LOGINO lobby do Copacabana Palace naquela noite brilhava sob a luz de um enorme lustre de cristal, refletindo o luxo intoxicante da alta sociedade do Rio de Janeiro. O cheiro de perfumes caros, o aroma de charutos e o tilintar de taças de champanhe preenchiam o ar. Em um canto do salão, Beatriz Cavalcanti estava de pé, usando um vestido vermelho sangue que abraçava seu corpo perfeitamente. Ela sorria amplamente, tomando seu drink enquanto recebia condolências veladas de colegas de negócios.
— Uma pena sobre a Isadora — sussurrou uma socialite mais velha. — Um acidente trágico na estrada… a polícia disse que o carro dela queimou completamente, não foi?
Beatriz tocou o canto dos olhos secos com uma atuação impecável.
— Estamos devastados. Ela era tão jovem, tão imprudente com seu carro esportivo. Nossa família ainda está de luto, mas esta ação beneficente precisa continuar. Isadora teria desejado isso.
Otávio Menezes estava ao lado dela, vestindo um caro smoking preto. Seus olhos percorriam o salão com a satisfação de um vencedor.
— Ela está em paz agora, Beatriz. Foque na expansão da nossa empresa.
Mas o murmúrio no salão mudou de repente. A suave música de harpa pareceu desaparecer, engolida por um silêncio que se espalhava a partir da entrada principal. Um a um, os convidados se viraram, olhando para a porta com olhos arregalados.
Um SUV blindado preto parou diante da escadaria de mármore. Dois seguranças enormes, com fones de ouvido, desceram primeiro, formando um cordão de proteção. Em seguida, um homem saiu do banco traseiro.
Hélio Valente parecia a personificação do poder sombrio. Seu smoking preto era cortado com precisão quase militar, moldando perfeitamente seus ombros largos e corpo atlético. Seu rosto duro e maxilar marcado criavam uma aura intimidadora que fazia as pessoas abrirem caminho instintivamente.
Mas não foi Hélio que fez a respiração de Beatriz falhar, quase deixando sua taça cair.
Hélio se virou e estendeu a mão para dentro do carro. De lá surgiu uma mulher que deveria estar reduzida a cinzas.
Isadora Cavalcanti saiu com uma elegância que nunca tivera antes. Usava um vestido de seda preta, sem costas, que se estendia até o chão, com uma fenda alta que revelava suas longas pernas. O diamante em seu dedo anelar brilhava intensamente sob as luzes do salão. Sua maquiagem era marcante — lábios vermelho-escuro e olhos esfumados que transformavam seu olhar antes suave em algo predador.
— Respire, Isadora — sussurrou Hélio em seu ouvido, o braço envolvendo sua cintura de forma possessiva, a mão quente pressionando diretamente a pele nua de suas costas. — Segure meu braço e não solte.
Isadora engoliu em seco, cravando as unhas no tecido do smoking dele. Seu coração batia tão forte que parecia prestes a desmaiar, mas a força que emanava de Hélio parecia fluir para dentro dela.
Eles caminharam para dentro do salão. Cada passo de Isadora soava como um veredito sendo dado. Ao longe, ela viu Beatriz — o rosto da prima empalideceu completamente, como se tivesse visto um fantasma.
— Isadora?! — gritou Beatriz, quebrando o silêncio.
Hélio e Isadora pararam diante do pequeno círculo formado pela família Cavalcanti e Otávio. A multidão se aproximou rapidamente, sedenta pelo drama.
— Boa noite, Beatriz. Você parece… surpresa em me ver — disse Isadora. Sua voz tremeu no início, mas ela se lembrou do treino. Ergueu o queixo e encarou Beatriz diretamente, com um ódio disfarçado. — Você não disse a todos que eu estava morta?
Otávio avançou, o rosto vermelho de raiva e confusão.
— O que significa isso? Isadora, você desapareceu sem explicação, e agora aparece com… quem é esse homem?
Hélio deu um passo à frente, posicionando-se ligeiramente diante de Isadora, em um gesto protetor dominante. Seus olhos frios fizeram Otávio hesitar.
