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A Outra Mulher do Don
A Outra Mulher do Don
Autor: Chu

Capítulo 1

Autor: Chu
Com as mãos tremendo, abri a foto e ampliei a imagem pouco a pouco.

A cicatriz atravessava o dorso da mão dele, brutal, impossível de ignorar.

Em noites sem fim, beijei aquela marca no escuro, com lágrimas nos olhos, convencida de que ela era a prova do amor de Adrian por mim.

Agora, parecia uma lâmina cravada nos meus olhos.

Sete anos.

A promessa dele ainda ecoava nos meus ouvidos.

O peso da caixa com o anel de diamante de dez quilates ainda parecia afundar na minha palma.

Eu já planejava nosso casamento. Enquanto ele dormia ao meu lado, com aquela mão marcada pousada sobre a minha barriga, eu já escolhia, em silêncio, os nomes dos nossos filhos.

No fim, aquele anel nunca foi para mim.

Não.

Minha cabeça se recusava a aceitar.

Eu ia lhe perguntar. Eu precisava encontrar Adrian.

Chamei um carro e segui direto para o hotel, discando o número dele sem parar.

Antes, ele sempre atendia no primeiro toque. Naquele dia, só vinha o som frio da linha ocupada.

As lágrimas embaçavam minha vista, mas eu ainda não desistia.

Na vigésima tentativa, um estrondo rasgou o mundo ao meu redor.

Meu corpo voou como uma boneca de pano.

Buzinas agudas perfuravam minha cabeça tonta, e a dor tomou cada pedaço de mim.

Então, um calor espesso escorreu de dentro do meu corpo.

Apertei a barriga. Senti aquela vida escapar por entre os meus dedos.

— Não, não, por favor! Salvem meu bebê!

Ninguém ao redor ouviu meu pedido de socorro.

Com o corpo tomado pela dor, disquei de novo para Adrian, tremendo.

A vigésima primeira ligação. Apertei chamar, e meu polegar deixou um rastro de sangue na tela.

— Atende. Atende. Só desta vez na vida, por favor, atende...

A chamada finalmente completou.

Agarrei aquela ligação como quem se agarra à última chance de viver. Mas, antes que eu conseguisse pedir ajuda, uma voz feminina surgiu do outro lado.

— Amor, será que ela vai ficar com raiva de mim quando vir a notícia?

Era a voz de Bianca.

Vi o vídeo em que ela anunciava o noivado vezes demais. Como uma idiota, me comparei a ela em cada detalhe. Por isso, reconheci aquela voz no mesmo instante.

— Ela é só uma substituta. Que direito tem de ficar com raiva? Sem mim, aquela órfã ainda apodrecia na sarjeta.

A voz de Adrian veio logo depois, fria, indiferente, quase entediada.

— Além disso, ela me ama demais para ir embora. Mesmo que veja a notícia, ela fica. Ela sempre fica.

Naquele instante, todo o meu sangue pareceu congelar.

O celular escorregou da minha mão. As bordas do mundo começaram a se desfazer, e a dor no meu ventre engoliu todo o resto.

Antes de perder os sentidos, só consegui pensar:

Aquele não era o meu Adrian.

Era um estranho usando a voz do homem que eu amava.

Depois, acordei sob a luz cruel das lâmpadas brancas, com o cheiro de desinfetante queimando meu nariz.

O médico ainda nem abriu a boca. A expressão pesada em seu rosto já me contou tudo.

— Sinto muito. Seu bebê, com menos de três meses, se foi. Não conseguimos salvá-lo.

Minha mão deslizou sobre o ventre vazio. Meus olhos ficaram presos no teto, doloridos de tanto segurar as lágrimas.

Eu queria dar uma surpresa a Adrian.

Um filho.

Uma família.

E ele destruiu tudo com as próprias mãos.

Sequei o rosto e disquei um número guardado fazia tempo, mas nunca usado.

— Pai.

Do outro lado, a voz dele tremeu.

— Minha filha? É você mesmo?

— Já me decidi. — Minha voz saiu baixa, plana, sem calor. — Aceito o casamento de aliança e assumo os negócios da família. Mas tenho uma condição.

— Basta você voltar. Aceito qualquer condição.

— Tire Bianca da nossa família.

Meu pai não hesitou.

— Fechado. Mas, minha menina, aconteceu alguma coisa?

Engoli o soluço que quase me rasgou a garganta.

— Nada grave. Eu resolvo. Ligo de novo mais tarde.

Depois disso, desliguei.

Eles achavam que eu era uma órfã sem nada no mundo.

Estavam errados.

Um mês antes, meus pais biológicos me encontraram.

