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5. Histórias Peregrinas

Author: Tsuki-Hime
last update Petsa ng paglalathala: 2021-09-15 03:29:42

Chegada a noite, todo o quarto de Bara ficou iluminado pela lua, tanto quanto no jardim. Já deitada na cama, surpresa com a quantidade de iluminação, se pôs a admirar a lua junto do camafeu para se encontrar logo com Nemuru. Com pouco tempo, ela se encontrava no jardim dele e Nemuru estava na fonte da primeira noite em que se encontraram.

– Olá Nemuru!

– Bara! Prazer revê-la. – cumprimentou ele com um largo sorriso.

– Está tudo bem com você Nemuru? – perguntou Bara com a lembrança do estranho ancião em sua mente.

– Sim, porque não estaria. – respondeu ele tentando convencer a si mesmo.

– Por nada não.

 Bara sentou-se ao lado de Nemuru e começou a observar a água.

– Por quanto tempo você fica nesse jardim Nemuru?

– Como assim? – Nemuru começou a desconfiar da conversa.

– Ah. Uma hora... três... a noite toda... quanto tempo?

– Desde os meus sete anos que tenho vivido neste jardim.

– E quantos anos você tem mesmo? – perguntou ela semi-perplexa sem desviar da agua.

– 17. – respondeu ele cada vez mais desconfiado.

– Entendo... (não acredito que aquele sujeito possa estar lhe atormentando a pelo menos dez anos).

– Entende o que Bara? (O que está me escondendo?).

– Nada não!

– Você está estranha Bara.

– Impressão sua Nemuru! – respondeu Bara, finalmente voltando o rosto para ele com um enorme e caloroso sorriso.

– Tudo bem. – seguiu ele, fingindo acreditar.

E mudaram de assunto. Ficaram conversando até o ressurgir das nuvens negras, onde antes que Nemuru dissesse qualquer coisa, Bara o interrompeu:

– Já sei! Até amanhã à noite Nemuru.

E afastou-se como se estivesse indo embora, escondendo-se em seu esconderijo e assistindo à mesma cena macabra; pensando consigo mesma antes de partir, – "Confie em mim Nemuru, eu ainda te livro deste homem, ou seja lá o que ele for! Aquente só mais um pouco..." – e despertando em seguida.

Não demorou para o sol surgir e Bara se arrumou para andar em Heiwa à procura do Contador de Histórias Peregrino que seu pai mencionou.

Ela disfarçou-se de camponesa e escureceu a pele com pó de café, além de empoeirar um pouco os cabelos e prendê-los em uma faixa de retalhos.

Quando estava pra sair do quarto, foi surpreendida por Acnarepse.

– Onde pensa que vai sem mim menina?!

– Ac! Esqueci de chamá-la!

– Onde está pretendendo ir Bara.

– Meu pai disse que um Contador de Histórias vem pro reino, e eu queria ouvir as histórias dele.

Acnarepse observou Bara... e refletindo por um momento, decidiu:

– Me dê 5 minutos.

– Obrigada Ac.

15 minutos depois, as duas se encontravam nas ruas da cidade à procura do homem. Chegaram à praça principal onde avistaram um grupo de pessoas reunidas ao redor de um homem de meia idade com roupas meio surradas, lembrando a um monge.

Elas se aproximaram e constataram ser o homem que procuravam. Ele estava terminando de contar uma história vinda de uma ilha do outro lado do continente. Assim que terminou (com aplausos ou ganho de algumas moedas), pediu para os que estavam presentes que lhe contassem uma história sobre algo ou alguém do reino.

– A nossa princesa serve? – perguntou Acnarepse imitando a voz de uma anciã, em vestes semelhantes à de Bara.

– Que tens a vossa princesa, senhora? – questionou o Contador.

– Nossa princesa se chama Bara, ela é bonita e extremamente bondosa. Tão bondosa que se disfarça de aldeã e trabalha, em meio ao povo, ajudando nas casas ou nas plantações. – respondeu Acnarepse.

– E o povo de Heiwa nunca descobre a presença de tua própria princesa entre eles!? – continuou o homem cada vez mais curioso.

– Ela nunca repete os disfarces senhor. – começou Bara, fazendo voz rouca – Só descobrimos sua passagem ou através das plantas ou no encontro de riquezas.

– Que quereis dizer com isso, cara donzela? – estava ficando intrigado o Contador.

