ログインPOV Samantha O convite não viera da diretoria da Callahan Equity, mas do círculo privado de investidores que orbitava o circuito fechado dos leilões de arte de Tribeca. Um jantar exclusivo na residência de Arthur Sterling — um dos maiores financiadores do mercado financeiro e colecionador influente, na noite de sábado que antecedia a assembleia. Travis decidira que a nossa ausência soaria como recuo após a tempestade no Met; a presença de nós dois, impecáveis e alinhados, era a garantia de que as especulações de Luke não abalariam os grandes credores antes da votação de segunda-feira. O que eu não esperava era a atmosfera do lugar. O casarão histórico de tijolos aparentes e iluminação âmbar mantinha portas fechadas para a imprensa e segurança redobrada. Não havia repórteres na calçada, apenas um grupo seleto de quarenta convidados circulando entre taças de cristal e esculturas contemporâneas. Mas, no segundo em que cruzamos o saguão principal, o ar pareceu se adensar de uma forma
POV Samantha O zumbido dos ventiladores do terminal criptografado quebrava o silêncio absoluto que se instalara na sala de reuniões. Eram quase duas da manhã quando a barra de progresso no monitor principal atingiu noventa e oito por cento. Meus olhos ardiam pelo reflexo constante do fundo preto e das linhas verdes de código, mas meus dedos continuavam ágeis sobre as teclas, isolando os fragmentos de metadados que a tentativa desajeitada de formatação de Luke deixara para trás. Travis não saíra da sala por um único minuto. Ele dispensara o paletó e os suspensórios, permanecendo apenas com a camisa grafite desabotoada no peito e as mangas arregaçadas até os cotovelos. Sentado na ponta da mesa, com uma pasta de minutas fiscais aberta à sua frente, ele intercalava a revisão dos relatórios legais com olhares atentos na minha direção. Cada vez que eu me inclinava para conferir uma linha de comando, eu sentia o peso daquele olhar cinzento mapeando a curva do meu pescoço e a linha das mi
POV Samantha O som seco do carimbo notarial autenticando as vias originais foi o ponto final de qualquer retorno possível. Vance recolheu os envelopes timbrados, fez uma reverência protocolar e retirou-se da sala de reuniões, deixando para trás um silêncio denso e carregado de eletricidade. Continuei sentada na cadeira giratória de couro, a caneta de ouro e laca ainda entre os meus dedos. Quinze por cento de um império de dezenas de bilhões de dólares. Na prática, eu detinha o poder de veto sobre fusões globais, liquidações de ativos e a nomeação de cadeiras na diretoria da Callahan Equity Holdings. Não era uma apólice de seguro; era uma arma carregada colocada nas minhas mãos por um homem que nunca confiava em ninguém. Travis não se afastou. A mão dele permaneceu pesada sobre o encosto da minha poltrona, os nós dos dedos roçando a gola da minha camisa de seda. — O que você sente agora, Samantha? — a pergunta dele veio baixa, sem pressa, quebrando a quietude do salão. Soltei a c
POV SamanthaO tilintar de porcelana e o zumbido suave dos monitores auxiliares eram os únicos ruídos na sala de reuniões privativa da cobertura.Vance ocupava uma das cadeiras laterais da imensa mesa de nogueira, com o paletó pendurado no encosto e três pastas com tarjas vermelhas abertas à sua frente. O advogado-geral tinha olheiras fundas, mas seus olhos brilhavam com a agilidade analítica de quem havia passado a madrugada dissecando relatórios contábeis de jurisdições opacas.— As notícias de George Town são ainda mais sujas do que prevíamos — Vance iniciou, deslizando um dossiê encadernado em espiral na direção de Travis. — O Luke não estava apenas desviando fundos fiduciários para manter despesas pessoais em Manhattan. Ele usou a subsidiária Vanguard Horizon para lavar repasses através de duas empresas de fachada em Valletta e Nicósia.Travis, sentado na cabeceira com a postura impecável e a camisa grafite com os punhos perfeitamente alinhados, folheou os extratos com uma frieza
POV Samantha O silêncio na manhã seguinte em Manhattan era cortado apenas pelo zumbido distante do tráfego na avenida e pelo gotejar do café na copa privativa da suíte. Acordei com a claridade prateada desenhando sombras compridas pelas paredes de ébano. O espaço ao meu lado na cama estava vazio, mas os lençóis ainda guardavam o calor e o cheiro amadeirado de Travis. Sentei-me devagar, puxando o linho cinza até a altura do peito, sentindo o corpo moído por uma exaustão densa e pelo eco da noite anterior. Travis estava de pé junto à imensa vidraça panorâmica. Ele vestia calça de alfaiataria grafite e uma camisa branca com os punhos dobrados nos antebraços. Uma xícara de porcelana repousava na mão esquerda, enquanto a direita segurava o celular seguro junto ao ouvido. A postura dele, rígida e atenta, indicava que a trégua da madrugada havia sido encerrada antes mesmo de o sol nascer por completo. — Mantenha as contas congeladas — Travis ordenava com aquela voz gélida e pausada de q
POV Samantha A palavra pairou entre as nossas bocas entreabertas antes que o mundo exterior deixasse de existir por completo. A urgência com que Travis me puxou contra o peito fez os meus pés saírem por uma fração de segundo do assoalho de ébano. O tecido do vestido desabou em silêncio absoluto ao redor dos meus tornozelos, deixando-me apenas com a lingerie de renda fina e as meias que subiam até o meio das minhas coxas. Minhas mãos, livres das luvas de cetim que descartei ainda no corredor, subiram febris pelo peitilho engomado da camisa dele, arrancando os botões restantes sem a menor preocupação com o corte sob medida. Ele soltou um rosnado baixo contra a minha garganta quando as minhas unhas arranharam os músculos tensos dos seus ombros. — Você passou a noite inteira me provocando sob os olhos daqueles abutres — a voz dele veio áspera, rouca, carregada de uma sede que a compostura de Wall Street não conseguia mais conter. — Você é quem não tirou os olhos de mim, Callahan — de







