เข้าสู่ระบบO primeiro homem saiu do sedã antes que Helena conseguisse entender o que estava acontecendo.
Era alto, vestia roupas escuras e caminhava com uma tranquilidade que contrastava com a maneira abrupta como o veículo havia bloqueado a rua. Atrás dele, outro homem abriu a porta traseira, enquanto o motorista do carro que supostamente deveria levar Helena para casa permanecia parado, observando a movimentação.
— Marina, fique atrás de mim — Helena sussurrou.
A amiga apertou seu braço.
— Helena, vamos entrar. Agora.
As duas deram alguns passos em direção ao restaurante, mas o homem de terno que havia se apresentado como funcionário da família se colocou no caminho.
— Senhorita Albuquerque, precisamos ir.
— Eu já disse que não vou a lugar nenhum com você.
— Não torne isso mais difícil.
Helena olhou para o rosto dele, tentando encontrar algum sinal de constrangimento, qualquer coisa que denunciasse que aquela situação era um mal-entendido. Não encontrou nada.
— Marina, ligue para a polícia.
A amiga pegou o celular imediatamente.
O homem avançou.
— Não faça isso.
— Não encosta nela! — Marina gritou.
Tudo aconteceu rápido demais.
Um dos desconhecidos segurou o braço de Helena, enquanto outro tentou afastar Marina. Helena se debateu, acertando o ombro do homem com a bolsa e conseguindo se soltar por alguns segundos.
— SOCORRO!
O grito ecoou pela calçada.
Algumas pessoas que ainda estavam próximas à entrada do restaurante se viraram. Um garçom saiu pela porta, e um casal que caminhava pela rua diminuiu o passo.
— Chamem a polícia! — Marina gritou, tentando alcançar a amiga.
Mas os homens pareciam preparados para aquele tipo de reação. Um deles segurou Marina pelos braços, impedindo que se aproximasse, enquanto o outro voltou a agarrar Helena.
— Me solta! Você está me machucando!
Ela tentou chutar o homem, mas ele conseguiu imobilizá-la pelo braço.
— Fique quieta!
— Vai se ferrar!
Helena se debateu novamente, sentindo as unhas arranharem a pele do desconhecido. Ele praguejou e apertou ainda mais seu braço.
Seu coração parecia prestes a sair pela boca.
Não sabia quem eram aqueles homens. Não sabia o que queriam. Mas tinha certeza de que não estavam interessados em levá-la para casa.
Quando percebeu que seria colocada dentro do veículo, Helena fez a única coisa que conseguiu pensar naquele instante: deixou a bolsa cair.
O conteúdo se espalhou pelo chão. Batom, carteira, chaves e alguns papéis deslizaram pela calçada.
— Minha bolsa! — exclamou, fingindo tentar alcançá-la.
Um dos homens olhou para baixo.
Foi o suficiente para Helena pisar com força no pé de quem a segurava e tentar se soltar outra vez. Conseguiu avançar alguns passos, mas o segundo homem a alcançou antes que chegasse à entrada do restaurante.
Marina gritou seu nome.
Helena virou o rosto e, por uma fração de segundo, seus olhares se encontraram.
— NÃO DEIXA ELES ME LEVAREM!
A amiga tentou correr, mas foi impedida.
Então Helena foi arrastada até o sedã.
A porta se abriu.
Ela agarrou a moldura do veículo, resistindo com toda a força que ainda tinha.
— Eu não vou entrar! Me solta!
Um dos homens tentou afastar seus dedos.
— Chega!
— Quem mandou vocês? O que vocês querem de mim?
Ninguém respondeu.
Com um movimento brusco, conseguiram colocá-la no banco traseiro. Helena tentou sair pelo outro lado, mas encontrou a porta bloqueada. Antes que pudesse reagir novamente, um dos homens entrou ao seu lado e fechou a porta.
O motor rugiu.
Pelo vidro, Helena viu Marina correndo atrás do carro, com o celular na mão e o rosto tomado pelo desespero.
A amiga ainda gritava alguma coisa, mas o veículo já estava se afastando.
Helena bateu contra o vidro.
— MARINA!
O carro virou a esquina.
E a última coisa que ela viu foi a amiga ficando para trás, cada vez menor, até desaparecer completamente.
Dante estava sentado no banco traseiro de outro veículo, estacionado a uma distância segura do restaurante. Através da janela escurecida, acompanhava a movimentação na rua sem ser visto.
