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Capítulo 2

Chu
Ele ficou imóvel por um instante. Depois, arrancou o celular da minha mão.

— Não é o que você está pensando.

A mandíbula dele se contraiu. Por trás daqueles olhos azul-escuros que tantas vezes me fizeram cair, alguma coisa já se movia, fria e calculada.

Adrian começava a inventar.

— Ela é a herdeira da família Conti.

Ele pousou o celular com cuidado, como se aquilo fosse uma granada prestes a explodir.

— A família Conti está prestes a comprar um novo porto. Se Bianca nos ceder o direito de uso, a operação, a influência da minha família se expande. Pode triplicar. Eu precisei entrar no jogo dela. Foi só negócio.

Continuei olhando para ele em silêncio, deixando o nervosismo encharcar o colarinho caríssimo de sua camisa.

Adrian soltou o ar devagar. A voz ficou mais baixa, mais doce.

— Tudo bem, eu admito. Bianca foi minha amiga de infância. Mas isso ficou lá atrás. Foram sete anos, Selena. Nesse tempo, não trocamos uma ligação. Nem uma mensagem.

— Amor, assim que o contrato for assinado, eu vou assumir você diante de todos.

— Você é a única. O único amor da minha vida.

Que palavras lindas.

Houve um tempo em que eu sobrevivia delas.

Por sete anos, me alimentei daquelas promessas como um pássaro faminto bicando migalhas no chão.

Soltei um sorriso amargo.

— Então, enquanto você fecha esse grande negócio, eu viro sua amante invisível? Ou devo usar outro nome: ex?

A expressão dele congelou por um segundo.

Espanto puro.

Como se nunca lhe passasse pela cabeça que eu pudesse dizer não.

Adrian me puxou para os braços e me apertou contra o peito, forte demais, quase como se quisesse me quebrar ali mesmo.

— Como eu deixaria você ser minha amante? E terminar com você? Nunca.

— São só sete dias. Só até o contrato ser assinado. Amor, você sempre foi tão boa comigo, tão paciente. Aguenta mais um pouco, por nós?

Em teoria, depois de esperar sete anos, sete dias não pareciam nada.

Mas eu não queria esperar mais.

Sorri.

Com a doçura exata que ele gostava de ver em mim.

— Entendi.

Adrian beijou minha testa, aliviado, e prendeu a corrente de diamantes no meu pescoço com as próprias mãos.

— Eu sabia que você ia me apoiar. Juro que, quando nos casarmos, vou colocar no seu pescoço uma joia única no mundo.

Casarmos?

Não respondi.

Ele ainda parecia querer dizer mais alguma coisa, mas o toque urgente do celular cortou o ar.

Adrian atendeu sem sequer olhar para a tela. Sempre assim: pronto, alerta, disponível para todos.

Só para mim ele nunca estava.

— Adrian? — A voz de Bianca veio pelo aparelho, ofegante, trêmula. — Roubaram minha bolsa! Meu celular está quase sem bateria. Estou com medo. Você pode vir me buscar? Por favor...

Adrian mudou no mesmo instante. Cada músculo do corpo dele se enrijeceu, como se ouvisse um tiro.

— Você se machucou? Onde você está? Estou indo agora.

Ele se levantou de um salto. Só então pareceu se lembrar de mim e olhou para trás.

Adrian me entregou um cartão black e me beijou no rosto às pressas.

— Compre o que quiser, amor. Nada pode acontecer com ela, pelo menos não agora. Preciso garantir que ela esteja segura. Quando você receber alta, venho buscar você.

Deixou essas palavras para trás e saiu do quarto antes que eu pudesse responder.

Achei que fosse sentir raiva.

Mas só fiquei ali, imóvel, em silêncio.

Arranquei a corrente do pescoço e joguei tudo no lixo, junto com as rosas.

— Você não vai se casar comigo, Adrian. — Murmurei para o quarto vazio. — Nem agora. Nem nesta vida.

Depois disso, assinei minha alta.

Contra a ordem médica.

E contra todos aqueles instintos mansos que, durante sete anos, me prenderam ao lado dele.

Aquele acidente levou meu filho. E levou, junto, o amor que eu sentia por Adrian.

Voltei para a mansão onde vivi por sete anos.

Sete anos de lembranças marcavam cada parede, cada tábua do piso, cada lençol que ainda parecia guardar o calor dos nossos corpos.

Quando conheci Adrian, ele ainda não era o Don da Máfia.

Naquela época, acabava de assumir uma família Moretti à beira do abismo, perseguido por inimigos demais.

Além da ambição, não possuía nada.

Eu estive ao lado dele em cada sequestro, em cada atentado, em cada noite em que a morte rondava a nossa porta.

Eu possuía um talento raro para os negócios. Podia construir meu próprio império com as minhas mãos.

Mas enterrei essa mulher por vontade própria.

E me transformei nesta outra: uma mulher parada à janela da mansão, esperando por um homem que nunca vinha por inteiro.

Achei que tudo aquilo terminaria com um anel.

No fim, recebi apenas uma corrente jogada no lixo.

Peguei a mala e comecei a arrumar minhas coisas.

Ao ouvir o barulho, o mordomo apareceu, curioso.

— Senhorita, aonde vai?

— Vou passar uns dias em casa. — Falei, como se não fosse nada.

Ele piscou, confuso.

— Mas... aqui não é a sua casa?

Meu sorriso ficou amargo aos poucos.

Não.

Aquilo já não era minha casa.

Passos soaram atrás de mim.

Adrian se aproximou.

O olhar dele caiu sobre a mala, e todo o calor em seu rosto desapareceu.

— Casa? — A voz saiu baixa. — Que casa?

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