Disseram que eu era a verdadeira herdeira da família Conti.

Bianca era uma fraude. A mãe dela nos trocou ainda no berço e roubou de mim minha casa, meu nome, minha herança.

Na época, eu não dei importância.

Eu tinha Adrian. Não precisava de um império da Máfia.

Que idiota.

Agora, Bianca queria usar a minha identidade, se casar com o meu homem e me enterrar de vez na periferia.

Só por cima do meu cadáver.

Mas logo o celular tocou de novo. Uma mensagem.

[Selena, você acha mesmo que Adrian ama você? Três meses atrás, quando acusaram você de roubo numa loja e você tentou pedir ajuda a ele, Adrian passou três horas comigo no provador ao lado.]

Minhas unhas afundaram na palma da mão. Meu corpo inteiro tremia.

A segunda mensagem chegou.

[Você escapou desse acidente por sorte. Fique longe de Adrian. Da próxima vez, eu não erro. Você não acorda mais.]

Então foi Bianca.

Ela queria me matar para ficar com Adrian.

Meu filho morreu por causa dela.

Fiquei encarando aquelas palavras até elas se dissolverem diante dos meus olhos.

Depois, salvei as duas capturas de tela.

Provas. Paciência.

Sete anos vivendo como um fantasma nas sombras me ensinaram muita coisa.

Outra notificação das redes sociais apareceu no meu celular.

Abri sem pensar e vi Bianca anunciando a felicidade dela com Adrian.

Os comentários transbordavam bênçãos.

[Sete anos! Ele finalmente conquistou a mulher da vida dele. Que homem!]

[Guardou esse anel por sete anos, só esperando ela dizer sim. Isso é amor de verdade.]

[O homem mais apaixonado da cidade. Parabéns ao casal!]

Cada palavra caiu sobre o meu peito como pedra.

Em sete anos, nenhum amigo dele soube da minha existência.

Mas a história de amor dos dois virava manchete.

Ela recebeu o lugar ao lado dele, os beijos em público, mais de cem pedidos de casamento.

Eu só merecia ficar trancada num quarto, ouvindo promessas que ele já ensaiava para outra mulher.

Foi então que a porta do quarto se abriu de repente.

Adrian surgiu com um buquê de rosas nas mãos, o mesmo sorriso terno e apaixonado no rosto.

— Amor, soube que você veio para o hospital e vim o mais rápido que pude. Ainda bem que não foi nada grave.

Ele deixou as rosas sobre o criado-mudo e tirou uma caixa de veludo do bolso.

Mais uma joia de diamantes.

Igual a todos os anos.

— Feliz sétimo aniversário.

Não respondi.

Adrian se aproximou, achando que meu silêncio vinha das ligações que ele não atendeu.

A mão dele tocou meu queixo e ergueu meu rosto com delicadeza. O polegar roçou meu lábio inferior, leve demais, íntimo demais, como fazia sempre antes de me beijar.

— Me desculpa. O trabalho me engoliu hoje. Você sabe que eu jamais ignoraria você de propósito. Me perdoa?

O olhar dele era tão sincero.

Tão perfeito.

Tão treinado.

Então seus olhos desceram.

Pararam no celular aceso sobre o meu colo.

Na tela, estava a manchete sobre Bianca anunciando o romance dos dois ao mundo.

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Último capítulo

  • A Outra Mulher do Don   Capítulo 16

    Bianca viu Adrian ser levado embora, e a satisfação em seu rosto congelou.Só então entrou em pânico. Ela se arrastou até os pés de Leonardo e bateu a testa no chão sem parar, até o sangue escorrer.— Sr. Leonardo, por favor, me poupe! Eu errei!— Nunca mais vou fazer isso. Nunca mais vou machucar a Srta. Selena!Leonardo baixou os olhos para ela.Seu olhar era frio até os ossos, sem a menor piedade.— Quando você a machucou, pensou no preço que pagaria?— Nem a sua vida compensa a dor do filho que ela perdeu.Ele ergueu o queixo para os soldados, a voz gelada.— Levem-na.Bianca se apavorou. Debateu-se, chorou, gritou.— Não! Eu não quero ir! Por favor, me soltem!Os soldados não se comoveram.Eles a ergueram à força e a arrastaram dali.Mais tarde, ouvi dizer que, no primeiro dia no campo de punição mais cruel da Máfia, Bianca perdeu o bebê.Ali não existia dignidade. Não existia liberdade. Só uma tortura sem fim.Todo o orgulho dela, todos os seus cálculos, se desfizeram dia após di