— Sim. Ela está tentando fazer uma ligação agora.
— E Helena?
— No veículo. Os homens estão seguindo o trajeto combinado.
Dante olhou para o relógio.
Tudo havia acontecido mais rápido do que imaginara, embora a resistência da jovem tivesse surpreendido os homens responsáveis pela abordagem.
— Houve algum problema?
— Ela reagiu. Fez bastante barulho e conseguiu chamar a atenção de algumas pessoas.
Dante não demonstrou preocupação.
— Isso era esperado.
Vicente, sentado à sua frente, observou-o.
— Você ainda pode mudar de ideia.
Dante virou o rosto lentamente.
— Não comece.
— Estou apenas lembrando que, a partir do momento em que ela entrar naquele lugar, não haverá como fingir que isso foi um simples aviso.
— Eu sei muito bem o que estou fazendo.
Vicente assentiu.
— Então está feito.
Dante voltou os olhos para a rua.
Por um instante, enxergou a imagem de Bianca em sua memória. Lembrou-se da noite em que recebeu a notícia, do desespero de chegar ao hospital tarde demais e da sensação de que o mundo inteiro continuava funcionando enquanto o seu havia acabado.
Augusto Albuquerque tivera uma filha para proteger.
Tivera alguém que o amava, alguém que o procurava, alguém cuja ausência seria impossível de ignorar.
E agora descobriria o que significava não conseguir impedir que algo acontecesse com a pessoa mais importante de sua vida.
Dante sentiu a mandíbula endurecer.
— Quero que Augusto saiba que a filha desapareceu.
Vicente inclinou levemente a cabeça.
— Pretende enviar alguma mensagem?
— Não ainda.
— Ele vai procurar por ela.
— É exatamente isso que quero.
Dante retirou do bolso uma fotografia antiga de Bianca. Não a mostrou a Vicente. Apenas observou o rosto da irmã por alguns segundos antes de guardá-la novamente.
Naquela noite, ele não queria apenas assustar Augusto.
Queria que o homem sentisse medo. Que procurasse respostas sem encontrá-las. Que experimentasse a mesma impotência que Dante carregava havia anos.
E, quando finalmente descobrisse quem estava por trás do desaparecimento da filha, entenderia que aquela era apenas a primeira parte da cobrança.
— Vamos — ordenou Dante ao motorista.
O veículo finalmente deixou a avenida principal e entrou em uma rua menos movimentada.
Helena tentou reconhecer algum ponto de referência, mas as construções ao redor começaram a ficar cada vez mais distantes umas das outras. Havia poucos carros circulando e, à medida que avançavam, as luzes dos estabelecimentos deram lugar a muros altos e propriedades cercadas.
Ela olhou para o motorista e depois para o homem sentado ao seu lado.
— Onde estamos indo?
Nenhum dos dois respondeu.
— Eu já perguntei isso três vezes!
— Fique quieta — ordenou o homem.
Helena soltou uma risada nervosa.
— Vocês realmente acham que podem me sequestrar e esperar que eu fique sentada em silêncio?
— É melhor que não dificulte as coisas.
— Então me diga quem está por trás disso!
O homem voltou a olhar para a frente.
Aquela falta de respostas começava a ser mais assustadora do que as ameaças. Helena não sabia o que queriam, quanto tempo estavam planejando aquilo ou se alguém havia percebido seu desaparecimento. Tudo o que conseguia pensar era em Marina, provavelmente tentando explicar à polícia o que havia acontecido.
Esperava que a amiga tivesse visto a placa do veículo. Esperava que tivesse conseguido pedir ajuda. Esperava que seu pai já soubesse.
Mas, principalmente, esperava que alguém a encontrasse antes que fosse tarde demais.
O carro diminuiu a velocidade ao se aproximar de um portão alto. Um dos homens falou alguma coisa pelo rádio, e poucos segundos depois a passagem foi liberada.
Helena observou o veículo atravessar a entrada.
O lugar parecia uma propriedade particular, cercada por muros e árvores altas. Não conseguiu enxergar muito além da iluminação dos postes externos. O motorista percorreu alguns metros e estacionou em uma área reservada, ao lado de outro carro preto.
— Chegamos? — perguntou ela.
— Ainda não.
A resposta a deixou confusa.
