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7. Filhas do Luar

Autor: Tsuki-Hime
last update Fecha de publicación: 2021-09-15 03:31:09

Já em seus próprios aposentos, no topo de Kendrada, Bara começou a analisar melhor o pequeno baú. Perolado com ornamentos de prata que desenhavam o ciclo da lua. Ela tentou encontrar o fecho, porém...

– Ué? Como é que se abre esse baú?

O baú não tinha fecho externo ou abertura para chave (se bem que ela não havia recebido chave alguma).

Já estava anoitecendo e assim que o luar preencheu o quarto, o símbolo central do ornamento que representava a lua cheia começou a brilhar diferente dos outros símbolos sob o luar. Ela o observou um instante e resolveu pressioná-lo, fazendo-o, um click estalou de dentro do baú e se abriu.

Admirada, Bara retirou item por item cuidadosamente, apoiando-os sobre a cama. Era um pequeno espelho redondo; um colar de pedra vermelha envolto com brilhantes, um pequeno livro de capa azul-anil; uma bolsinha de seda e rendas brancas com uma enorme alça; um pequeno frasco, aparentemente de cristal, com uma espécie de agua dentro; e um apito de pedra branca.

Esvaziado o baú, Bara começou a ler o pequeno livro, que começava dizendo: “Guia das Filhas do Luar”. Ela achou estranho, porém prosseguiu com a leitura.

“ Prefácio_

Neste guia tem-se a explicação sobre as funcionalidades de cada “arma” criada para auxiliar as Filhas do Luar, além de seus dons e as experiências mais marcantes de cada uma delas que servirão de ajuda para as seguintes.

O baú criado por um hábil elfo artesão, junto de cada ferramenta e claro, este guia, é repassado de geração á geração.

As Filhas possuem o poder de se encontrar com outras pessoas por intermédio do mundo dos sonhos e também possuem a capacidade de interferir no desenvolvimento das plantas.

Para garantir a continuação das gerações, uma Filha do Luar só pode tornar-se um com homens de coração puro ou usuários de magia de alma nobre. De forma que, mantidas essas condições, cada nova geração nascerá mais forte que a anterior.

Habilidades_

Transição do Luar – O poder de comunicar-se através do mundo dos sonhos ou Transição do Luar como assim chamamos, é a habilidade que permite à Filha de se encontrar com outras pessoas, não importando o quão distantes estejam, por intermédio dos sonhos.

Para ativá-la, a Filha precisa ter em mãos algum objeto que já tenha pertencido (por algum tempo) à pessoa com que deseja se encontrar, e observá-lo junto ao luar, assim que a filha adormecer (contando que a pessoa que a Filha deseja se encontrar também esteja dormindo), o encontro ocorrerá automaticamente.

Essa habilidade atua de diferentes formas dependendo da fase da lua ou da condição climática.

Durante a lua cheia, o ápice da Transição, é possível efetuar troca de objetos nos sonhos. O objeto recebido ou entregue pela Filha é materializado na mão do portador assim que a Filha desperta.

Durante as luas crescente e minguante, o momento instável da Transição, a Filha torna-se translúcida, de modo que, quando mais próxima da lua cheia, mais nítida a Filha fica e, quando mais próxima da lua nova, a Filha chega a ficar de invisível à inaudível.

E finalmente, durante a lua nova, por conta da ausência do luar, a Transição não funciona. Sendo preciso aguardar pela próxima noite com luar.

Céus completamente nublados, ocultando qualquer feixe de luz da lua, possuem o mesmo efeito de uma lua nova; e céus parcialmente nublados, bloqueando apenas parte da luz da lua, tem o mesmo efeito das faces crescente e minguante, de acordo com o nível de interferência no luar.

Tsuki – Esse é o nome dado à habilidade que geralmente identifica uma Filha do Luar. Com um simples toque, qualquer planta se torna mais viçosa e produtiva. Isso se deve à forte influência que a lua tem sobre as plantas e as aguas. Em alguns casos, influenciam até mesmo na saúde das pessoas.