  • A Outra Mulher do Don   Capítulo 15

    Bianca fez uma pausa. Então sorriu, triunfante.— Porque você também matou o filho dela.— Filho?Adrian estremeceu. Suas pupilas se contraíram.Ele virou o rosto para mim de repente, os olhos tomados por choque e incredulidade.— Nós... tivemos um filho?Ao ouvir aquela palavra, meus olhos arderam.Mas não respondi. Apenas o encarei com frieza. O silêncio era a resposta mais cruel.Adrian entendeu, no mesmo instante, que Bianca dizia a verdade.Seu corpo começou a tremer. O rosto ficou branco como o de um morto.Ele recuou vários passos, a voz trêmula, agarrada ao último fio de negação.— Você está mentindo, não está?Bianca caiu na gargalhada. O som era agudo, cortante, horrível no silêncio da noite.Ela ergueu a cabeça e cravou os olhos em mim como uma cobra.— Você esqueceu?— Ela sofreu um acidente de carro. Foi esse acidente que tirou o filho dela.— Naquele dia, ela carregava seu filho no ventre. Menos de três meses.— Ela ligou para você tantas vezes, pedindo socorro. Mas você

  • A Outra Mulher do Don   Capítulo 14

    Baixei os olhos e observei aquelas pessoas tremendo no chão.Minha voz saiu calma.— Vocês não desprezam tanto os empregados?— Então vão descobrir, na própria pele, como é servir aos outros.Para aquele bando de herdeiros mimados, aquilo era uma humilhação.Mesmo assim, ninguém ousou resistir.Assim que terminei, Leonardo sorriu em aprovação. Havia carinho em seus olhos, e sua voz veio baixa, suave.— Como você quiser.Os soldados os arrastaram para fora do salão. Adrian, ainda inconsciente, também foi levado.A confusão no salão pouco a pouco se dissipou.As luzes se acenderam de novo. A música delicada do piano voltou a preencher o ambiente. Os convidados se aproximaram para me felicitar, como se nada acabasse de acontecer.Aquela era a minha festa de aniversário.Meus pais, que me amavam, celebravam minha volta.Meu noivo ficava ao meu lado, me sustentando diante de todos.Sorri e recebi uma bênção após a outra.Foi o aniversário mais feliz que vivi desde que nasci.Quando a festa

  • A Outra Mulher do Don   Capítulo 13

    Quando terminei de falar, o rosto de Adrian perdeu toda a cor.Suas pupilas se contraíram. O ombro ferido tremeu de leve, e o sangue começou a escorrer com mais força.A culpa transbordava em seus olhos, misturada a uma dor incrédula, quase ofendida.— Amor, não faz isso. — A voz dele tremeu.Era como se aquele tratamento distante fosse mais insuportável do que o tiro.Um de seus homens avançou às pressas, a testa franzida, o tom urgente.— Don, chega. Esse ferimento no ombro não pode esperar. Precisa ser tratado agora.Adrian o afastou com um gesto brusco, com uma força surpreendente.Cambaleou um passo, mas manteve os olhos presos em mim. A voz saiu rouca.— Então você já sabia quem era de verdade e mesmo assim escondeu de mim?— Você desconfiava tanto assim de mim?Antes que o eco da pergunta morresse, minha mãe deu um passo à frente. O olhar dela era gelo puro, e a voz veio afiada.— Adrian, você ainda se acha no direito de questionar minha filha?— Eu já descobri tudo o que você f

  • A Outra Mulher do Don   Capítulo 12

    O tiro explodiu de repente. O som agudo rasgou o caos do salão.Ninguém esperava aquilo.Meu corpo inteiro endureceu. Minha mente ficou branca.Então vi uma sombra se colocar diante de mim.Era Adrian.O disparo acertou seu ombro, e o sangue encharcou sua camisa num instante.Ele soltou um gemido baixo. O corpo oscilou, mas Adrian permaneceu ali, me protegendo com o próprio corpo.Ao mesmo tempo, uma figura alta surgiu das sombras e me puxou para seus braços.O abraço era amplo, quente, envolto por um leve aroma de cedro. Aquela presença afastou o pânico que se espalhava dentro de mim.Levantei os olhos e encontrei um rosto bonito demais para passar despercebido.Era um homem de charme perigoso.Não sei havia quanto tempo me observava em silêncio.Mas, quando me viu em perigo, não hesitou.Meu pai e minha mãe ficaram pálidos de susto. Vieram até mim às pressas e seguraram minha mão com força.— Minha filha, você se machucou? — Minha mãe perguntou, a voz trêmula.Meu pai também franziu

  • A Outra Mulher do Don   Capítulo 11

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