O homem ao seu lado abriu a porta e desceu. O motorista também saiu, mas, em vez de abrir a porta para Helena, caminhou até o outro veículo.
Ela aproveitou a oportunidade para tentar alcançar a maçaneta.
Nada.
A porta continuava travada.
— Abra isso! — exigiu, batendo no vidro.
O homem que estava do lado de fora se aproximou e destravou a porta.
— Saia do carro.
Helena permaneceu imóvel.
— Primeiro quero saber para onde vocês estão me levando.
— Já disse para sair.
— E eu já disse que não vou obedecer a desconhecidos!
Ele abriu a porta por completo e estendeu a mão para segurá-la, mas uma voz masculina interrompeu o movimento.
— Deixe-a.
Os dois homens se afastaram imediatamente.
Helena virou o rosto na direção da voz.
A porta do outro veículo estava aberta.
Havia um homem sentado no banco traseiro, parcialmente escondido pela iluminação discreta do interior. Ele não parecia ter pressa. Apenas observava a cena com uma tranquilidade que, naquele momento, pareceu ainda mais ameaçadora do que qualquer uma das atitudes dos homens que a haviam sequestrado.
— Entre — ordenou ele.
Helena franziu a testa.
— Quem é você?
O homem não respondeu.
Ela olhou para os sequestradores, depois voltou a encará-lo.
— Foi você quem mandou me trazer?
— Entre no carro, Helena.
O fato de ele saber seu nome fez seu estômago se contrair.
— Como sabe meu nome?
Um breve silêncio se instalou.
Então ele se inclinou ligeiramente para a frente, permitindo que a luz alcançasse seu rosto.
Helena sentiu o ar desaparecer de seus pulmões.
Conhecia aquele rosto.
Não pessoalmente, mas já havia visto fotografias em jornais, reportagens e conversas que seu pai interrompia sempre que ela se aproximava. Um homem associado a uma poderosa empresa de segurança, cercado por rumores sobre influência, violência e negócios que jamais apareciam nos documentos oficiais.
Dante Montenegro.
O inimigo de seu pai.
O homem cujo nome era praticamente proibido dentro da casa dos Albuquerque.
Por alguns segundos, Helena simplesmente o encarou, tentando compreender como havia acabado diante dele.
Dante sustentou seu olhar sem demonstrar qualquer emoção.
Ele a havia procurado, estudado sua rotina e planejado cada detalhe daquele encontro. Agora, a filha de Augusto Albuquerque estava diante dele, exatamente onde queria.
Mas, pela primeira vez, percebeu que as fotografias não faziam justiça à intensidade daqueles olhos.
E Helena, mesmo com o coração disparado e as mãos trêmulas, não desviou os seus.
O primeiro homem saiu do sedã antes que Helena conseguisse entender o que estava acontecendo.Era alto, vestia roupas escuras e caminhava com uma tranquilidade que contrastava com a maneira abrupta como o veículo havia bloqueado a rua. Atrás dele, outro homem abriu a porta traseira, enquanto o motorista do carro que supostamente deveria levar Helena para casa permanecia parado, observando a movimentação.— Marina, fique atrás de mim — Helena sussurrou.A amiga apertou seu braço.— Helena, vamos entrar. Agora.As duas deram alguns passos em direção ao restaurante, mas o homem de terno que havia se apresentado como funcionário da família se colocou no caminho.— Senhorita Albuquerque, precisamos ir.— Eu já disse que não vou a lugar nenhum com você.— Não torne isso mais difícil.Helena olhou para o rosto dele, tentando encontrar algum sinal de constrangimento, qualquer coisa que denunciasse que aquela situação era um mal-entendido. Não encontrou nada.— Marina, ligue para a polícia.A
Helena quase cancelou a saída pela terceira vez.Estava diante do espelho do quarto, com um vestido preto de alças finas e os cabelos soltos sobre os ombros, enquanto tentava decidir se realmente tinha disposição para passar algumas horas fora de casa. A semana havia sido exaustiva. A discussão com Augusto continuava martelando em sua cabeça, os problemas da clínica não tinham sido resolvidos e, para completar, ela havia passado boa parte daquele dia tentando conseguir uma vaga para uma paciente que precisava de acompanhamento especializado.Não era exatamente o cenário ideal para uma noite divertida.O celular vibrou sobre a penteadeira.Marina: Se você me disser que vai furar de novo, eu juro que vou até essa casa te buscar pelos cabelos.Helena soltou uma risada.Helena: Estou pronta.Marina: Milagre. Estou chegando.Marina era uma das poucas pessoas capazes de fazê-la esquecer, mesmo que temporariamente, o peso das responsabilidades. As duas se conheciam desde a faculdade de medic