– Nossa princesa parece ter o poder de tornar as plantas mais viçosas e produtivas, talvez por ser filha de um mago, e sua ama, que sempre está junto dela, esconde moedas de ouro ou pedras preciosas nas residências e fazendas em que prestam serviço anonimamente. – respondeu Bara.

– Mas esta lady és de fato formidável! Digais menina, há alguma história que queirais ouvir?

O Contador estava mesmo animado, e Bara aproveitou a oportunidade que recebia.

– O senhor conhece alguma história que envolva um mago cruel e o reino de Kyuden ou aliados?

Todos voltaram o olhar para ela. Todos menos o Contador que, com uma gargalhada (retomando a atenção dos presentes) e passando para um sorriso malicioso, respondeu:

– Estais com muita sorte menina! Venho do reino de Oilixua, donde trago a história do mago Dark Yami.

– Dark Yami?! – Bara estava tão esperançosa que fosse quem ela estava procurando, que se sentou para ouvir com mais atenção, junto de outros que também se interessaram na história.

– Sim, cara menina. Vou lhes contar.

“ Há muito tempo, na época em que os atuais Reis e Rainhas dos reinos de Kyuden, Heiwa, Oilixua e Megaroc ainda eram infantes; um poderoso e sombrio mago de nome Dark Yami, escravizava uma pequena aldeia localizada no âmago de uma floresta entre os quatro reinos que antes não pertencia a ninguém.

Dark Yami era poderoso, assim como a sua ganância.

Ele desejava muito mais que a pequena vila, queria o controle sobre os quatro reinos aqui mencionados: Kyuden, Heiwa, Oilixua e Megaroc.

Dark Yami criou seu exército de criaturas negras e lançou-o sobre o reino de Oilixua primeiro, já que dentre os quatro alvos era o que demostrava maior fraqueza para ele. O rei da época, Victor Bolsatels, em meio aos ataques sofridos, após descobrir os reais planos de seu agressor, conseguiu enviar três mensageiros para os demais reinos alvos, avisando-lhes da ameaça e solicitando socorro para o seu povo.

Heiwa, Kyuden e Megaroc aliaram-se imediatamente à Oilixua quando confirmaram a ameaça e juntos planejaram como libertar a vila usada como quartel general e colocar um fim em Dark Yami, raiz do maior mal da época.

Os exércitos dos quatro reinos uniram-se contra o exército de lacaios das trevas de Dark Yami. Um por um, goblins, feras e demônios caiam diante do poder dos exércitos humanos unificados.

Os reis da época, Victor Bolsatels, Lirina Minorette, Orion A****n e Akito Kuroshy, uniram-se para enfrentarem pessoalmente o terrível mago, que caiu diante deles.

Mas, antes de receber o último golpe, Dark Yami prometeu que iria voltar e jurou vingança, contra cada um dos quatro que o derrotava, começando com aquele que carregasse o maior ponto fraco. Dark Yami desapareceu como fumaça, literalmente, após receber o golpe simultâneo das quatro espadas reais.

O povo da pequena vila, finalmente libertos da escravidão, mudou-se para os reinos de Megaroc e Oilixua. As terras, foram dividas igualmente entre os reinos e Dark Yami, nunca mais foi visto.

Alguns acreditam que ele se encontra no mais profundo abismo do limbo. Outros creem que ele simplesmente ficou fraco demais da batalha e encontrasse escondido. E ainda há aqueles que creem que ele está apenas aguardando o melhor momento para vingar-se dos quatro reinos, como prometera aos reis passados, isto se o terrível sádico já não o estiver fazendo... ”

Terminada a história, Bara sentiu tudo ficar tão claro quanto um cristal. O nome do estranho mago que atormentava Nemuru e afligia sua mãe, Rainha Jõo A****n, só podia ser Dark Yami!

– Muito obrigada pela história! – disse Bara lhe jogando três moedas na tigela coletora e disparando de volta para o castelo.

– Espere por mim menina! – gritou Acnarepse para Bara, movendo-se mais ou menos devagar para manter o disfarce (e entre xingamentos).

O Contador pegou uma das moedas jogadas por Bara e, ao verificar que eram feitas de ouro e não prata ou cobre como todas as outras, deu uma leve risada dizendo consigo: Estarei sempre ao teu dispor, alteza.

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