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Capítulo 4

Chu
Quando cheguei ao portão da mansão, os seguranças me barraram.

Uma voz carregada de raiva cortou o ar atrás de mim:

— Você vai mesmo se mudar?

Virei o rosto.

Adrian vinha em minha direção a passos largos.

O rosto estava frio, duro. Ele estava furioso.

— Pare com esse drama. Volte para dentro.

Bianca, que o seguiu até ali, tentou suavizar a cena com aquela voz doce demais.

— Querido, não seja tão duro. Ela ainda não se recuperou totalmente.

Depois, olhou para mim. O tom era gentil, mas vinha de cima, como uma carícia dada por quem segura uma coleira.

— Acho que ele só se acostumou a ser cuidado por você. E também deve estar preocupado. Pode ser perigoso para você ficar sozinha lá fora.

Ela já falava como dona da casa.

Olhei para Bianca sem emoção, com os olhos vazios.

— Isso não é da sua conta.

Adrian soltou uma risada seca, nascida da raiva.

— Ótimo. Então deixe que ela vá. Fui bom demais com ela, tanto que esqueceu o lugar que devia ocupar.

Ele avançou um passo.

A voz desceu, baixa e cortante, com a crueldade que ele costumava reservar aos inimigos.

— Selena, não se esqueça: tudo o que você tem hoje fui eu que lhe dei. Sem mim, você não passa de uma órfã sem teto.

Órfã.

A palavra atravessou meu peito como uma bala.

Um dia, ele me disse:

— Onde eu estiver, ali vai ser o seu lar.

Um dia, ele me abraçou com força e prometeu que eu nunca mais ficaria sozinha.

Agora, diante da noiva dele, me reduzia a nada.

Engoli à força o gosto metálico que subiu pela garganta e endireitei a coluna.

— Don Adrian, mesmo que eu fosse uma empregada, você não tem o direito de me prender aqui. Eu vou embora. Ninguém vai me impedir.

Adrian puxou a gravata com força, a voz rígida.

— Eu não permito. Já tenho problemas demais agora. Não me arrume mais um.

Sustentei o olhar dele.

— Eu vou me mudar.

O ar congelou.

Adrian perdeu o último fio de paciência.

— Chega! — Ele passou a mão pelos cabelos, irritado. — Se você precisa descansar, descanse aqui. Ninguém vai incomodar você. Bianca é minha noiva, sim, mas eu nunca mandei você servir a ela. O que mais você quer de mim?

Ele falava como se eu fosse uma mendiga, estendendo a mão sem vergonha em busca de esmola.

Minha garganta se fechou. Quando a voz saiu, veio rouca, quase rasgada.

— Eu não quero nada. Só quero ir embora.

O sangue sumiu do rosto dele.

A temperatura no jardim pareceu despencar.

Não hesitei.

Peguei a mala e caminhei em direção ao portão.

Quando faltavam apenas três passos, dedos finos se fecharam em volta do meu pulso.

— Espere.

Bianca ainda usava aquele sorriso perfeito. Mas a voz dela baixou de propósito.

— Selena, não fique com raiva. Adrian não fez por mal. Ele só se preocupa com você.

Ela fez uma pausa, com uma falsa pena escorrendo pela voz.

— Você passou sete anos ao lado dele, cuidando dele. Eu sei que entregou tudo de si. Ele não devia tratar você assim.

— Mas agora eu voltei. Então pare de sonhar. Mesmo que tente chamar a atenção dele desse jeito, só vai perder tempo.

Enfim, ela me mostrou as presas.

Encarei seus olhos e devolvi, fria:

— O que existe entre mim e Adrian não tem nada a ver com você.

Tentei arrancar meu braço da mão dela, mas Bianca apertou ainda mais.

Com aquela doçura falsa, continuou:

— Durante esses sete anos, você sempre sonhou em se casar com ele, não foi? Eu sei que você não aceita perder.

— Então vou ser generosa. Deixo você experimentar meu anel de noivado, só para realizar esse seu desejo. Que tal?

Antes que eu pudesse recusar, ela enfiou a aliança no meu dedo médio.

O aro era pequeno demais. Minha junta ficou branca sob a pressão.

A dor aguda me fez empurrá-la por instinto.

— Ah!

Bianca soltou um grito exagerado e caiu sentada no chão.

Os olhos dela se encheram de lágrimas no mesmo instante. A voz veio embargada.

— Você quer tanto assim se casar com Adrian?

— Eu sou muito grata por você ter ficado ao lado dele no meu lugar durante sete anos. Se queria experimentar meu anel de noivado, eu lhe emprestava. Mas como pôde simplesmente arrancá-lo de mim?

Olhei para Bianca.

Para o diamante cravado fundo demais na carne do meu dedo.

Para os seguranças que fingiam não ver.

E, acima de tudo, para a silhueta embaçada de Adrian à entrada da mansão.

Tudo o que ele via era exatamente o cenário que ela preparou para ele ver.

Minha voz saiu gelada, cada palavra afiada como uma lâmina.

— Bianca, com esse talento todo para fingir, é uma pena você não estar no cinema.

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