipe da galeria.

Na foto que enviou, os dois estavam muito próximos. A gravata de Julian estava com o nó torto.

Reconheci aquele nó.

Vivian só conhecia uma maneira de dar nó em uma gravata.

Às cinco e meia, Julian me enviou uma mensagem:

[Jantar com clientes hoje. Coma sem mim.]

Às seis, passei em frente à galeria.

Vi Julian agachado diante de Vivian, passando pomada nas feridas em carne viva que os saltos abriram nos pés dela.

Era a mesma pomada que eu sempre usava.

Segundo ele, deixava o tubo no carro para o caso de eu precisar.

Vivian me viu primeiro e colocou uma das mãos sobre o ombro de Julian.

— Não vá pensar besteira, mana. Ele só estava preocupado porque eu podia me atrasar logo no meu primeiro dia.

Julian se levantou.

— Os pés dela estavam feridos. Eu não podia simplesmente ignorar.

Ele guardou a pomada, como se só naquele instante se lembrasse da minha existência.

— Seu estômago ainda está doendo?

Balancei a cabeça, negando.

A dor no estômago não me deixou durante toda a tarde. Mesmo assim, naquele momento, eu não tinha sequer forças para contar a verdade a ele.
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