Ferramentas_

Bolsa Shiruku – A bolsa branca, tecida por uma das primeiras Filhas, e tecida à luz da lua, com fios de seda produzida por uma rara aranha noturna combinada aos fios do bicho-da-seda, em meio a cânticos místicos ancestrais; é visível apenas aos olhos de uma legítima Filha do Luar. Flexível, resistente e hidrofóbica, é um lugar seguro para carregar qualquer coisa que a Filha precise levar em segredo e com segurança. Como as demais ferramentas por exemplo.

Colar da Metamorfose – A pedra vermelha no centro do colar, é uma lágrima de sangue de um dragão lunar albino. Ela dá à Filha a capacidade de se transformar em qualquer pessoa fisicamente, basta enrolar-lhe um fio de cabelo, por exemplo, da pessoa em que a Filha deseja transformasse, polo no pescoço e citar o feitiço: “Facit me aequalis ad (nome da pessoa)” e pronto! Tanto a aparência física como a voz tornam-se idênticas à da pessoa cujo fio de cabelo pertence. O feitiço é desfeito no momento em que se retira o colar.

Cuidado! A Filha precisa conhecer bem a pessoa em que vai se transformar para não ser descoberta.

Apito Ohcib – Este apito feito de osso fossilizado de lobo-nara, banhado pelo luar por dez dias seguidos, é um socorro para as Filhas do Luar. Basta citar o feitiço “Videte petitio mea et intelligit” antes de soprá-lo para que o animal mais apto a ajudar seja invocado pra junto da Filha. Uma vez que ele(s) tenha(m) chegado, basta lhe(s) dar a ordem da ajuda de que precisa e ele o fará. Em casos de emergência, ordens não são necessárias.

P.S.= o chamado é feito para qualquer animal mesmo, por isso se você estiver em um lugar em que precisa se manter escondida, cuidado com o susto.

Espelho de Localização – Este espelho mostra à Filha onde, o que faz e com quem a pessoa cujo fio de cabelo, ou pedaço de unha ou pele, ou gota de sangue é posto sobre sua superfície e citado o feitiço “Ostende ubi tu et qui”. O espelho refletirá como se estivesse no teto (ou nos galhos) acima da pessoa, e você ainda será capaz de ouvir a conversa que essa pessoa estiver tendo, caso esteja acompanhada. Ao remover o material usado para localizar a pessoa, o espelho volta a parecer com um espelho comum.

Essência Vestigium – O pequeno frasco de berilo contém uma poção que permite à Filha deixar um rastro mágico dela. Basta tomar uma gota da poção e citar o feitiço “Meus vestigia per viam” para que um rastro invisível marque todo o caminho feito por ela, não importando se foi a pé, sobre rodas ou patas ou sequer sobre asas, o caminho ficará marcado.

A trilha mágica se revelará como luz (à noite) ou como um rastro branco cinzento (ao dia) diante apenas dos olhos de um puro de coração ou um usuário de magia com alma nobre após o citar do segundo feitiço “Vestigium ostende mihi filia lunae”.

A trilha para de ser deixada ou manter-se existente, no momento em que os dois que citaram os feitiços se encontram. "

Até essa parte, todas as páginas estavam escritas (se bem que com letras diferentes em cada ferramenta). Bara precisou pular umas quatro páginas em branco para retomar a leitura.

“ E a última ferramenta é este guia, com todas as informações já passadas e com experiências vividas por outras Filhas do Luar nas páginas seguintes, que servirão de referência para as descendentes caso venham a passar pelas mesmas situações de suas antecessoras.

Por favor, só deixe seu relato após ter certeza que nenhuma outra Filha vivenciou uma experiência semelhante.

Agora tudo fica sobre as mãos da atual portadora destes itens.

Que Selena tome conta de vocês.

Muita sorte e paz. "

Terminada a leitura do guia até este ponto, Bara ficou contente e admirada com todos aqueles itens! Colocou-os todos na bolsa e guardou o baú fechado debaixo da cama. Depois, põe-se logo a se encontrar com Nemuru para obter as informações que ainda necessitava.

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Último capítulo

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   56. Epílogo

    O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   55. Júbilos

    A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   54. Festividades

    As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   53. Placidez

    Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   52. Desfecho de Korionenshõ

    Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   51. Vórtice

    A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.

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