— Hélio Valente — disse ele, com voz baixa e autoritária. — CEO da Valente Security International. E, mais importante, sou o marido de Isadora.
O silêncio que se seguiu foi absoluto.
— Marido?! — exclamou Beatriz. — Isso é impossível! Você desapareceu há dois dias!
— Dois dias muito intensos, Beatriz — respondeu Isadora, ganhando confiança. Ela se apoiou em Hélio, demonstrando intimidade. — Hélio me salvou do… “acidente” que você mencionou. Percebemos que a vida é curta demais para esperar. Nos casamos no civil esta manhã.
Hélio a puxou ainda mais para perto, a mão descendo até o quadril dela em um gesto claro de posse.
— Ouvi dizer que há discussões sobre herança e bens sendo transferidos devido à sua morte. Estou aqui para esclarecer que, como marido, tenho autoridade total sobre a proteção e os interesses legais da minha esposa.
Otávio tentou se aproximar, com voz baixa e ameaçadora:
— Você não sabe com quem está lidando, Valente. Isso é assunto da família Cavalcanti.
Hélio sorriu de forma perigosa. Aproximou-se de Otávio o suficiente para que só ele ouvisse:
— Eu sei exatamente quem você é. Sei sobre o carregamento no porto naquela noite. E sei o que fez com a família Valente há dez anos. Eu não trouxe apenas Isadora de volta. Trouxe o fim do seu império.
O rosto de Otávio mudou — da raiva para o medo.
— Vamos, querida — disse Hélio a Isadora, mudando o tom para algo suave e convincente. Beijou sua testa diante de todos. — Temos um leilão para vencer. Quero comprar aquele colar de esmeraldas que você estava olhando.
Eles deixaram Beatriz e Otávio paralisados no centro do salão, agora alvo de olhares e sussurros.
Ao se afastarem para um balcão mais tranquilo, Isadora sentiu toda sua energia desaparecer. Encostou-se em uma coluna de mármore, ofegante.
— Eu consegui… eu realmente consegui — sussurrou.
Hélio ficou diante dela, bloqueando a visão dos outros. Observou sua beleza sob a luz da lua.
— Você foi bem, Isadora — disse ele, passando o polegar pelos lábios dela. — Mas isso é só o começo. Eles vão atacar com mais força agora.
— Eu não me importo — respondeu Isadora, olhando nos olhos dele, agora com um sentimento real. — Enquanto você estiver na minha frente, eu não tenho medo.
Hélio a encarou por um longo momento. O desejo contido durante a noite finalmente rompeu.
Naquele balcão escuro, com a música ao fundo, ele segurou sua nuca e a beijou com intensidade avassaladora. Não era um beijo de atuação — era real, carregado de desejo.
Isadora gemeu suavemente, envolvendo o pescoço dele, entregando-se por completo àquele momento.
Ela sabia: naquela noite, eles haviam declarado guerra.
E o lugar mais seguro do mundo agora era nos braços do homem mais perigoso de todos.