Dante Montenegro não gostava de esperar.Havia aprendido muito cedo que, no mundo em que vivia, hesitação podia custar dinheiro, território e, em determinadas circunstâncias, vidas. Por isso, quando recebeu a confirmação de que Augusto Albuquerque estaria presente em um evento privado organizado pela prefeitura do Rio de Janeiro, sua primeira reação foi considerar a oportunidade como um presente inesperado.O encontro aconteceria naquela mesma semana, em um espaço reservado de um hotel na Zona Sul. Empresários, representantes políticos e figuras influentes da cidade estariam reunidos para discutir investimentos em segurança, projetos de revitalização urbana e parcerias com a iniciativa privada. Uma ocasião elegante, repleta de discursos sobre progresso e desenvolvimento, na qual homens como Augusto gostavam de circular.Dante conhecia bem aquele teatro.A cidade tinha seus palcos, seus personagens e suas regras não escritas. Alguns homens apareciam diante das câmeras para falar sobre
O portão de ferro se abriu antes mesmo que Helena precisasse tocar a buzina.A casa dos Albuquerque surgiu no alto da propriedade, imponente e silenciosa, cercada por jardins impecavelmente aparados, palmeiras ornamentais e uma fachada de pedra clara que parecia ter sido projetada para impressionar qualquer pessoa que se aproximasse em um dos bairros mais nobres do Rio. As janelas enormes refletiam o sol do fim da tarde, enquanto dois funcionários cuidavam da entrada como se cada detalhe daquele lugar precisasse permanecer exatamente onde estava.Helena conhecia cada canto daquela casa. Crescera ali, aprendera a andar pelos corredores largos e passara incontáveis noites esperando o pai voltar de reuniões que, segundo ele, eram importantes demais para serem interrompidas por assuntos familiares.Ainda assim, havia muito tempo que não se sentia em casa.Estacionou o carro próximo à entrada e pegou a pasta que carregava no banco do passageiro. Dentro estavam os relatórios da clínica comu
O Grand Atlântico, um dos hotéis mais luxuosos da Barra da Tijuca, havia sido transformado em um espetáculo de riqueza e poder.Arranjos de orquídeas brancas ocupavam as mesas do salão principal, lustres de cristal espalhavam reflexos dourados pelo mármore e garçons circulavam com bandejas de champanhe entre homens vestidos sob medida e mulheres cobertas de joias. Do lado de fora, a noite carioca se estendia sobre o mar, e as luzes dos prédios refletiam nas janelas imensas do hotel.Era o tipo de evento que apareceria nas colunas sociais no dia seguinte, escondendo as duas maiores facções criminosas do Rio de Janeiro. Dante Montenegro estava diante de um espelho no camarim reservado à família, ajustando os punhos da camisa branca. O terno preto tinha sido confeccionado sob medida, e o relógio discreto em seu pulso custava mais do que muitos dos carros estacionados na entrada do hotel. Nada nele parecia exagerado. Dante não precisava exibir a própria fortuna para que os outros compree
A fotografia continuava sobre a mesa quando Dante voltou ao escritório.Já passava das dez da noite, e o andar inteiro estava mergulhado em silêncio. Do lado de fora das janelas, as luzes do Rio de Janeiro desenhavam caminhos dourados entre os edifícios, enquanto o mar, distante, refletia a claridade da cidade. Dante deveria estar em casa. Tinha uma reunião importante na manhã seguinte e uma lista de problemas que exigiriam sua atenção antes do meio-dia.Em vez disso, permanecia diante da imagem da irmã, como se o simples ato de olhar para ela pudesse devolver alguma coisa que o tempo lhe roubara.Bianca sorria.Era sempre assim que ele se lembrava dela: sorrindo, falando demais, fazendo perguntas inconvenientes e ignorando deliberadamente qualquer ordem que considerasse absurda. Tinha o hábito de entrar no escritório dele sem bater e de roubar alguns minutos de sua atenção, mesmo quando ele estava ocupado com assuntos que não deveriam ser discutidos perto dela.Dante costumava reclam