O lobby do Copacabana Palace naquela noite brilhava sob a luz de um enorme lustre de cristal, refletindo o luxo intoxicante da alta sociedade do Rio de Janeiro. O cheiro de perfumes caros, o aroma de charutos e o tilintar de taças de champanhe preenchiam o ar. Em um canto do salão, Beatriz Cavalcanti estava de pé, usando um vestido vermelho sangue que abraçava seu corpo perfeitamente. Ela sorria amplamente, tomando seu drink enquanto recebia condolências veladas de colegas de negócios.— Uma pena sobre a Isadora — sussurrou uma socialite mais velha. — Um acidente trágico na estrada… a polícia disse que o carro dela queimou completamente, não foi?Beatriz tocou o canto dos olhos secos com uma atuação impecável.— Estamos devastados. Ela era tão jovem, tão imprudente com seu carro esportivo. Nossa família ainda está de luto, mas esta ação beneficente precisa continuar. Isadora teria desejado isso.Otávio Menezes estava ao lado dela, vestindo um caro smoking preto. Seus olhos percorriam
A luz do sol do Rio de Janeiro se infiltrava timidamente pelas frestas das cortinas automáticas do penthouse de Hélio. Isadora despertou com uma dor latejante nas têmporas. Por alguns segundos, esqueceu onde estava, até perceber a camisola de seda preta colada ao seu corpo — um presente do homem que agora era dono da sua vida.Ela se levantou da cama, os pés descalços tocando o chão de madeira frio. Ao abrir a porta do quarto, foi recebida pelo aroma forte de café e de pão tostado. Mas havia outro cheiro ainda mais dominante: o aroma masculino de Hélio, que agora parecia o próprio oxigênio daquele ambiente.Hélio estava sentado à mesa de jantar de granito, olhando para o laptop com óculos de leitura de armação preta, o que o fazia parecer dez vezes mais perigoso — inteligente e letal ao mesmo tempo. Já estava bem vestido; a camisa preta com as mangas dobradas até os cotovelos revelava as veias salientes nos braços que, na noite anterior, haviam segurado a cintura de Isadora.— Você es
O beijo em seu pescoço foi breve, mas deixou uma marca ardente na pele de Isadora, como ferro em brasa selando posse. Hélio a soltou com um leve impulso, deixando-a cambaleante, com a respiração irregular. A camisa branca larga que vestia escorregou de um ombro, revelando a clavícula delicada e a pele ainda úmida do vapor do banho.Hélio a observava com expressão neutra, como se a reação do corpo de Isadora — o coração acelerado e o rubor nas bochechas — fosse apenas uma variável técnica em sua missão.— Sente-se — ordenou.Ele não esperou resposta. Caminhou até o pequeno bar no canto da sala, servindo um líquido âmbar em um copo de cristal. O som do gelo batendo contra o vidro ecoou alto no silêncio do apartamento isolado.Isadora obedeceu. Sentia as pernas fracas.— Por que você fez isso? — sua voz saiu rouca, quase um sussurro. — Aquele beijo… não estava no contrato.Hélio se virou, deu um gole no uísque e apoiou o quadril no balcão. Seus bíceps se destacavam sob a luz baixa.— Aqu
Hélio Valente movia-se como uma sombra no meio da tempestade. Isadora só conseguiu fechar os olhos, enterrando o rosto na curva do pescoço dele enquanto atravessavam a escuridão do jardim. O cheiro de Hélio — uma mistura de chuva, pele e um aroma masculino intenso — parecia entorpecer seus sentidos, fazendo-a esquecer por um instante que aquele homem era um estranho que acabara de arrancá-la da beira da morte.Quando a porta de um SUV preto escondido atrás dos arbustos se abriu, Hélio não foi gentil. Ele praticamente lançou Isadora no banco traseiro frio antes de saltar para o banco do motorista. O motor ronronou baixo, quase inaudível, e o veículo disparou, deixando para trás a Barra da Tijuca.Durante trinta minutos, o silêncio dentro do carro foi tão denso que Isadora podia ouvir o próprio coração disparado. Hélio não disse uma palavra. Seus olhos permaneciam fixos no retrovisor, monitorando cada movimento atrás deles com a atenção de um predador.Por fim, chegaram a um apartamento
A tempestade que atingiu o Rio de Janeiro naquela noite não era apenas uma chuva de verão comum; era um dilúvio que parecia querer lavar os pecados impregnados no mármore Carrara da mansão da família Cavalcanti.No distrito da Barra da Tijuca, as palmeiras se curvavam sob o chicote do vento, e o som dos trovões ecoava pelas paredes de vidro da sala de estar como o rugido de uma fera aprisionada.Isadora Cavalcanti caminhava apressada pelo corredor da ala oeste. O tecido frio de seda do vestido de grife que vestia roçava em suas pernas, um lembrete constante da vida privilegiada que sempre levara. Mas, naquele momento, todo aquele luxo parecia sufocante.Ela só precisava pegar seu celular. Havia deixado o aparelho sobre a mesa de carvalho no escritório de seu pai depois de um jantar de negócios que durou horas — um jantar no qual, como sempre, fora tratada apenas como uma peça de exibição, bonita e silenciosa.Ao se aproximar da sólida porta de madeira de teca, Isadora percebeu que ela







